Impressões: Morte Súbita – J.K.Rowling

J.K.Rowling com seu novo livro: Morte Súbita!

Depois de cinco anos desde que Harry Potter terminou, na altura de agosto de 2012, J.K.ROWLING quebrou seu silêncio em relação ao que estava por vir. Densa é a sua visão sobre os conflitos humanos, ainda que a “inocente” metáfora do mundo bruxo para falar de questões mais inóspitas, tenha sido por tanto tempo sua marca registrada.

No original “The Casual Vacancy” (“Morte Súbita”) isso não é o que acontece: Não temos bruxos ou bruxas, não presenciamos tanta bondade e proteção, não temos um lugar especial nos aguardando e que nos faz sentir bem vindos:  casas são bagunçadas, pouco acessíveis, adolescentes estão expostos aos mais variados e corriqueiros problemas da idade, disseminando portanto a fraqueza que é reflexo da ignorância de adultos muito mal preparados. Uma clínica focada em dependentes de álcool e outras drogas é motivo constante de críticas do conselho da cidade, que é a grande protagonista da história, talvez, situando o mais saudoso leitor à visão de que Hogwarts também já foi um lugar para enaltecer.

Barry Fairbrother é um importante “Político” que cuida do mediano e conservador condado de pagford. Sua responsabilidade com todas as questão é visível, causando através de seu compromisso e bons sentimentos, inveja em alguns e forte admiração e respeito em outros. J.K. utiliza a figura popular (entretanto, jamais perfeita) de um homem comum, preocupado com a jovem e bem desenvolvida personagem Krystal Weedon – e tais preocupações custaram-lhe a vida com um aneurisma. Sua esposa e filhos ficam desamparados logo no primeiro capítulo e autora não deixa qualquer tipo de espaço para sentimentalismo, suporte ou sensibilidade. A crueldade e o ódio são dois pontos essenciais em “Morte Súbita” , tornando a ideia de “vacância” ou espaço que precisa ser ocupado uma constatação primorosa do vazio existencial e da infelicidade predominantes à cada personagem.

É muito interessante visitar o humor e a acidez de J.K.Rowling outras vezes ao longo das quase 502 páginas. Eu que caminho em uma grande correria, dividindo trabalho e perspectivas artísticas, me surpreendi por ter conseguido terminar tão rápido seu novo livro e posso atestar que sua visão e dedicação enquanto autora rendeu-lhe uma direção muito mais ousada, já que preferiu sair do lugar comum com uma única obra fechada, muito bem desenvolvida em seus conflitos, além de colocá-la definitivamente entre as grandes autoras dessa nova década dos anos 2000.

Morte Súbita: Grande Livro!

PERSONAGENS

Não há como não associar a quantidade de personagens deste livro a mesma quantidade da série Harry Potter. Por outro lado, se na série do Bruxo, temíamos a morte daqueles mais carismáticos, J.K.Rowling não poupa ninguém em sua nova visão fictícia. Pessoas usam drogas, sim e isso é real. Adolescentes sofrem violência doméstica e sexual, sim, isso é real. Aos olhos de uma perspectiva mais simplória, seria resolvido com queixas ou perdão. O perdão até faz parte de um dos principais enredos, focado no garoto Andrew, por outro lado, é possível notar que o rancor é a principal motivação para que o silêncio e a resignação sejam o modo de vida mais acessível. Numa vizinhança cheia de peculiaridades, a fofoca, as intrigas, o desejo de uma vizinha pelo marido de outra, e a agressão do filho contra pais que não mereciam, tornam “Morte Súbita” uma obra muito relevante, abordando dentro destas pequenas fraquezas, questões mais sérias como preconceito racial e a vislumbrada e pouco tolerável classe média britânica – que obviamente não é uma regra, mas vindo de J.K.Rowling que sempre evidenciou a diferença entre o que é ser “um bruxo de sangue puro” ou um mero “trouxa”,  era esperado ser visto, já que seu país e histórico pessoal clamam para criticar essa terrível questão.

A única coisa da qual senti realmente falta neste novo livro, foi o desenvolvimento de algumas personagens e maior tempo nas questões de outros: o leitor perceberá que pela quantidade de tramas, naturalmente, as questões mais relevantes sobressaem sem maiores enrolações ou problemas.  Morte Súbita é um livro que recomendo, é um novo passo da J.K.Rowling rumo à maturidade de estilo e a consagração de uma autora que não mais precisa provar ou escrever, mas que por amor e dedicação ao seu público, decidiu ignorar o que já conquistou admitindo que com tal desafio, fez um bom trabalho!

Recomendo!

“Morte Súbita” (“The Casual Vacancy”)
Editora: Nova Fronteira.
Preço, 39,90 (www.submarino.com.br)

Impressões, Nota: 8,5.

Maiores Séries Infanto – Juvenis dos Anos 2000: Final!

Finalmente esse especial preguiçoso iniciado em 2010 terá sua terceira e última parte. Peço desculpas inclusive a quem iniciou a leitura pois eu realmente não tive paciência para terminar (rs). Talvez, a prática (escrever) esteja voltando para meu dia-dia, o que é bem positivo: isso tem se tornado terapêutico. Entretanto e sem mais conversas, vamos ao encerramento dessa tão complexa lista e por certa intuição, não representa (obviamente) todos os exemplos de alta literatura do gênero, entretanto, em breve tentativa, aqui abaixo o que considero “importante” para qualquer leitor ou leitora interessado(a) ao tema.

Terceiro Lugar: Percy Jackson, A Saga Crepúsculo e Jogos Vorazes!

Aqui não cabe uma única série, tampouco preconceitos. Para não ser injusto com os recém formados leitores, eu não poderia colocar no pódio apenas 3 séries que se destacaram de 2004 para cá, numa espécie de “pós efeito Harry Potter”. É nítido o sucesso das respectivas séries, por traduzirem o sentimento de uma juventude bem “precoce” e porque não dizer, mais aventureira e sobrecarregada de informações. Nesse grande universo jovem, temos dúvidas, descobrimentos (naturais a todos nós que temos a oportunidade de crescer e principalmente refletir sobre isso) e valores que são vistos ou expostos na literatura ou em qualquer forma de arte. Pensando nisso, sábios autores e autoras tornam-se verdadeiros fenômenos, e o que mais chama atenção em Crepúsculo (Twilight) é justamente a sua castidade em contrapartida ao que já foi mencionado.

Se nas obras de Anne Rice ou em Drácula de Bram Stoker, temos uma visão muito mais “clássica” (e original em termos de folclore) dos vampiros, em oposição a tudo que é oriundo e natural do folclore vampiresco (vampiros são sexualmente atraentes, gostam de sangue humano e não se expõem ao sol) pela sua formação religiosa, Stephenie Meyer elaborou um enredo que trouxe três personagens interessantes, mas muito “controversos” pela sua essência: Bella Swan, protagonista que ao deixar a casa da mãe, muda-se para Forks, cidade na qual jamais faz sol e lá chama atenção de um misterioso rapaz, Edward Cullen. Vivendo com seu pai, divorciado e por tal razão, decide convidar a filha para viver com alguma companhia, apresenta-lhe Jacob Black, um rapaz com feições caninas e de família indígena. Obviamente tudo é muito claro e previsível no texto, o que causa muita ira nos mais radicais críticos da série, além da forte acusação de que Meyer sem qualquer agradecimento, “sugou” como inspiração  parte do texto originário de Diários do Vampiro  da autora L.J. Smith, que lançou seu livro em meados de 1991 – e diga-se, é muito superior a crepúsculo, por não ser tão pudico e por ter uma narrativa muito mais ágil, além de elementos folclóricos bem mais diversos.

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Segundo o Blog 16 Mil Metros  “Alguns sites que também falam sobre o livro, dizem que a luxúria de sangue promovida por Drácula ao se alimentar e “infectar” suas vítimas com a maldição seria uma alusão à sífilis e outras doenças transmitidas através do sangue”, em contrapartida, Crepúsculo radicalmente nega isso, pois os vampiros citados (quando protagonistas) não se alimentam de sangue humano, apenas de sangue animal. Quando tais vampiros aparecem na forma tradicional, são de índole extremamente maldosa.

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Crepúsculo é um fenômeno recente, impulsionado pela série de filmes produzidos pela Summit, hoje parte da produtora Lionsgate (a mesma de Jogos Mortais – Saw e também Jogos Vorazes) e mesmo carregando tanto sucesso e recebendo aprovação de pais e mães mais “conservadores” no sentido da preservação da sexualidade pós casamento, Lua Nova, Eclipse e Amanhecer não melhoraram a reputação da Saga entre leitores de base mais “clássica” e porque não dizer, mais lúcida: Não estou querendo desencorajar ninguém que tenha interesse nos 4 livros da série, entretanto, seria muita estupidez não deixar claro o quanto a série é despretensiosa e visivelmente fraca em termos de “qualidade literária”. Em Forks, os vampiros brilham, reluzindo o que o sol emana, e o que seriam lobisomens, na realidade, fazem parte um de clã que é formado por Lobos, não pela mutação humanoide que estamos acostumados ou lemos a respeito.

É triste entretanto que muitas pessoas deem o mérito apenas a Stephenie por esse fenômeno, já que a própria Smith ou Anne Rice eram bem sucedidas nesse gênero muito antes do seu “boom”  representado em canais de entretenimento e livrarias, e justamente, pela maneira mais “fácil” de conseguir lucro e novamente toda atenção. Críticas a parte e opiniões radicais sobre a série Crepúsculo, o objetivo desse especial sempre foi (e é possível notar nas outras listas) convidar você para um debate ou para construções de opiniões, favoráveis ou não ao que está sendo dito. Não direi entretanto, que junto dos demais livros, que eu recomendo (mesmo tendo lido os três primeiros livros da série Twilight), contudo, fica aqui o espaço destinado ao reconhecimento da série e que ao lado de Harry Potter merece ter a menção de que chamou de volta ao mundo dos livros jovens sonhadoras e alguns jovens rapazes interessados em boas doses de ficção, certa “pontinha de suspense” e um pouco de diversão, já que não podemos exigir mais do quê isso de leitores na faixa etária para qual o livro “é destinado”.

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Curiosidade em Twilight: Crepúsculo é antes de qualquer outro argumento explicativo, um romance jovem e certamente este deve ser o ponto que atrai tantas moças aos livros da série, mas do quê rapazes que podem sentir mais ligação com Percy Jackson ou Jogos Vorazes, pelo contexto ser muito mais plural (não apenas focado nas visões femininas – Mitologia Grega e Distopia).  A autora pretendia lançar um quinto livro, mas uma pessoa próxima (segundo sua versão da história), “vazou” 12 capítulos do livro que seria o tal “Crepúsculo” na ótica de Edward Cullen, por sua vez, o passado do vampiro, como surgiu (detalhadamente) e o que vivenciou até conhecer Bella. Entretanto, com o sucesso da franquia no cinema, fica claro que isso pode ser uma interessante estratégia de mercado para suas futuras “obras”, tais como A Hospedeira, que ganhará uma adaptação ao cinema em 2012, com lançamento previsto para 2013. Outro detalhe nesta saga, sobre os vampiros, é que quando são mortos, eles não se dissipam como fumaça ou explodem/pegam fogo (como é a visão do seriado true blood), mas se partem como cristais de mármore (resultado da explicação engraçadíssima que a autora encontrou para seus pálidos “morcegos”).

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1984 de nossos tempos : Jogos Vorazes!

As comparações com a série Battle Royale do Oriental Koushun Takami se resumem a estrutura do governo que coloca seus jovens para lutar até a morte, restando apenas um único vencedor. Se em Battle Royale entretanto, a questão é muito mais voltada ao universo estudantil e principalmente aos terríveis índices de delinquência, em Hunger Games temos um panorama distinto: os Estados Unidos, como nós conhecemos hoje, entrou em decadência por conta de revolução na qual 13 distritos voltaram-se contra a terrível e poderosa Capital e no local do seu antigo nome, agora é chamado de Panem (que pode ser entendida como a forma radical da expressão original romana “pão e circo” – em livre tradução, fazendo alusão a política do espetáculo violento, porém, divertido).  Como já era esperado, a Capital venceu, massacrando os distritos e como punição anual, os jogos vorazes foram criados para demonstrar o poder exemplar de seu comandante. Cada distrito tem uma função em termos de recursos já que a capital é a grande receptora de todos os bens de seus subordinados terrenos demarcados. Para quem não leu o livro, o filme é uma ótima recomendação de sucesso merecido e as terríveis comparações com crepúsculo são desnecessárias, não porque considero Twilight de qualidade duvidosa, mas, principalmente, porque creio que o público está disposto a aproveitar de tudo um pouco. Deixando de lado essa discussão besta que o mercado encontra para vender “novos produtos”, talvez, o maior mérito em Jogos Vorazes e na trilogia que compõe o forte argumento da autora Suzanne Collins, seja a sua temática social, ambiental e distópica na perspectiva de uma jovem moça, Katniss.

A estrutura de um estado ditatorial: Os distritos e seus tributos!

Como apresentado no trailer da adaptação e principalmente, pelas sinopses já divulgadas, Katniss e Peeta são selecionados como Tributos, ou seja, Crianças e jovens entre 12 e 18 anos que são parte determinante para função dos  Jogos Vorazes, na melhor semelhança com os gladiadores e suas arenas, neste caso, um ambiente extremamente desenvolvido e seus futuros perdedores. Entretanto, em ato de defesa à sua irmã Prim, Katniss vai como voluntária e junto ao Peeta formam a dupla que representa o seu distrito, número 12. Tal qual este território bastante pobre e focado na produção de minério (cada distrito tem uma função econômica), os outros 11 distritos, não mais 12 pois no filme não há menção do falido décimo terceiro distrito que foi derrotado pela capital, elegem suas crianças, podendo apenas restar um que ganhará ração e benefícios a sua “comunidade”. Existe muita semelhança com o livro 1984 nesta distinta obra infanto-juvenil e o já intenso contexto é uma impressionante sugestão de mudança de panorama, ressaltando que os jovens ainda assim, podem mudar uma sociedade e principalmente, abandonar a internet majoritariamente, dando lugar a uma leitura prazerosa e sem exageros, instrutiva. Se em Harry Potter, temos diversas percepções imaginativas exploradas, Suzanne Collins nos presenteia com um “sobrinho” recém nascido da distopia 1984 do George Orwell, que para quem não sabe é o mesmo autor de A Revolução dos Bichos, clássico livro sobre a metáfora socio-econômica não só Britânica, mas de uma forma geral, universal, que utiliza a imagem do porco como explorador capaz de se adaptar as condições mais adversas, tudo para ser visto como humano. Pink Floyd consagrou essa imagem em seu álbum “Animals”, onde é possível ver um pequeno porquinho sobrevoando uma fábrica.

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Um dos pontos mais interessantes em jogos vorazes é a importância social dos estilistas e principalmente, a contraposição de estrutura enquanto “cidade” e estado da capital: se a maior parte dos distritos não são urbanizados ou de alguma maneira sofrem com a escassez de recursos, a capital apresenta uma das melhores arquiteturas e principalmente, funcionamento enquanto ambiente para construção da vida. Clima agradável, sem poluição, grande quantidade de água potável e uma vislumbrante paisagem repleta de árvores e outros recursos altamente pensados para o proveito que a consciência ambiental pode gerar. É bem interessante esse uso de “metáfora” para o mal enquanto sábio administrador  e principalmente, enquanto inovador modelo de sociedade. Katniss e Peeta são direcionados a um tutor que lhes explica absolutamente tudo sobre os jogos, apesar da inicial resistência, que vencera uma das competições. Nas mãos do estilista Ciina, ganham vestimentas impecáveis a prova de fogo, pois cada tributo é usado em um desfile de apresentação já na capital. O símbolo da resistência de Katniss é o pássaro que está estampado na capa dos livros e que foi dado a Katniss de presente por uma humilde senhora no mercado de troca e venda da região de Saem.

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Remetendo outra vez ao Império Romano, a espetacular tomada da “carnavalização” e do espetáculo que os mais atentos podem notar como clara alusão aos conceitos de Maquiavel e de Guy Debord, deixam claros o poder da série Jogos Vorazes e por esta razão, a qualidade e principalmente a quantidade de argumentos com os quais tem sido bem defendida.  Outro ponto que merece destaque: o colorido dos figurinos, o visual clínico e até em certo ponto retrô de alguns personagens, seus cílios sobressaltados saindo das faces e a higiene digna de Admirável Mundo Novo com a qual aquele modelo de sociedade é administrado. O único ponto que considero falho na adaptação, é a falta de uma explicação mais consistente sobre aquele modelo de sociedade e principalmente, como a Capital começou a sua estruturação/execução de governo, se existem escolas para jovens (Pergunta claramente e brevemente respondida nos livros) e como alguém pode ser considerado desertor do regime.

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Curiosidade em The Hunger Games (Jogos Vorazes): Este livro e principalmente o filme já são de longe uma das melhores surpresas “comerciais” nos últimos 10 anos, ainda que sua construção não seja nem de perto neutra se pensarmos nos já citados Orwell, no Zamiatin autor e pai do conceito “Distopia” através do livro “Nós” que serviu de base para Brave New World e 1984, além de Ray Bradbury, autor de Fahrenheit 451 e Anthony Burguess de Laranja Mecânica, já que o estado ou A Capital exercem um poder de vigilância constante, usando artifícios geneticamente modificados e modificáveis para manter o controle e a unidade tão desejados, além da mídia ser um instrumento fundamental para que essa sociedade continue “apática” e empobrecida culturalmente. Curiosamente, no filme, e acredito que seja informação do segundo livro da série que se chama “Em Chamas”, o distrito 11 do qual Rue fazia parte, é integrado por uma grande quantidade de pessoas negras e é neste distrito que as rebeliões começam! Até neste ponto, as metáforas que a autora encontrou se tornam cada vez mais ricas e incríveis!

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Quando outro raio se torna fenômeno!

Percy Jackson do autor (e durante 15 anos professor de história e inglês) Rick Riordan é um recente fenômeno de vendas e em certa parte de boas críticas, nascido também nos Estados Unidos. Pode ser considerado produto pós Harry Potter pelas semelhantes abordagens elaboradas através da mitologia como algo paralelo a realidade humana, já que os deuses gregos convivem com os humanos e as crianças desse cenário, a partir dos 12 anos, são colocadas diante de sua verdadeira origem. Na trama, Percy é um garoto que sofre com o déficit de atenção e com a dislexia, o que o impede de escrever adequadamente. Com terrível histórico na escola, mal entende qual a razão para conseguir encrencas até quando não quer, eis que lhe é revelado o motivo pelo qual tanto problema o cerca:  É filho de um dos grandes deuses da Grécia antiga.  Talvez, no meio de tantas histórias semelhantes, meu entusiasmo seja demasiado e por isso acabo perseguindo tanto livros com essas temáticas.

Considero, entretanto, muito interessante o movimento tomado cidadãos norte-americanos ainda que de modo superficial, à cultura – pela leitura – que é incentivada, mesmo que isso seja muito genérico se pensarmos que lá o dinheiro é uma língua em constante ascensão. Panoramas a parte é bem certo que esse contexto torna muito mais acessível a compra, venda e a produção de novos fenômenos, alguns inclusive, mais autênticos justamente pela estrutura e seriedade que envolvem seus valores e o conceito “cosmopolita” envolve logo de cara, a infância e uma explicação cultural da mitologia grega aprovada por professores e por especialistas em pedagogia. No Brasil não existem muitos exemplos em larga proporção que são incentivados de tal maneira, já que para uma população que se diz “afastada” ou sem tempo para ler, torna-se complicado produzir autores e autoras que fujam dos meios tradicionais de mídia e até mesmo de publicação. Até o conceito de “nicho” nos Estados Unidos é mais desenvolvido: enquanto aqui há uma necessidade de empurrar tudo como um fenômeno baseado em outros “produtos” imediatistas, no país ao norte é possível construir diversos exemplos de sucesso e todos podem se tornar fenômenos, incentivando a produção de outras e novas estórias, autores e produtos derivados de ótica “capitalizadora” que tantos produtores buscam na hora de concluir adaptações. Não é por falta de preparo que nós Brasileiros não presenciamos tal realidade: é a falta de vontade e principalmente, empenho dos meios estabelecidos para mudar tal panorama, pois, além de gerar lucro, a educação sem ser didática tem poder suficiente para transformar a infância de jovens, crianças e de adultos que nunca deixarão a criança dentro de si morrer. Por esta razão o destaque a tais obras.

Curiosidade em Percy Jackson: Ainda que sem muito sucesso de crítica ou público, a adaptação ao cinema da série foi também dirigida pelo famoso Chris Columbus, o mesmo diretor de Harry Potter e a Pedra Filosofal e Harry Potter e a Câmara Secreta. Entretanto, foi muito mais um descuido da FOX (produtora do filme) do que do diretor escolhido que já está familiarizado com esse tipo de cenário jovem, com o tom que a adaptação receberia. A abordagem dada ao filme não é fiel ao livro tampouco fez o público estar cativado pelo crescimento dos atores como ocorreu na série Potter: em Percy Jackson era necessário atores muito mais jovens o que não ocorreu no filme, sendo os atores já adolescentes prestes a completarem 17, 18 anos. É a velha ambição de repetir o sucesso sem respeitar que são obras distintas (Harry e Percy) e que muito mais válido e honesto é o sucesso de Harry Potter no cinema, pois tudo foi resolvido e desenvolvido com cuidado, criatividade e as vezes, com certos pontos inovadores, além de atrair para o início dessa já célebre referência do cenário/cultura pop, nomes consagrados da música (John Williams e Alexandre Desplat), atores de altíssimo nível e qualidade emotiva (Alan Rickman, Gary Oldman, Maggie Smith, Richard Harris, Sir Michael Gambon, David Theliws – só para citar alguns) e principalmente, visando uma execução primorosa, não apenas focada no lucro, já que os ganhos oriundos da qualidade, deixam marcas intensas naqueles que se tonam fãs e admiradores dessas franquias. Talvez esse tenha sido o erro da Franquia Percy Jackson no cinema, entretanto, enquanto literatura (originária), o autor está muito bem e já cuida de outras séries – Pirâmide Vermelha – focada no egito antigo e que também tem atraído diversos leitores.

Desventuras Prazerosas: A Grande Série de Lemony Snicket!

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 Se existe alguma série de livros que mereceu tirar do posto a franquia Harry Potter da lista de mais vendidos do New York Times – se não estou enganado – em 2004, ela responde pelo nome de Desventuras em Série,ao todo com 13 livros. A saga dos órfãos Baudelaire não só é fantástica, cheia de referências ao Allan Poe, ao próprio poeta das flores do mal e outras alusões românticas da literatura, como impressiona pela riqueza textual, pela fina ironia aplicada as situações pelas quais esses três lindos irmãos passam e principalmente, pelo primoroso convite a leitura. Enquanto estavam na praia do sal, cenário inicial do primeiro livro (Mau Começo), são avisados por um provisório tutor chamado Poe que perderam seus pais em um terrível incêndio. Não bastasse a tristeza pelo falecimento dos pais, os Órfãos Baudelaire encontram-se desde então em uma terrível situação que envolve o vilão de toda estória: Conde Olaf.

Sob a tutela deste terrível e caricato personagem,  trabalham em equipe para escapar de suas trapaças e armadilhas, sabidamente entretanto, os jovens órfãos destacam-se pela inteligente maneira com a qual a sua união é literalmente forte, utilizam cordas penduras em altas torres para discretamente atingir a luminária em formato de olho – interessante passagem muito bem adaptada para o cinema – e pelas mordidas intensas da irmã mais jovem, Sunny. Violet é uma exímia criadora, inventora, leitora e pesquisadora, sempre amarrando sua fita em um laço, destacando seu pescoço belo, chamando atenção do Olaf em outros sentidos, não apenas enquanto “interessado” na fortuna dos jovens, já que Violet é a mais velha dos três e um casamento forçado à espreita pode dar ao Conde o direito sobre a herança do jovem trio.

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Ao prender seu cabelo, Violet deixa um sinal de que as ideias estão fervilhando, portanto, eles poderão escapar com segurança. Klaus entretanto, é um excelente leitor, sabe quando e porque deve articular suas palavras e de maneira impressionante, sabe como desvendar enigmas, tais como os que tia Josephine deixara antes de ser levada até  o lago das sanguessugas pelo temível Olaf. Sunny em pertinentes mordidas naturais da idade, sempre ajuda de maneira violenta, mostrando que força e inocência podem caminhar juntas. Essas são caraterísticas muito pequenas dessa rica série cheia de mistérios que remetem aos clássicos O Médico e o Monstro e Frankenstein.

Curiosidade em Desventuras em Série: Cenários Atemporais ou Steampunk.

Um detalhe muito bacana da série desventuras é a década na qual se passa.  As construções e casas se assemelham a arquitetura gótica herdada dos século 12 e 13, ao mesmo tempo que os recursos tecnológicos em alguns ambientes ou diners (pubs e restaurantes) são utilizados (caixas registradoras, rádios comunicadores, geladeiras, letreiros em Neon) e fazem uma contrapartida ao visual histórico que se assemelha ao século XIX. O conceito Steampuk é parte da literatura fantástica que reconta a história da humanidade com alguns avanços antecipados, sendo parte integrada da ficção científica, popularmente difundida desde 1950. Sua notoriedade e “autoridade” enquanto gênero sério veio através de prêmios como Hugo Award, pelo reconhecimento da revista Time aos livros Laranja Mecânica e Neuromancer e principalmente, por William Gibson e Bruce Sterling serem os principais difusores desse gênero desde H.G.Wells de The War of the Worlds.

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Dentro da ficção científica, o Steampunk é a versão “emoldurada” e com cheiro de vapor – em breve e superficial resumo –  oriundo do cyberpunk – focado na ciência nanotecnológica e principalmente, nos avanços oriundos das cadeias e redes virtuais surgidas depois da internet, além da incorporação dos homens as máquinas, ou basicamente, a quebra dos estados naturais de vida e morte, possibilitando com esses recursos transformar os seres humanos em indivíduos com maior tempo de vida. A partir dessas características, o Steampunk se destaca também por ter sido (diversas e incontestáveis provas disso são muito fáceis de encontrar pela rede) num universo de ficção cientifica criado por autores consagrados como Júlio Verne, passados no século XIX. Nesta perspectiva, robôs, aviões e outros meios de locomoção baseados no vapor industrial, causando níveis de poluição terríveis e em parte, são uma etapa do que é presente na vida dos personagens abordados e isso também é destacado por desventuras em série, justamente pela paisagem cinzenta e com tons pasteis empobrecidos em seus cenários. Hugo Cabret, recente adaptação cinematográfica de Scorsese, também apresenta esse modelo de sociedade e de “aperfeiçoamento” tecno-científico, destacando o que talvez possa ser, uma forma de reavaliar as nossas ambições tecnológicas e a preocupação com a natureza e os recursos disponíveis para os “famigerados” avanços sociais. Todas essas obras, ainda que  voltadas para crianças, mostram o desafio que a própria humanidade cria ao não desenvolver uma consciência que prepara também suas crianças e jovens enquanto futuro e principalmente, quando prepara, elabora tão “educação” de maneira desonesta e bastante cruel, como pode ser visto através do Conde Olaf, metáfora da ambição desenfreada e do desapego ao amor e a fraternidade.

 Os Campeões!

Dispensam apresentações os fenômenos literários Harry Potter e as Crônicas de Nárnia. Não dispenso entretanto argumentos para destacar a qualidade imaginativa, a riqueza de detalhes dos universos apresentados e principalmente, o prazer que cada leitor deve sentir ao visitar esses sonhos em forma de livros. J.k.Rowling tem um estilo narrativo muito semelhante ao de C.S.Lewis, autor de Nárnia, cujo ano de lançamento (o que muitas pessoas ainda não sabem) ocorreu entre 1950 e 1956 tendo sido escrito e planejado em 1949 até 1954. Serviram como alternativa aos conflitos da segunda guerra mundial, tanto suas ideias, como as de Tolkien autor de O Senhor dos Anéis, aonde discutiam em seu grupo literário Inklings juntamente a diversos autores, estórias e contos de fantasia e ficção científica para crianças. As que tiveram oportunidade de receber contato com tais obras, puderam “escapar dos horrores que os adultos parecem sempre ocasionar” – palavras de Lúcia, destacando parte da ideia geral na qual Nárnia vive: um mundo de paz, comandado pelo Leão Aslan e lá, fugidos dos horrores desta mesma guerra, passaram a viver um tempo em segurança, até descobrirem os terríveis poderes da Rainha ou Feiticeira Branca, que pode ser entendida como o “pecado de eva”, ao comer da maçã proibida ao mesmo tempo que pode ser “a grande guerra”, travestida de vislumbre e de poder. Este grupo recentemente foi abordado em um livro escrito pelos pesquisadores Harry Lee “Hal” Poe e Jim Veneman, que durante alguns anos, colheram informações e finalmente, através de seu projeto, lançaram uma série de informações e biografias dos  célebres participantes. É possível conferir mais informações sobre o livro “The Inklings of Oxford” neste link do site Valinor.

Fruto da antiga geração de autores: A dama de ferro J.k.Rowling. 

Joanne Kathleen Rowling, nascida em 1965 é autora da série Harry Potter, que já foi abordada num longo especial sobre o filme Prisioneiro de Azkaban. Ganhou o título da Ordem do Império Britânico por sua contribuição a literatura (em seu país) e diversas nomeações, indicações, tantos outros prêmios que caberiam em muitos textos para mostrar a relevância de sua obra. O famoso mago de 11 anos que vivia sob o armário da escada, rendeu a Warner Brothers Corp. a maior franquia que o cinema já teve notícia, em bilheteria, venda de produtos derivados e em home video. Os números atualizados passam dos 7 Bilhões em arrecadação e a série de livros já ultrapassou a marca dos 420 milhões de exemplares vendidos ao redor do mundo, traduzidos inclusive para 74 idiomas. O universo criado por J.K.Rowling é livremente inspirado em Tolkien e C.S.Lewis e isso nunca foi negado pela autora, além das acusações de que teria copiado o que Neil Gaiman produziu com seu famoso bruxo, Tim Hunter, destoando claramente em contexto e em diversas entrevistas, o próprio Gaiman disse ser fã da obra da autora.  Essa série permanece em primeiro lugar nesta lista, por uma razão entre várias que são curiosas, mas segue o destaque. O mercado de livros digitais foi impulsionado em 1997 com a versão de Harry Potter e a Pedra Filosofal começando a figurar entre os mais vendidos na até então “modesta”, mas não pequena, Amazon. Desde então a relação entre editoras, mercado, publicações e principalmente, consumo de livros, voltou a tona radicalmente graças ao fenômeno Harry Potter.

Muitos não se lembram, entretanto, não ficou declarado que houve uma recessão “no mercado editorial” na década de 1990, mas o até então “inédito” investimento numa obra desconhecida parecia ser um tiro no escuro, para surpresa de todos, a mágica lucrativa ocorreu desde o lançamento de Câmera Secreta, exigindo que o mercado editorial pensasse não apenas em lançar seus livros, como também, criar uma espécie de folclore ao redor dos seus lançamentos. Há muito tempo não se via filas e mais filas de jovens em frente a livrarias, algo raro em tempos de informação e de games cada vez mais sofisticados pela tecnologia 3D. J.K.Rowling foi capaz de fragilizar lançamentos no cinema, aquecer a economia, gerar empregos e proporcionar que crianças ficassem mais tempo em casa do que o que era costume. Graças a esse “poder”, a procura por livros semelhantes ou sucessores, ou o resgate de clássicos sendo adaptados ao cinema, como foi o caso de Nárnia, sugeriram uma retomada da fantasia que inclusive, coroou The Lord of The Rings com 11 Oscar em seu último episódio (Retorno do Rei), quebrando uma tradição conservadora contra animações, filmes infanto-juvenis e com a ficção científica/fantasia que ainda existe dentro da Academia.

Pottermore e o Mercado Digital

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 Se em 1997 suas conferências eram vistas por 30 pessoas entusiasmadas pela novidade mas que não conheciam o poder que essa autora iria exercer nos 10 anos posteriores, hoje o panorama é muito diferente e tem o peso do literal  castelo de Hogwarts construído em Orlando, no Universal Park and Resort. Como parte de um mega empreendimento que a Warner Brothers desenvolveu com a autora, ninguém deve imaginar o quanto essa atração (agora turística) lucra e se tornou desde então ponto obrigatório de visitação, atraindo curiosos, fãs e muitos entusiastas da sétima arte ou por pura diversão. Por outro lado, sempre alertando que caneta e papel são suas prioridades, J.K.Rowling retornou a pouco mais de duas semanas aos holofotes de todos os jornais com o anúncio da sua própria loja virtual, sem o apoio de terceiros como intermediários e tendo autonomia completa para administrar ganhos, prazos e vendas dos 7 livros da série. Outro ponto importantíssimo dessa iniciativa é a marca Pottermore, lançada em 2011 e que promete ser uma experiência estendida para usuários mais entusiasmados com o universo da série, através de uma “rede social” de fãs que poderão re-escrever etapas importantes dos livros, trocar ideias, conversar com a autora e obviamente, garantir as novas versões publicadas dos livros (digitalmente ou não apenas). A partir de agora, Harry Potter ganha um novo fôlego não apenas enquanto série cinematográfica ou literatura, mas como uma marca de peso que ainda irá  nos surpreender por muito tempo, já que a autora anunciou seu novo livro, que mesmo sem ter relação com a série, aumenta a minha ansiedade e a de outros fãs que esperam retomar – ainda que longe de Hogwarts – o interesse pelo humor e pela ironia típicas de J.K.Rowling.

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Fruto de muita ambição e força de vontade, ela se tornou uma incrível empreendedora e acima de qualquer suspeita, uma referência obrigatória quando o assunto é literatura infanto-juvenil e mais do que isso, é parte também essencial desse fenômeno e de boa parte do que foi citado, enaltecer o valor que seus leitores possuem, desde que começaram a procura por outros livros e histórias tão divertidas quanto Harry Potter. Personagens literários podem não existir no nosso dia-dia, mas a inspiração que eles exercem em nossas vidas, tornam os desafios futuros mais simples, com lições entusiasmadas possibilitando vislumbrar outras perspectivas surgindo a cada nova palavra que é escrita, descrita e lida!

Aproveito para encerrar este texto com um enorme agradecimento a quem prestou o trabalho de esperar a parte final desse especial e é com muita satisfação e prazer que encerro esta etapa!

Espero que tenham gostado e aguardem a crítica dos Álbuns da cantora Madonna e Grimmes, em breve!!


Você pode conferir as duas primeiras etapas nos links abaixo:

                                         Parte I  de 2010 &  Parte II de 2012

“Maiores” Obras/Séries Infanto – Juvenis dos Anos 2000 – Parte II

Hugo cabret

Feliz 2012!

Dando Continuidade a essa Lista complicada de adotar iniciada em 2011, finalmente irei Concluir a Segunda Parte desse Especial Sobre Literatura Infanto-Juvenil e os livros que mais se destacaram no mercado editorial, pelo público, pela quantidade de livros vendidos e principalmente pela qualidade, ainda que essa relação não esteja diretamente ligada, ou que de fato, cada um dos livros citados faça parte desse “top 10” oficialmente.

Sexto: Onde Vivem Os Monstros

Onde Vivem Os Monstros

“Na história escrita em 1963, o garoto Max, vestido com sua fantasia de lobo, faz tamanha malcriação que é mandado para o quarto sem jantar. Lá, ele se transporta para uma floresta, embarca em um miniveleiro, navega pelo oceano, até chegar numa ilha, onde vivem os monstros. Com o seu olhar firme, consegue dominá-los e é coroado rei. Max, então, fica livre para mandar e desmandar, longe de regras ou restrições. Mas, quando a saudade de casa e daqueles que realmente o amam começa a apertar o peito, Max fica em dúvida sobre suas escolhas”.

Curiosidade: Com esse tocante enredo já vendeu 18 milhões de exemplares, sob cálculos recentes, apenas nos Estados Unidos, e ganhou uma recente adaptação ao cinema, com trilha sonora composta por Karen O. do Yeah Yeah Yeahs. Está listado principalmente pelo enorme tempo e durabilidade de sua relevância no mercado editorial e pela eficiente narrativa, que ainda em pequenos detalhes, aborda bem o imaginário de um pequeno garotinho, tendo que lidar com sérias questões como autoridade, obediência, estudo, amizade  e sobre o amor fraternal.

Quinto:  O Pequeno Príncipe e o Amor do Pequeno Príncipe. 

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O Pequeno Príncipe costuma dispensar apresentações nas mais diversas listas de leitores, autores e Miss Beleza que por aí existem. Algumas pessoas costumam apontar esse livro como “o melhor exemplo de enigma do envelhecimento” pois costuma-se ter uma visão muito diferente do que você já teve ao ler aos 15 e 10 anos depois. Obviamente que esse contexto vale para quase tudo na vida de uma pessoa que costuma fazer balanços em sua existência. Também é alvo de diversas polêmicas sendo considerado literatura água com açúcar e filosofia barata: nesse ponto, devo questionar que o fato de ser visto dessa forma (ao trazer reflexões inocentes, porém, carregadas de mensagens subjetivas – algo que boa parte dos acadêmicos de filosofia com o qual tive contato odeiam), desconforta quem faz parte das linhas mais radicais do pensamento dito “transcendental” filosófico, mas não deixa de ser válido a quem não teve acesso aos meios mais específicos da área, sendo então (ou podendo)   ser considerado extremamente filosófico, já que a realidade é vista por um pequeno menino que viaja pelo universo e justamente com esse clara alusão ao medo de envelhecer, a ótica da criança deve ser suave e não menos necessária.

Curiosidade: Já em “O amor do pequeno…”, é bem clara a amargura de Exupéry por alguém que já amou muito e o livro, apesar da simplicidade, é bastante comovente.

Quarto: A Invenção de Hugo Cabret

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Nas mãos de Brian Selznick, essa obra  gigantesca é uma excelente e belíssima homenagem a história do cinema mundial, passada na ótica de uma criança (Hugo), que precisa descobrir a misteriosa mensagem transmitida por um autômato. Brian, que é design de formação acadêmica, começou a se dedicar aos livros muito mais por curiosidade do que tendo certeza que iria ser um fabuloso sucesso. Recentemente, o enredo passado na Paris de 1930, foi adaptado ao cinema por Martin Scorsese, excelente mestre do cinema autor de obras como Táxi Driver e Touro Indomável. Agora com as facilidades do “3D”, Scorsese exprime em seu filme, além da fidelidade, uma rica e soberba homenagem aos filmes mais expressivos do Georges Méliès tanto quanto aos irmãos Auguste e Louis Lumière

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Brian Selznick: De simples Designer a autor consagrado de livros infanto-juvenis. Merecidamente. 

Curiosidade: Na adaptação ao cinema, poucos frames dos filmes mudos foram convertidos ao 3D, causando uma sensação de profundidade ao espectador. No site oficial do autor é possível conhecer seus outros trabalhos que também são muito ricos em imaginação! 

Na parte final do texto, vocês poderão encontrar maiores informações sobre as obras citadas, fazendo um forte levantamento sobre as novidades que estão surgindo no mercado editorial e sobre os livros que na minha consideração, estão nessa lista, ainda que seja injusta e bastante “ineficiente” pois jamais devemos medir a qualidade das obras decidindo em quais lugares elas estão. São sempre válidas, levando em conta a faixa de idade que será atingida (no caso, o público infanto-juvenil), além da complexidade da formação de cada um nesse período: portanto, nada melhor que um bom livro para formar um novo leitor ou leitora, seja qual for seu título, desde que esteja repleto de imaginação e cultura.  A lista será encerrada com Percy Jackson, A Saga Crepúsculo, Desventuras em Série, Harry Potter, Nárnia e Jogos Vorazes! Aguardem!

Até Breve!!