Impressões – Grimes

Olá leitores e leitoras, tudo bem? Na coluna impressões, vocês poderão conhecer um pouco da cantora Grimes, que é sem dúvida a moça na foto acima (rs). Grimes está no patamar das cantoras que perpetua uma atraente estranheza vocal (como Kate Bush começou nos anos 80), além e pelos imensos ecos atmosféricos de suas trilhas e principalmente, pela capacidade de ter se tornado uma figura conhecida. Experimentalismo e criatividade são duas chaves presentes em suas canções.

Mercadologicamente ela é um desafio pois sua proposta é basicamente uma versão da “Björk” mais juvenil. Entretanto, ao contrário da veterana, com seu mais recente álbum, aproximou-se do público de maneira incisiva com seu já considerado hit “Oblivion”.  Se em “Vanessa” sua aparência remetia aos filmes do Tim Burton, com o contrato recém assinado sofreu modificações visíveis, mas jamais sem abandonar seu estilo soturno e porque não dizer misterioso. Se Björk no início dos anos 90 causou um estrondoso barulho pela maneira impressionante com a qual misturava ritmos diversos e que muitos julgavam “improvável” em termos de combinação, Grimes pode ser fruto dessa ousadia aparecendo no cenário POP atual como uma espécie de “Coringa”: não é o que se chama por aí de “Diva POP”, mas também não deixa de ser uma atraente recém formada celebridade.

Ao lado de iamamiwhoami (famosa por suas músicas sem “títulos” comuns e videos “surrealistas”) Claire Boucher – seu nome oficial – calibra a música pop com sonoridades que fogem da mesmice bate estaca que pode assombrar os ouvidos mais sensíveis. Nascida no Canadá, abriu a turnê 2011 da cantora Lykke Li em várias e bem sucedidas apresentações que a projetaram internacionalmente. Divulga seu mais recente Álbum “Visions” que pode ser definido (assim como seu título) como metafísico e bastante agradável.  A doçura e em certa medida infantil voz da cantora é o grande trufo de sua perspectiva artística, ao mesmo tempo que parece uma provocação: de maneira generalista, efeitos vocais são usados exaustivamente na música pop tornando praticamente impossível saber quem está cantado, no caso de Grimes, é possível entender a expressão de uma ideia bastante criativa a partir de seus sons e camadas melódicas.

Definir com argumentos muito diretos não faz jus ou tampouco respeita o trabalho que essa jovem e multi-instrumentista de 23 anos tem executado. Seu álbum está entre um dos melhores desse semestre apesar da já citada estranheza – o que é bom. A sensação de escapismo (mas jamais vulgar) também pode ser uma das razões pela procura e pelo interesse que seus fãs já entenderam como estilo da cantora. Levando em consideração a repetição de provocações desmedidas no cenário musical – de cantoras – Grimes está acima de qualquer discussão que a coloque no meio das já tradicionais “princesinhas” POP que surgiram na tentativa de superar o legado (imbatível) que Madonna ainda sustenta. Se boa parte das cantoras tentam parecer como a veterana do POP, em alguma bizarra comparação, Grimes é tal qual o Ray of Light: sereno, elegante e artisticamente compromissada com o que diz.

Coluna – Impressões – 8,5

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