Impressões – MDNA!

A Rainha do Pop voltou! Não, não está de volta, nem vou começar o texto dessa forma porque é a coisa mais previsível que a maior parte dos sites nacionais e internacionais, blogs e outros meios de discutir um tema (neste caso o novo disco da Madonna), costumam fazer. Além de tudo, Madonna nunca esteve ausente da grande mídia, seja promovendo sua marca Material Girl em 2011 ou seu filme também no mesmo ano, “W.E.”.

MDNA é o décimo segundo álbum de Madonna que começou sua carreira na década de 80. Se até 2006 ela não estava bem com o conceito “Material Girl” (título da sua famosa música), principalmente pelo clima blasé e não menos poderoso da fase Confessions, agora ela parece abraçar cada etapa que a consagrou com o seu disco mais fragmentado, porém, de momentos extremamente positivos, em boa forma e com leves repetições já vistas em sua carreira. Não seria nada estranho perceber que Madonna correu grandes riscos no álbum, começando por “Girl Gone Wild”, faixa que abre o disco com uma introdução que remete ao Álbum Like a Prayer na canção “Act of Contrition”, entretanto, como apontam as opiniões mais “fanáticas”, esta canção é prato cheio para rádios que tocam hits mais recentes de cantoras que não irão durar trinta anos, como a rainha do POP desafia qualquer um a fazer. Na segunda faixa, temos o grande ponto do álbum em termos de provocação e de intensidade: “Gang Bang”. Co-produção de William Orbit (de Ray of Light – Álbum, 1998), Madonna soa assassina e muito mais profunda se comparada aos sintetizadores simplórios de “GGW”, além de ter convidado para direção do video deste single, na conferência do Álbum promovida através de um canal no youtube e também via Facebook, o ótimo diretor de cinema, Quentin Tarantino. O grande risco da primeira canção, portanto, é justamente transformá-la em uma garota: mas o terreno planejado por ela é sério e a própria tem permissão para fazer isso – além de todo problema envolvendo o site pornográfico Girls Gone Wild que criticou a cantora por ter utilizado essa expressão quando batizou a canção.

Diferente de diversos grupos como Spice Girls ou Backstreet Boys, ou de cantoras como Lady Gaga, que sumiu dos holofotes pós explosão do seu Disco Fame Monster, Madonna continua reciclando sua carreira e seu foco de atuação e lançamento. Se em Born This Way, Gaga prometera lançar o álbum da década (caindo em contradição levando em conta a pressão feita sob o mesmo discurso que destruiu Christina Aguilera e Britney Spears – de que seria necessário “Uma nova Madonna”), mas com videos mal conduzidos, brigas com a gravadora e um ego que parece ter ficado maior que o nariz da cantora, perdeu o foco que a levou a tal grande e merecida fama, explorada em seu primeiro disco – suas interessantes reciclagens e até futurísticas ideias, deram lugar a uma discursiva garota – que mesmo vendendo muito – soa hoje pretensiosa tornando-se vítima do que ganhou, tendo agora que se focar apenas na turnê, além de amargar a vitória da Cantora Adele (uma ressaca pós Amy Winehouse), que abriga um potencial vocal incrível e digno de ter levado todos os prêmios Grammy deste ano.

Com uma excelente apresentação no Superbowl (onde Lançou oficialmente o divertido single Give me All your Luvin’ – com participações de M.I.A. – também em B’day Song e Nick Minaj novamente em I dont Give A – lembrando bastante os elementos que Michael Jackson usou em seu álbum Bad, com forte influência do rock e r&b, muito bem executadas pelo produtor Martin Solveig) Madonna deu o troco que todos esperavam: a maior audiência de um intervalo na história do evento norte-americano, além de computar números maiores que as próprias partidas em toda temporada, contrariando a opinião daqueles que dizem que o espírito da cantora envelheceu  em relação ao boom frenético pós Gaga. É importante ressaltar que são poucos que conseguem chegar aos 53 anos com tamanha relevância, sendo mais enfático, na música POP, não existe ninguém tão vivo e tão ousado como essa cantora, sendo um caso raro de mão de ferro no que diz respeito a sua carreira. Já faz algum tempo que Number one deixou de ser seu propósito essencial, entretanto, ao contrário de alcançar o topo das paradas com apenas uma canção, na pré-venda da Itunes ela atingiu o primeiro lugar em cerca de 50 países, o que é impressionante levando em conta seu último álbum, o regular Hard Candy de 2008 e principalmente, a divulgação produzida apenas na internet e em poucos canais de tv: com entrevistas modestas e sem chamar tanta atenção para si, Madonna mostra que nem tudo requer escândalo ou verborragia e principalmente, a escolha acertada do Superbowl provou que pouco é o suficiente quando se tem um bom álbum em mãos e a já tradicional visão estratégica da Rainha do POP.

Polêmicas do novo álbum: Sexo, violência,  drogas , relacionamentos falidos e nudez!

“Girl Gone Wild” pode não ser a melhor música do disco, tampouco a melhor abertura, mas abre MDNA com bastante energia e não deixa ninguém paralisado quando o assunto é dançar sem preocupações ou com descrições mais profundas. Com participação – no videoclipe – do grupo ucraniano de dança e com alguns singles,  Kazaky,  que utiliza a androginia e um visual preto e branco bastante peculiar: os movimentos não remetem aos passos humanos, numa espécie de mistura de músculos alienígenas e jogos de luzes que podem carregar simbologias eróticas e novamente, Madonna utiliza o que a consagrou: a iconografia própria dos anos 90, com muito couro, nudez, alusões religiosas e mensagens que questionam a moral cristã.

Outro ponto bastante controverso do video, é a cena de masturbação de um dos modelos e a nudez envolvendo este mesmo indivíduo, o que foi suficiente para que o youtube solicitasse a mudança da versão do video no canal Vevo e da própria cantora. O Dj Deadmau5, mais conhecido como “o cara com capacete do Mickey dark”, criticou a postura da cantora num evento ocorrido recentemente no qual ela fez um trocadilho utilizando o termo “MDMA” que é uma outra nomenclatura para designar a droga do amor, o ecstasy. Na música I’m ADDICTED, também uma das melhores do disco MDNA, é possível sentir o escapismo que a cantora emprega e que se relaciona a sensação descrita pelos usuários desta droga: definitivamente, utilizando uma gíria para o título do disco, Madonna sintoniza-se outra vez com as pistas de dança (remetendo inclusive o sentimento da excepcional Get Together do Álbum Confessions on a Dancefloor, 2005) – pela pressa que o nome é dito – e principalmente com o universo virtual, já que o título remete a uma hashtag prestes a ser utilizada. Outro ponto excelente do novo álbum é a arte de capa assinada pela dupla famosa Mert & Marcus, conhecidos por campanhas publicitárias e voltadas ao mercado da moda e pela terceira vez em um disco (Confessions, Hard Candy), do Diretor Criativo, Giovanni Bianco, que aplicou essa camada “canelada” que se assemelha ao clássico estilo de janela de cozinha (rs).

Impressões Finais. 

MDNA é conceitualmente e em termos de produção um banho no último disco que contratualmente Madonna produziu na Warner: Hard Candy. Se ouvirmos com calma, “seu novo DNA” como a própria definiu em recente entrevista, soa uma extensão do Álbum Confessions (principalmente), Music, American Life e do próprio Ray of Light, com o qual ganhou vários prêmios.  Entretanto, seu recente disco, emprega um clima muito mais soturno e urbano, enquanto o Confessions (produzido pelo excelente Stuart Price) era bastante elegante na sonoridade e vanguardista em suas ideias e na conjunção “non-stop”, mesmo soando bastante “Street“, é um dos grandes momentos da carreira da Madonna, enquanto MDNA é um bom recomeço, fragmentando faixa a faixa a ideia de que ela estava usando o melhor de si. Hard Candy não pode ser completamente desmerecido se conhecermos seu contexto e levando em conta seus ótimos momentos – “Beat Goes On”, “Give It 2 Me”, “Candy Shop”, “Milles Away”, “4 Minutes”, “Heartbeat” e “She’s Not Me” – que parece uma prévia de “Some Girls”: o álbum seria uma metáfora feminista, teria o nome original de “Black Madonna” utilizando simbologias  resultantes do imaginário feminino,  como é possível notar na faixa “Animal”, hoje considerada Bside, sendo infelizmente um grande desperdício em termos de qualidade e estando acima de faixas como “Incredible” que se estende de forma repetitiva assim como “Spanish Lesson” soa bastante preguiçosa e com uma ideia bastante oportunista focada obviamente na passagem da cantora pela América do Sul. Como a crítica é baseada em seu mais recente álbum, julgo necessária essa comparação, pois, MDNA é muito superior na sonoridade, nas experimentações de Love Spent com um banjo arrojado no melhor estilo melody de Stevie B dos anos 80 e esta mesma canção soa como uma segunda, assim que a descrição do “amor” na letra, vai se tornando frágil e bastante obscura: méritos típicos de William Orbit e por essa razão Madonna soa muito diferente do que se produz no mercado. Some Girls é extremamente jovem e utiliza sintetizadores vocais que podem confundir os mais desatentos, podendo ser entendido como uma cutucada na cantora Lady Gaga, já que se assemelha bastante com a proposta robótica e com agudos “gélidos” no seguinte trecho:

“Wrap your arms around my neck
It’s time to steal some hugs today
If you wanna play this game with me
I AM not like all the rest
Some girls are second best
Put your loving to the test, you’ll see

Some girls are not like me
I never wanna be like some girls
Some girls are just for free
I never wanna be like some girls”

http://www.vagalume.com.br/madonna/some-girls.html#ixzz1rLO3bxs4

Entretanto, a letra é muito madura e é característica de Madonna, coloca-se em perspectiva/panorama presente, justamente porque ainda que suavemente e de maneira irônica (como é possível também notar o retrato do atual pop em “Give Me All Your Luvin'”), não tem medo de confrontar os artistas que hoje fazem sucesso. “Falling Free” e a já conhecida e premiada faixa “Masterpiece” (Ambas co-produzidas por Orbit), são parte do que acredito que Madonna fará com mais frequência daqui pra frente: baladas românticas. E nesse sentido, ela consegue ser explosiva, ainda que em ritmos muito delicados e foge de qualquer pieguice natural de alguns cantores que exploram tal perspectiva, como também é possível notar em “I Fucked Up”. O único ponto que eu julgo um pouco “Obsoleto” apesar de ser uma boa faixa e muitos podem discordar do que vou dizer é “I’m A Sinner”: essa faixa parece uma mistura do Ray of Light (Álbum) com “Beautiful Stranger”, do mesmo período (1998-2000), o que parece ser uma tacada bastante previsível e um lugar comum e certo de que resultaria em sucesso na perspectiva da cantora. “Turn up the Radio“, produzida pelo divertido Solveig, tinha tudo para ser um carro chefe com garantia de número um em várias listas de revistas que calcularão faixas que serão Hits, por outro lado, Madonna parece estar explorando justamente o inusitado nessa etapa, atraindo a completa atenção para o Álbum e não para os singles mais poderosos que lá estão inseridos, com pontuais bate-papos com os fãs via Twitter, sem “fidelizá-lo” como terreno seu – Olá Lady Gaga – tanto quanto tem divulgado vários videos em seu canal do youtube com bastidores da produção da turnê.

“Superstar” e “Beautiful Killer” soam muito radiofônicas e de fácil assimilação, sendo a primeira uma bela forma de mostrar a união que Madonna tem com a filha Lola e como ambas são sintonizadas, inclusive, artisticamente. Segundo Madge, “Beautiful Killer” é uma homenagem ao ator Alain Delon, do qual, ao lado de Marlon Brando e James Dean, completa uma espécie de “olimpo” de atores dos quais Madonna tem grande admiração e faz o possível para citar enquanto referência. Finalmente, a última faixa “Best Friend” não é o melhor exemplo de sonoridade, sendo bastante experimental e um pouco “oca”, entretanto, a letra é muito passional e bastante sincera, o que talvez – caso seja executada ao vivo – pode ser reconsiderado com outros arranjos na nova turnê que tem o título de “MDNA WORLD TOUR”, prevista para ter início dia 29 de Maio em Israel.  

Como ressaltado, não é o que classifico como “gigantesco momento” em sua carreira, mas este recente lançamento segundo certificações especializadas  já passou das 700 mil cópias vendidas em uma semana, sem contar as versões que foram vendidas junto com alguns ingressos para os shows. Na minha lista de grandes álbuns da cantora, estão Confessions on a Dancefloor, Ray of Light, Erotica, American Life e Like a Prayer: nestes discos, Madonna faz jus ao título de rainha do POP e se em Hard Candy, ela fez um movimento de termino contratual, em sua vida pessoal (com o fim do casamente de 8 anos com Guy Ritchie) e finalmente, a sua saída da Warner, em MDNA, ela assina – com bastante êxito – com a Live Nation, Universal e Interscope, o primeiro grande passo da sua nova re-invenção. Como impressão e talvez indício do tempo no qual vivemos nesta década, cada vez mais, ela aparecerá protegida por camadas estrategicamente bem pensadas para mante-la bonita – já que é natural da cantora desafiar convenções desse gênero – manter-se na mídia (previsivelmente) e principalmente, consistente. Fica provada uma incrível sagacidade, uma ótima e divertida visita aos pontos mais clássicos de sua carreira e uma elegante exibição do seu gene musical.

Impressões: Rica em Detalhes – Nota: 7,5

Maiores Séries Infanto – Juvenis dos Anos 2000: Final!

Finalmente esse especial preguiçoso iniciado em 2010 terá sua terceira e última parte. Peço desculpas inclusive a quem iniciou a leitura pois eu realmente não tive paciência para terminar (rs). Talvez, a prática (escrever) esteja voltando para meu dia-dia, o que é bem positivo: isso tem se tornado terapêutico. Entretanto e sem mais conversas, vamos ao encerramento dessa tão complexa lista e por certa intuição, não representa (obviamente) todos os exemplos de alta literatura do gênero, entretanto, em breve tentativa, aqui abaixo o que considero “importante” para qualquer leitor ou leitora interessado(a) ao tema.

Terceiro Lugar: Percy Jackson, A Saga Crepúsculo e Jogos Vorazes!

Aqui não cabe uma única série, tampouco preconceitos. Para não ser injusto com os recém formados leitores, eu não poderia colocar no pódio apenas 3 séries que se destacaram de 2004 para cá, numa espécie de “pós efeito Harry Potter”. É nítido o sucesso das respectivas séries, por traduzirem o sentimento de uma juventude bem “precoce” e porque não dizer, mais aventureira e sobrecarregada de informações. Nesse grande universo jovem, temos dúvidas, descobrimentos (naturais a todos nós que temos a oportunidade de crescer e principalmente refletir sobre isso) e valores que são vistos ou expostos na literatura ou em qualquer forma de arte. Pensando nisso, sábios autores e autoras tornam-se verdadeiros fenômenos, e o que mais chama atenção em Crepúsculo (Twilight) é justamente a sua castidade em contrapartida ao que já foi mencionado.

Se nas obras de Anne Rice ou em Drácula de Bram Stoker, temos uma visão muito mais “clássica” (e original em termos de folclore) dos vampiros, em oposição a tudo que é oriundo e natural do folclore vampiresco (vampiros são sexualmente atraentes, gostam de sangue humano e não se expõem ao sol) pela sua formação religiosa, Stephenie Meyer elaborou um enredo que trouxe três personagens interessantes, mas muito “controversos” pela sua essência: Bella Swan, protagonista que ao deixar a casa da mãe, muda-se para Forks, cidade na qual jamais faz sol e lá chama atenção de um misterioso rapaz, Edward Cullen. Vivendo com seu pai, divorciado e por tal razão, decide convidar a filha para viver com alguma companhia, apresenta-lhe Jacob Black, um rapaz com feições caninas e de família indígena. Obviamente tudo é muito claro e previsível no texto, o que causa muita ira nos mais radicais críticos da série, além da forte acusação de que Meyer sem qualquer agradecimento, “sugou” como inspiração  parte do texto originário de Diários do Vampiro  da autora L.J. Smith, que lançou seu livro em meados de 1991 – e diga-se, é muito superior a crepúsculo, por não ser tão pudico e por ter uma narrativa muito mais ágil, além de elementos folclóricos bem mais diversos.

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Segundo o Blog 16 Mil Metros  “Alguns sites que também falam sobre o livro, dizem que a luxúria de sangue promovida por Drácula ao se alimentar e “infectar” suas vítimas com a maldição seria uma alusão à sífilis e outras doenças transmitidas através do sangue”, em contrapartida, Crepúsculo radicalmente nega isso, pois os vampiros citados (quando protagonistas) não se alimentam de sangue humano, apenas de sangue animal. Quando tais vampiros aparecem na forma tradicional, são de índole extremamente maldosa.

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Crepúsculo é um fenômeno recente, impulsionado pela série de filmes produzidos pela Summit, hoje parte da produtora Lionsgate (a mesma de Jogos Mortais – Saw e também Jogos Vorazes) e mesmo carregando tanto sucesso e recebendo aprovação de pais e mães mais “conservadores” no sentido da preservação da sexualidade pós casamento, Lua Nova, Eclipse e Amanhecer não melhoraram a reputação da Saga entre leitores de base mais “clássica” e porque não dizer, mais lúcida: Não estou querendo desencorajar ninguém que tenha interesse nos 4 livros da série, entretanto, seria muita estupidez não deixar claro o quanto a série é despretensiosa e visivelmente fraca em termos de “qualidade literária”. Em Forks, os vampiros brilham, reluzindo o que o sol emana, e o que seriam lobisomens, na realidade, fazem parte um de clã que é formado por Lobos, não pela mutação humanoide que estamos acostumados ou lemos a respeito.

É triste entretanto que muitas pessoas deem o mérito apenas a Stephenie por esse fenômeno, já que a própria Smith ou Anne Rice eram bem sucedidas nesse gênero muito antes do seu “boom”  representado em canais de entretenimento e livrarias, e justamente, pela maneira mais “fácil” de conseguir lucro e novamente toda atenção. Críticas a parte e opiniões radicais sobre a série Crepúsculo, o objetivo desse especial sempre foi (e é possível notar nas outras listas) convidar você para um debate ou para construções de opiniões, favoráveis ou não ao que está sendo dito. Não direi entretanto, que junto dos demais livros, que eu recomendo (mesmo tendo lido os três primeiros livros da série Twilight), contudo, fica aqui o espaço destinado ao reconhecimento da série e que ao lado de Harry Potter merece ter a menção de que chamou de volta ao mundo dos livros jovens sonhadoras e alguns jovens rapazes interessados em boas doses de ficção, certa “pontinha de suspense” e um pouco de diversão, já que não podemos exigir mais do quê isso de leitores na faixa etária para qual o livro “é destinado”.

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Curiosidade em Twilight: Crepúsculo é antes de qualquer outro argumento explicativo, um romance jovem e certamente este deve ser o ponto que atrai tantas moças aos livros da série, mas do quê rapazes que podem sentir mais ligação com Percy Jackson ou Jogos Vorazes, pelo contexto ser muito mais plural (não apenas focado nas visões femininas – Mitologia Grega e Distopia).  A autora pretendia lançar um quinto livro, mas uma pessoa próxima (segundo sua versão da história), “vazou” 12 capítulos do livro que seria o tal “Crepúsculo” na ótica de Edward Cullen, por sua vez, o passado do vampiro, como surgiu (detalhadamente) e o que vivenciou até conhecer Bella. Entretanto, com o sucesso da franquia no cinema, fica claro que isso pode ser uma interessante estratégia de mercado para suas futuras “obras”, tais como A Hospedeira, que ganhará uma adaptação ao cinema em 2012, com lançamento previsto para 2013. Outro detalhe nesta saga, sobre os vampiros, é que quando são mortos, eles não se dissipam como fumaça ou explodem/pegam fogo (como é a visão do seriado true blood), mas se partem como cristais de mármore (resultado da explicação engraçadíssima que a autora encontrou para seus pálidos “morcegos”).

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1984 de nossos tempos : Jogos Vorazes!

As comparações com a série Battle Royale do Oriental Koushun Takami se resumem a estrutura do governo que coloca seus jovens para lutar até a morte, restando apenas um único vencedor. Se em Battle Royale entretanto, a questão é muito mais voltada ao universo estudantil e principalmente aos terríveis índices de delinquência, em Hunger Games temos um panorama distinto: os Estados Unidos, como nós conhecemos hoje, entrou em decadência por conta de revolução na qual 13 distritos voltaram-se contra a terrível e poderosa Capital e no local do seu antigo nome, agora é chamado de Panem (que pode ser entendida como a forma radical da expressão original romana “pão e circo” – em livre tradução, fazendo alusão a política do espetáculo violento, porém, divertido).  Como já era esperado, a Capital venceu, massacrando os distritos e como punição anual, os jogos vorazes foram criados para demonstrar o poder exemplar de seu comandante. Cada distrito tem uma função em termos de recursos já que a capital é a grande receptora de todos os bens de seus subordinados terrenos demarcados. Para quem não leu o livro, o filme é uma ótima recomendação de sucesso merecido e as terríveis comparações com crepúsculo são desnecessárias, não porque considero Twilight de qualidade duvidosa, mas, principalmente, porque creio que o público está disposto a aproveitar de tudo um pouco. Deixando de lado essa discussão besta que o mercado encontra para vender “novos produtos”, talvez, o maior mérito em Jogos Vorazes e na trilogia que compõe o forte argumento da autora Suzanne Collins, seja a sua temática social, ambiental e distópica na perspectiva de uma jovem moça, Katniss.

A estrutura de um estado ditatorial: Os distritos e seus tributos!

Como apresentado no trailer da adaptação e principalmente, pelas sinopses já divulgadas, Katniss e Peeta são selecionados como Tributos, ou seja, Crianças e jovens entre 12 e 18 anos que são parte determinante para função dos  Jogos Vorazes, na melhor semelhança com os gladiadores e suas arenas, neste caso, um ambiente extremamente desenvolvido e seus futuros perdedores. Entretanto, em ato de defesa à sua irmã Prim, Katniss vai como voluntária e junto ao Peeta formam a dupla que representa o seu distrito, número 12. Tal qual este território bastante pobre e focado na produção de minério (cada distrito tem uma função econômica), os outros 11 distritos, não mais 12 pois no filme não há menção do falido décimo terceiro distrito que foi derrotado pela capital, elegem suas crianças, podendo apenas restar um que ganhará ração e benefícios a sua “comunidade”. Existe muita semelhança com o livro 1984 nesta distinta obra infanto-juvenil e o já intenso contexto é uma impressionante sugestão de mudança de panorama, ressaltando que os jovens ainda assim, podem mudar uma sociedade e principalmente, abandonar a internet majoritariamente, dando lugar a uma leitura prazerosa e sem exageros, instrutiva. Se em Harry Potter, temos diversas percepções imaginativas exploradas, Suzanne Collins nos presenteia com um “sobrinho” recém nascido da distopia 1984 do George Orwell, que para quem não sabe é o mesmo autor de A Revolução dos Bichos, clássico livro sobre a metáfora socio-econômica não só Britânica, mas de uma forma geral, universal, que utiliza a imagem do porco como explorador capaz de se adaptar as condições mais adversas, tudo para ser visto como humano. Pink Floyd consagrou essa imagem em seu álbum “Animals”, onde é possível ver um pequeno porquinho sobrevoando uma fábrica.

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Um dos pontos mais interessantes em jogos vorazes é a importância social dos estilistas e principalmente, a contraposição de estrutura enquanto “cidade” e estado da capital: se a maior parte dos distritos não são urbanizados ou de alguma maneira sofrem com a escassez de recursos, a capital apresenta uma das melhores arquiteturas e principalmente, funcionamento enquanto ambiente para construção da vida. Clima agradável, sem poluição, grande quantidade de água potável e uma vislumbrante paisagem repleta de árvores e outros recursos altamente pensados para o proveito que a consciência ambiental pode gerar. É bem interessante esse uso de “metáfora” para o mal enquanto sábio administrador  e principalmente, enquanto inovador modelo de sociedade. Katniss e Peeta são direcionados a um tutor que lhes explica absolutamente tudo sobre os jogos, apesar da inicial resistência, que vencera uma das competições. Nas mãos do estilista Ciina, ganham vestimentas impecáveis a prova de fogo, pois cada tributo é usado em um desfile de apresentação já na capital. O símbolo da resistência de Katniss é o pássaro que está estampado na capa dos livros e que foi dado a Katniss de presente por uma humilde senhora no mercado de troca e venda da região de Saem.

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Remetendo outra vez ao Império Romano, a espetacular tomada da “carnavalização” e do espetáculo que os mais atentos podem notar como clara alusão aos conceitos de Maquiavel e de Guy Debord, deixam claros o poder da série Jogos Vorazes e por esta razão, a qualidade e principalmente a quantidade de argumentos com os quais tem sido bem defendida.  Outro ponto que merece destaque: o colorido dos figurinos, o visual clínico e até em certo ponto retrô de alguns personagens, seus cílios sobressaltados saindo das faces e a higiene digna de Admirável Mundo Novo com a qual aquele modelo de sociedade é administrado. O único ponto que considero falho na adaptação, é a falta de uma explicação mais consistente sobre aquele modelo de sociedade e principalmente, como a Capital começou a sua estruturação/execução de governo, se existem escolas para jovens (Pergunta claramente e brevemente respondida nos livros) e como alguém pode ser considerado desertor do regime.

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Curiosidade em The Hunger Games (Jogos Vorazes): Este livro e principalmente o filme já são de longe uma das melhores surpresas “comerciais” nos últimos 10 anos, ainda que sua construção não seja nem de perto neutra se pensarmos nos já citados Orwell, no Zamiatin autor e pai do conceito “Distopia” através do livro “Nós” que serviu de base para Brave New World e 1984, além de Ray Bradbury, autor de Fahrenheit 451 e Anthony Burguess de Laranja Mecânica, já que o estado ou A Capital exercem um poder de vigilância constante, usando artifícios geneticamente modificados e modificáveis para manter o controle e a unidade tão desejados, além da mídia ser um instrumento fundamental para que essa sociedade continue “apática” e empobrecida culturalmente. Curiosamente, no filme, e acredito que seja informação do segundo livro da série que se chama “Em Chamas”, o distrito 11 do qual Rue fazia parte, é integrado por uma grande quantidade de pessoas negras e é neste distrito que as rebeliões começam! Até neste ponto, as metáforas que a autora encontrou se tornam cada vez mais ricas e incríveis!

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Quando outro raio se torna fenômeno!

Percy Jackson do autor (e durante 15 anos professor de história e inglês) Rick Riordan é um recente fenômeno de vendas e em certa parte de boas críticas, nascido também nos Estados Unidos. Pode ser considerado produto pós Harry Potter pelas semelhantes abordagens elaboradas através da mitologia como algo paralelo a realidade humana, já que os deuses gregos convivem com os humanos e as crianças desse cenário, a partir dos 12 anos, são colocadas diante de sua verdadeira origem. Na trama, Percy é um garoto que sofre com o déficit de atenção e com a dislexia, o que o impede de escrever adequadamente. Com terrível histórico na escola, mal entende qual a razão para conseguir encrencas até quando não quer, eis que lhe é revelado o motivo pelo qual tanto problema o cerca:  É filho de um dos grandes deuses da Grécia antiga.  Talvez, no meio de tantas histórias semelhantes, meu entusiasmo seja demasiado e por isso acabo perseguindo tanto livros com essas temáticas.

Considero, entretanto, muito interessante o movimento tomado cidadãos norte-americanos ainda que de modo superficial, à cultura – pela leitura – que é incentivada, mesmo que isso seja muito genérico se pensarmos que lá o dinheiro é uma língua em constante ascensão. Panoramas a parte é bem certo que esse contexto torna muito mais acessível a compra, venda e a produção de novos fenômenos, alguns inclusive, mais autênticos justamente pela estrutura e seriedade que envolvem seus valores e o conceito “cosmopolita” envolve logo de cara, a infância e uma explicação cultural da mitologia grega aprovada por professores e por especialistas em pedagogia. No Brasil não existem muitos exemplos em larga proporção que são incentivados de tal maneira, já que para uma população que se diz “afastada” ou sem tempo para ler, torna-se complicado produzir autores e autoras que fujam dos meios tradicionais de mídia e até mesmo de publicação. Até o conceito de “nicho” nos Estados Unidos é mais desenvolvido: enquanto aqui há uma necessidade de empurrar tudo como um fenômeno baseado em outros “produtos” imediatistas, no país ao norte é possível construir diversos exemplos de sucesso e todos podem se tornar fenômenos, incentivando a produção de outras e novas estórias, autores e produtos derivados de ótica “capitalizadora” que tantos produtores buscam na hora de concluir adaptações. Não é por falta de preparo que nós Brasileiros não presenciamos tal realidade: é a falta de vontade e principalmente, empenho dos meios estabelecidos para mudar tal panorama, pois, além de gerar lucro, a educação sem ser didática tem poder suficiente para transformar a infância de jovens, crianças e de adultos que nunca deixarão a criança dentro de si morrer. Por esta razão o destaque a tais obras.

Curiosidade em Percy Jackson: Ainda que sem muito sucesso de crítica ou público, a adaptação ao cinema da série foi também dirigida pelo famoso Chris Columbus, o mesmo diretor de Harry Potter e a Pedra Filosofal e Harry Potter e a Câmara Secreta. Entretanto, foi muito mais um descuido da FOX (produtora do filme) do que do diretor escolhido que já está familiarizado com esse tipo de cenário jovem, com o tom que a adaptação receberia. A abordagem dada ao filme não é fiel ao livro tampouco fez o público estar cativado pelo crescimento dos atores como ocorreu na série Potter: em Percy Jackson era necessário atores muito mais jovens o que não ocorreu no filme, sendo os atores já adolescentes prestes a completarem 17, 18 anos. É a velha ambição de repetir o sucesso sem respeitar que são obras distintas (Harry e Percy) e que muito mais válido e honesto é o sucesso de Harry Potter no cinema, pois tudo foi resolvido e desenvolvido com cuidado, criatividade e as vezes, com certos pontos inovadores, além de atrair para o início dessa já célebre referência do cenário/cultura pop, nomes consagrados da música (John Williams e Alexandre Desplat), atores de altíssimo nível e qualidade emotiva (Alan Rickman, Gary Oldman, Maggie Smith, Richard Harris, Sir Michael Gambon, David Theliws – só para citar alguns) e principalmente, visando uma execução primorosa, não apenas focada no lucro, já que os ganhos oriundos da qualidade, deixam marcas intensas naqueles que se tonam fãs e admiradores dessas franquias. Talvez esse tenha sido o erro da Franquia Percy Jackson no cinema, entretanto, enquanto literatura (originária), o autor está muito bem e já cuida de outras séries – Pirâmide Vermelha – focada no egito antigo e que também tem atraído diversos leitores.

Desventuras Prazerosas: A Grande Série de Lemony Snicket!

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 Se existe alguma série de livros que mereceu tirar do posto a franquia Harry Potter da lista de mais vendidos do New York Times – se não estou enganado – em 2004, ela responde pelo nome de Desventuras em Série,ao todo com 13 livros. A saga dos órfãos Baudelaire não só é fantástica, cheia de referências ao Allan Poe, ao próprio poeta das flores do mal e outras alusões românticas da literatura, como impressiona pela riqueza textual, pela fina ironia aplicada as situações pelas quais esses três lindos irmãos passam e principalmente, pelo primoroso convite a leitura. Enquanto estavam na praia do sal, cenário inicial do primeiro livro (Mau Começo), são avisados por um provisório tutor chamado Poe que perderam seus pais em um terrível incêndio. Não bastasse a tristeza pelo falecimento dos pais, os Órfãos Baudelaire encontram-se desde então em uma terrível situação que envolve o vilão de toda estória: Conde Olaf.

Sob a tutela deste terrível e caricato personagem,  trabalham em equipe para escapar de suas trapaças e armadilhas, sabidamente entretanto, os jovens órfãos destacam-se pela inteligente maneira com a qual a sua união é literalmente forte, utilizam cordas penduras em altas torres para discretamente atingir a luminária em formato de olho – interessante passagem muito bem adaptada para o cinema – e pelas mordidas intensas da irmã mais jovem, Sunny. Violet é uma exímia criadora, inventora, leitora e pesquisadora, sempre amarrando sua fita em um laço, destacando seu pescoço belo, chamando atenção do Olaf em outros sentidos, não apenas enquanto “interessado” na fortuna dos jovens, já que Violet é a mais velha dos três e um casamento forçado à espreita pode dar ao Conde o direito sobre a herança do jovem trio.

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Ao prender seu cabelo, Violet deixa um sinal de que as ideias estão fervilhando, portanto, eles poderão escapar com segurança. Klaus entretanto, é um excelente leitor, sabe quando e porque deve articular suas palavras e de maneira impressionante, sabe como desvendar enigmas, tais como os que tia Josephine deixara antes de ser levada até  o lago das sanguessugas pelo temível Olaf. Sunny em pertinentes mordidas naturais da idade, sempre ajuda de maneira violenta, mostrando que força e inocência podem caminhar juntas. Essas são caraterísticas muito pequenas dessa rica série cheia de mistérios que remetem aos clássicos O Médico e o Monstro e Frankenstein.

Curiosidade em Desventuras em Série: Cenários Atemporais ou Steampunk.

Um detalhe muito bacana da série desventuras é a década na qual se passa.  As construções e casas se assemelham a arquitetura gótica herdada dos século 12 e 13, ao mesmo tempo que os recursos tecnológicos em alguns ambientes ou diners (pubs e restaurantes) são utilizados (caixas registradoras, rádios comunicadores, geladeiras, letreiros em Neon) e fazem uma contrapartida ao visual histórico que se assemelha ao século XIX. O conceito Steampuk é parte da literatura fantástica que reconta a história da humanidade com alguns avanços antecipados, sendo parte integrada da ficção científica, popularmente difundida desde 1950. Sua notoriedade e “autoridade” enquanto gênero sério veio através de prêmios como Hugo Award, pelo reconhecimento da revista Time aos livros Laranja Mecânica e Neuromancer e principalmente, por William Gibson e Bruce Sterling serem os principais difusores desse gênero desde H.G.Wells de The War of the Worlds.

The War of the Worlds (1953) half sheet

Dentro da ficção científica, o Steampunk é a versão “emoldurada” e com cheiro de vapor – em breve e superficial resumo –  oriundo do cyberpunk – focado na ciência nanotecnológica e principalmente, nos avanços oriundos das cadeias e redes virtuais surgidas depois da internet, além da incorporação dos homens as máquinas, ou basicamente, a quebra dos estados naturais de vida e morte, possibilitando com esses recursos transformar os seres humanos em indivíduos com maior tempo de vida. A partir dessas características, o Steampunk se destaca também por ter sido (diversas e incontestáveis provas disso são muito fáceis de encontrar pela rede) num universo de ficção cientifica criado por autores consagrados como Júlio Verne, passados no século XIX. Nesta perspectiva, robôs, aviões e outros meios de locomoção baseados no vapor industrial, causando níveis de poluição terríveis e em parte, são uma etapa do que é presente na vida dos personagens abordados e isso também é destacado por desventuras em série, justamente pela paisagem cinzenta e com tons pasteis empobrecidos em seus cenários. Hugo Cabret, recente adaptação cinematográfica de Scorsese, também apresenta esse modelo de sociedade e de “aperfeiçoamento” tecno-científico, destacando o que talvez possa ser, uma forma de reavaliar as nossas ambições tecnológicas e a preocupação com a natureza e os recursos disponíveis para os “famigerados” avanços sociais. Todas essas obras, ainda que  voltadas para crianças, mostram o desafio que a própria humanidade cria ao não desenvolver uma consciência que prepara também suas crianças e jovens enquanto futuro e principalmente, quando prepara, elabora tão “educação” de maneira desonesta e bastante cruel, como pode ser visto através do Conde Olaf, metáfora da ambição desenfreada e do desapego ao amor e a fraternidade.

 Os Campeões!

Dispensam apresentações os fenômenos literários Harry Potter e as Crônicas de Nárnia. Não dispenso entretanto argumentos para destacar a qualidade imaginativa, a riqueza de detalhes dos universos apresentados e principalmente, o prazer que cada leitor deve sentir ao visitar esses sonhos em forma de livros. J.k.Rowling tem um estilo narrativo muito semelhante ao de C.S.Lewis, autor de Nárnia, cujo ano de lançamento (o que muitas pessoas ainda não sabem) ocorreu entre 1950 e 1956 tendo sido escrito e planejado em 1949 até 1954. Serviram como alternativa aos conflitos da segunda guerra mundial, tanto suas ideias, como as de Tolkien autor de O Senhor dos Anéis, aonde discutiam em seu grupo literário Inklings juntamente a diversos autores, estórias e contos de fantasia e ficção científica para crianças. As que tiveram oportunidade de receber contato com tais obras, puderam “escapar dos horrores que os adultos parecem sempre ocasionar” – palavras de Lúcia, destacando parte da ideia geral na qual Nárnia vive: um mundo de paz, comandado pelo Leão Aslan e lá, fugidos dos horrores desta mesma guerra, passaram a viver um tempo em segurança, até descobrirem os terríveis poderes da Rainha ou Feiticeira Branca, que pode ser entendida como o “pecado de eva”, ao comer da maçã proibida ao mesmo tempo que pode ser “a grande guerra”, travestida de vislumbre e de poder. Este grupo recentemente foi abordado em um livro escrito pelos pesquisadores Harry Lee “Hal” Poe e Jim Veneman, que durante alguns anos, colheram informações e finalmente, através de seu projeto, lançaram uma série de informações e biografias dos  célebres participantes. É possível conferir mais informações sobre o livro “The Inklings of Oxford” neste link do site Valinor.

Fruto da antiga geração de autores: A dama de ferro J.k.Rowling. 

Joanne Kathleen Rowling, nascida em 1965 é autora da série Harry Potter, que já foi abordada num longo especial sobre o filme Prisioneiro de Azkaban. Ganhou o título da Ordem do Império Britânico por sua contribuição a literatura (em seu país) e diversas nomeações, indicações, tantos outros prêmios que caberiam em muitos textos para mostrar a relevância de sua obra. O famoso mago de 11 anos que vivia sob o armário da escada, rendeu a Warner Brothers Corp. a maior franquia que o cinema já teve notícia, em bilheteria, venda de produtos derivados e em home video. Os números atualizados passam dos 7 Bilhões em arrecadação e a série de livros já ultrapassou a marca dos 420 milhões de exemplares vendidos ao redor do mundo, traduzidos inclusive para 74 idiomas. O universo criado por J.K.Rowling é livremente inspirado em Tolkien e C.S.Lewis e isso nunca foi negado pela autora, além das acusações de que teria copiado o que Neil Gaiman produziu com seu famoso bruxo, Tim Hunter, destoando claramente em contexto e em diversas entrevistas, o próprio Gaiman disse ser fã da obra da autora.  Essa série permanece em primeiro lugar nesta lista, por uma razão entre várias que são curiosas, mas segue o destaque. O mercado de livros digitais foi impulsionado em 1997 com a versão de Harry Potter e a Pedra Filosofal começando a figurar entre os mais vendidos na até então “modesta”, mas não pequena, Amazon. Desde então a relação entre editoras, mercado, publicações e principalmente, consumo de livros, voltou a tona radicalmente graças ao fenômeno Harry Potter.

Muitos não se lembram, entretanto, não ficou declarado que houve uma recessão “no mercado editorial” na década de 1990, mas o até então “inédito” investimento numa obra desconhecida parecia ser um tiro no escuro, para surpresa de todos, a mágica lucrativa ocorreu desde o lançamento de Câmera Secreta, exigindo que o mercado editorial pensasse não apenas em lançar seus livros, como também, criar uma espécie de folclore ao redor dos seus lançamentos. Há muito tempo não se via filas e mais filas de jovens em frente a livrarias, algo raro em tempos de informação e de games cada vez mais sofisticados pela tecnologia 3D. J.K.Rowling foi capaz de fragilizar lançamentos no cinema, aquecer a economia, gerar empregos e proporcionar que crianças ficassem mais tempo em casa do que o que era costume. Graças a esse “poder”, a procura por livros semelhantes ou sucessores, ou o resgate de clássicos sendo adaptados ao cinema, como foi o caso de Nárnia, sugeriram uma retomada da fantasia que inclusive, coroou The Lord of The Rings com 11 Oscar em seu último episódio (Retorno do Rei), quebrando uma tradição conservadora contra animações, filmes infanto-juvenis e com a ficção científica/fantasia que ainda existe dentro da Academia.

Pottermore e o Mercado Digital

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 Se em 1997 suas conferências eram vistas por 30 pessoas entusiasmadas pela novidade mas que não conheciam o poder que essa autora iria exercer nos 10 anos posteriores, hoje o panorama é muito diferente e tem o peso do literal  castelo de Hogwarts construído em Orlando, no Universal Park and Resort. Como parte de um mega empreendimento que a Warner Brothers desenvolveu com a autora, ninguém deve imaginar o quanto essa atração (agora turística) lucra e se tornou desde então ponto obrigatório de visitação, atraindo curiosos, fãs e muitos entusiastas da sétima arte ou por pura diversão. Por outro lado, sempre alertando que caneta e papel são suas prioridades, J.K.Rowling retornou a pouco mais de duas semanas aos holofotes de todos os jornais com o anúncio da sua própria loja virtual, sem o apoio de terceiros como intermediários e tendo autonomia completa para administrar ganhos, prazos e vendas dos 7 livros da série. Outro ponto importantíssimo dessa iniciativa é a marca Pottermore, lançada em 2011 e que promete ser uma experiência estendida para usuários mais entusiasmados com o universo da série, através de uma “rede social” de fãs que poderão re-escrever etapas importantes dos livros, trocar ideias, conversar com a autora e obviamente, garantir as novas versões publicadas dos livros (digitalmente ou não apenas). A partir de agora, Harry Potter ganha um novo fôlego não apenas enquanto série cinematográfica ou literatura, mas como uma marca de peso que ainda irá  nos surpreender por muito tempo, já que a autora anunciou seu novo livro, que mesmo sem ter relação com a série, aumenta a minha ansiedade e a de outros fãs que esperam retomar – ainda que longe de Hogwarts – o interesse pelo humor e pela ironia típicas de J.K.Rowling.

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Fruto de muita ambição e força de vontade, ela se tornou uma incrível empreendedora e acima de qualquer suspeita, uma referência obrigatória quando o assunto é literatura infanto-juvenil e mais do que isso, é parte também essencial desse fenômeno e de boa parte do que foi citado, enaltecer o valor que seus leitores possuem, desde que começaram a procura por outros livros e histórias tão divertidas quanto Harry Potter. Personagens literários podem não existir no nosso dia-dia, mas a inspiração que eles exercem em nossas vidas, tornam os desafios futuros mais simples, com lições entusiasmadas possibilitando vislumbrar outras perspectivas surgindo a cada nova palavra que é escrita, descrita e lida!

Aproveito para encerrar este texto com um enorme agradecimento a quem prestou o trabalho de esperar a parte final desse especial e é com muita satisfação e prazer que encerro esta etapa!

Espero que tenham gostado e aguardem a crítica dos Álbuns da cantora Madonna e Grimmes, em breve!!


Você pode conferir as duas primeiras etapas nos links abaixo:

                                         Parte I  de 2010 &  Parte II de 2012

Impressões – The Walking Dead!

Atenção: Não quero atrapalhar a diversão de ninguém mas se não acompanhou todos os episódios, não leia, contem Spoiler. Se não se importa e continua mantendo suas impressões sobre a série, ainda que já esteja sabendo de tudo que vai acontecer? Bem vindos!

Ainda sentindo o clima da segunda temporada, The Walking Dead se prova um dos melhores programas de TV exibidos hoje. Com uma curta primeira temporada (6 episódios), entretanto, bastante intrigante, nos mostrou Rick, um policial que acorda em um hospital, na melhor homenagem ao filme Extermínio de Danny Boyle, outra pérola do gênero “survivor”, enquanto tudo ao seu redor era destruído por uma infestação de Zumbis.

Se na primeira temporada tivemos um ritmo frenético em busca de respostas para solucionar o misterioso surgimento da infestação zumbi, na segunda, além de sairmos do foco urbano que a trama possuía, Rick e seu enorme grupo, partiram até uma fazenda que parecia uma terra prometida em tempos cinzentos e após a grande explosão do centro médico no qual um grande segredo foi contado a Rick. Entretanto, nada é sólido e duradouro em Walking Dead: Diferente do que muitas pessoas costumavam apontar, essa temporada foi vagarosa, entretanto, preocupada com a responsabilidade de desenvolver Dale, Daryl e Andrea, além de exibir um interessante arco com Sophia, a personagem que desaparece durante parte a primeira metade. Se Dale e Andrea tinham um conflito recém assumido entre tensão amorosa e paternalismo por parte do bom senhor, Shane, entrou em conflito com seus princípios já que tivera um caso amoroso com Lori: a verdade da gravidez da senhorita problema da série culminou numa das ações mais tensas nas duas temporadas e é um momento de transição daquele Rick bonachão que estávamos acostumados.  Além da morte de Otis, Shane já desenvolveu a primeira linha ou novo plano que a série nos entregou durante esta temporada: Nada aqui é “justificável”, tudo o que se faz é para sobreviver – Conviver em harmonia é uma convenção que não abraça velhos, apenas os maios Aptos.

Outro primor nessa temporada foi a caça de Daryl a Sophia e sua relação com o grupo, já que se mostrou o personagem mais neutro, entretanto, repleto de simpatia quando foi necessário consolar a mulher que perdera a sua filha e principalmente, a mulher que precisava de cuidados:  Carol.

The Walking Dead nunca será focada nos zumbis mas sim em seus personagens e seus conflitos no qual a justiça e a lei sucumbiram: é uma terra de ninguém e fica explícito ao final da temporada no discurso de Rick que todos carregam em seu sangue ou em seu cérebro a misteriosa praga zumbi: não importa se você é mordido ou não, todos já são vítimas desse terrível apocalipse. Tal revelação só culmina em outra verdade: Já somos prisioneiros desse terrível mal (em contra-cena à grande Prisão presidida pelo Governador) ou apenas ressaltado pelo recém destruído celeiro, simbolo da “escravidão” de alguns zumbis.

Ressalvas e Polêmicas. 

Muito se especulou sobre a morte de Shane e como poderíamos conferir isso nos episódios da série: os produtores mantiveram a situação muito semelhante aos quadrinhos, mas como a linha de certos fatos seguiu outra perspectiva, Carl atirou em Shane na forma zumbi (nos quadrinhos, Shane permanecia humano), por duas razões: A primeira é que o ator é muito jovem e isso poderia comprometer seu desenvolvimento enquanto pessoa (o que não tem relação nenhuma com a série, mas sim com a preocupação com a integridade da criança por parte dos produtores) por outro lado, a clara modificação da série em relação aos quadrinhos, intrigando cada telespectador pelo fato do Shane não ter sido mordido (num conflito com Rick, acabou levando a pior e foi esfaqueado após criar uma armadilha para Rick), entretanto, já foi comentado que qualquer um é  “Errante” ou simplesmente, um morto vivo. Mora neste ponto a grande “sacada” da série em relação ao seu título.

Dale, nos deixou de coração partido pois tentou falar em justiça ao Shane e ao grupo, na tentativa de salvar Randall (personagem que revelou a existência de terríveis grupos de humanos violentos não por necessidade, mas pela falta de “moralidade” e éticas humanas – o que nesse contexto diz respeito ao ato de respeitar quem ainda é humano), o que não se cumpriu já que os argumentos deram lugar a simples e animalizada vontade de sobreviver que é necessária no universo da série, sendo confirmada portanto a sua banal morte, oriunda de uma ação muito irresponsável de Carl que sente o peso de crescer sem que escute falar em “normalidades”. Ninguém pode esperar por um lugar seguro levando em conta a grande quantidade de zumbis que são criados e que parece não ter fim: por mais que os esforços feitos sejam para salvar vidas que ainda “mantem” um pouco daquilo que conhecemos enquanto lei ou humanidade, o mundo que conhecíamos ou a tão “conturbada” civilização já foram colocadas à baixo nessa terrível atmosfera de medo e insegurança.

Ritmo da Série e Incômodo dos Impacientes. 

Quadrinhos e livros tem uma maneira de contar o enredo que é muito mais “imaginativa” e muito mais autônoma em questão de tempo e desenvolvimento, em uma série de televisão ou filme, não há como desenvolver tudo o que esperamos de uma vez só, e muitas pessoas não compreendem a razão dessa “demora” na resolução dos plots:  então qual seria a razão dos produtores assinarem contrato para várias temporadas? Se você acompanha séries, sabe claramente que nem tudo vai ser contado em um único episódio e Walking Dead distribuiu muito bem todas as emoções e o espaço de cada personagem nessa temporada (exceto T-Dog que os produtores deixaram em stand by para algo que será resolvido – espero – na terceira temporada. Acho que existe em parte o problema da falta de memória e paciência de algumas pessoas, já que a temporada começou ano passado (2011) e está terminando agora (Março de 2012). Se notarmos bem, tudo que foi exibido beneficiou as consequências já previstas por quem leu os quadrinhos e as leves alterações necessárias para uma grande revelação de nome Governador, que chegará nesta terceira temporada: Michonne, importante personagem dos quadrinhos (e uma das mais populares) já deu suas caras numa pequena ponta, prenúncio da temporada que chega, além de um leve desespero causado no orgulho e no peito daqueles que ainda conservam o amor como esperança de redenção (Glenn e Maggie).

Vislumbrando A Terceira Temporada!

Se Walking Dead tornar-se uma série de violência gratuita, focada apenas numa ação irresponsável, eu já não vou mais assistir. É justamente esses passos vagarosos como de um zumbi que transformam a série em um berço de questionamentos éticos sobre a própria vida e o nosso medo de encarar situações extremas que já não explicariam a nossa difícil existência.

A série tem muito material para ser desenvolvido, e os três episódios finais da temporada só defendem ainda mais a qualidade e superioridade desta segunda em relação a primeira: a dificuldade de algumas pessoas em perceber os detalhes e as minucias que a série já levantou já mostra que a série a cada novo episódio, seleciona com cuidado quem vai apreciar sua qualidade e seu texto, deixando para trás quem não sabe acompanhar ou se adaptar a necessidade do verbo numa série que não é de ação, mas sim de ficção e drama.

Impressões: Rica em Detalhes – Nota: 9,0.

Coluna: Impressões

O Rei da bagunça!

Olá, tudo bem com vocês?

Usarei esse espaço do blog para relatar o que o próprio título já diz, pequenas observações em filmes, livros, quadrinhos, videoclipes ou discos/singles  lançados ou já clássicos, será seguido de uma crítica, que pode variar entre “rica em detalhes” ou “muito simples”. Essas serão as notas dadas, tentarei iniciar esse processo sem garantias de que isto será “fidelizado”.

Aguardem outras novidades no blog, uma grande etapa de retomada! E os textos que tanto prometo e que finalmente irão ao ar rs.

Abraços e Beijos.

“Maiores” Obras/Séries Infanto – Juvenis dos Anos 2000 – Parte II

Hugo cabret

Feliz 2012!

Dando Continuidade a essa Lista complicada de adotar iniciada em 2011, finalmente irei Concluir a Segunda Parte desse Especial Sobre Literatura Infanto-Juvenil e os livros que mais se destacaram no mercado editorial, pelo público, pela quantidade de livros vendidos e principalmente pela qualidade, ainda que essa relação não esteja diretamente ligada, ou que de fato, cada um dos livros citados faça parte desse “top 10” oficialmente.

Sexto: Onde Vivem Os Monstros

Onde Vivem Os Monstros

“Na história escrita em 1963, o garoto Max, vestido com sua fantasia de lobo, faz tamanha malcriação que é mandado para o quarto sem jantar. Lá, ele se transporta para uma floresta, embarca em um miniveleiro, navega pelo oceano, até chegar numa ilha, onde vivem os monstros. Com o seu olhar firme, consegue dominá-los e é coroado rei. Max, então, fica livre para mandar e desmandar, longe de regras ou restrições. Mas, quando a saudade de casa e daqueles que realmente o amam começa a apertar o peito, Max fica em dúvida sobre suas escolhas”.

Curiosidade: Com esse tocante enredo já vendeu 18 milhões de exemplares, sob cálculos recentes, apenas nos Estados Unidos, e ganhou uma recente adaptação ao cinema, com trilha sonora composta por Karen O. do Yeah Yeah Yeahs. Está listado principalmente pelo enorme tempo e durabilidade de sua relevância no mercado editorial e pela eficiente narrativa, que ainda em pequenos detalhes, aborda bem o imaginário de um pequeno garotinho, tendo que lidar com sérias questões como autoridade, obediência, estudo, amizade  e sobre o amor fraternal.

Quinto:  O Pequeno Príncipe e o Amor do Pequeno Príncipe. 

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O Pequeno Príncipe costuma dispensar apresentações nas mais diversas listas de leitores, autores e Miss Beleza que por aí existem. Algumas pessoas costumam apontar esse livro como “o melhor exemplo de enigma do envelhecimento” pois costuma-se ter uma visão muito diferente do que você já teve ao ler aos 15 e 10 anos depois. Obviamente que esse contexto vale para quase tudo na vida de uma pessoa que costuma fazer balanços em sua existência. Também é alvo de diversas polêmicas sendo considerado literatura água com açúcar e filosofia barata: nesse ponto, devo questionar que o fato de ser visto dessa forma (ao trazer reflexões inocentes, porém, carregadas de mensagens subjetivas – algo que boa parte dos acadêmicos de filosofia com o qual tive contato odeiam), desconforta quem faz parte das linhas mais radicais do pensamento dito “transcendental” filosófico, mas não deixa de ser válido a quem não teve acesso aos meios mais específicos da área, sendo então (ou podendo)   ser considerado extremamente filosófico, já que a realidade é vista por um pequeno menino que viaja pelo universo e justamente com esse clara alusão ao medo de envelhecer, a ótica da criança deve ser suave e não menos necessária.

Curiosidade: Já em “O amor do pequeno…”, é bem clara a amargura de Exupéry por alguém que já amou muito e o livro, apesar da simplicidade, é bastante comovente.

Quarto: A Invenção de Hugo Cabret

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Nas mãos de Brian Selznick, essa obra  gigantesca é uma excelente e belíssima homenagem a história do cinema mundial, passada na ótica de uma criança (Hugo), que precisa descobrir a misteriosa mensagem transmitida por um autômato. Brian, que é design de formação acadêmica, começou a se dedicar aos livros muito mais por curiosidade do que tendo certeza que iria ser um fabuloso sucesso. Recentemente, o enredo passado na Paris de 1930, foi adaptado ao cinema por Martin Scorsese, excelente mestre do cinema autor de obras como Táxi Driver e Touro Indomável. Agora com as facilidades do “3D”, Scorsese exprime em seu filme, além da fidelidade, uma rica e soberba homenagem aos filmes mais expressivos do Georges Méliès tanto quanto aos irmãos Auguste e Louis Lumière

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Brian Selznick: De simples Designer a autor consagrado de livros infanto-juvenis. Merecidamente. 

Curiosidade: Na adaptação ao cinema, poucos frames dos filmes mudos foram convertidos ao 3D, causando uma sensação de profundidade ao espectador. No site oficial do autor é possível conhecer seus outros trabalhos que também são muito ricos em imaginação! 

Na parte final do texto, vocês poderão encontrar maiores informações sobre as obras citadas, fazendo um forte levantamento sobre as novidades que estão surgindo no mercado editorial e sobre os livros que na minha consideração, estão nessa lista, ainda que seja injusta e bastante “ineficiente” pois jamais devemos medir a qualidade das obras decidindo em quais lugares elas estão. São sempre válidas, levando em conta a faixa de idade que será atingida (no caso, o público infanto-juvenil), além da complexidade da formação de cada um nesse período: portanto, nada melhor que um bom livro para formar um novo leitor ou leitora, seja qual for seu título, desde que esteja repleto de imaginação e cultura.  A lista será encerrada com Percy Jackson, A Saga Crepúsculo, Desventuras em Série, Harry Potter, Nárnia e Jogos Vorazes! Aguardem!

Até Breve!!


Senso De Nação: A Utopia (Impossível)* do Brasil.

*Utopia neste título, é um Ideal Supremo, Um Delírio. O Impossível, é o inalcançável, que está longe de qualquer possibilidade humana (realização, seja qual for o objetivo). 

Assistindo o seguinte video do Programa Entrelinhas (clique no grifo para acessar o video) da TV Cultura, imagino que vou jogar, como dizem por aí, merda no ventilador, por que, literalmente, não Consigo concordar em praticamente NADA com o senhor Jaime Pinsky, entrevistado, e que o tempo todo apenas enaltece o mercado de livros didáticos brasileiro.

Aquele que diz que o livro no Brasil não é caro, não só “mente”, como também tenta, através da “edição implacável” televisiva, descontrair quem assiste para fatos muito derivados diante de uma situação emergencial negligenciada e que por sua vez, apenas ressalta uma linha de pensamento conservada a séculos, desde que a burocracia (até editorial) passou a fazer parte do Brasil: Aquilo que é visto como política, iniciativa ou efetivo progresso humano (que pode melhorar nossa convivência enquanto pessoas e nossa consciência, enquanto país), está fora de cogitação, principalmente e quando passa pela visão e cotidiano (direto) da população brasileira jovem: Dos 6 aos 25 anos de idade.

Quando a internet é citada na maior parte das matérias já vistas até hoje, ela é alvo banal dos próprios veículos, (que jogam na grande população sem forte consciência crítica, a culpa pelo seu mal uso e proliferação da pirataria e outras formas reconhecidas como crimes virtuais) que essa nova mídia informativa e revolucionária, não presta, é apenas usada como uma “brincadeira” para jogos, por pessoas desinformadas e iniciativas mal intencionadas: – Eu questiono: As editoras não possuem sites na internet para divulgação de seus produtos, serviços e acervos? E Por sua vez, o senhor Jaime Pinsky, não está com seu discurso também sendo emitido dentro da rede mundial de computadores?

O Grande problema é que o conceito de juventude no Brasil só serve para erotizar o corpo da mulher nas grandes propagandas e vender produtos sob ordens (inconscientes) que respondem por padrões, aparentemente baseados em uma norma que rege a sociedade: O que nós somos? País, sociedade, nação? Tudo isso, mas, é muito mais direto, simples e verdadeiro, assumir que somos uma nação e que esses movimentos (anti-juventude), só servem para manter uma política mofada que não se preocupa com os novos adventos que criam paradigmas (questionamentos) que ao contrário de elucidar questões, apenas pioram nossos problemas, pois, são poucos os que sabem lidar, próximo do que é adequado nas mudanças (na internet por exemplo), assim como, temos uma série de políticos que se favorecem desde 1980 (com o fim oficial da ditadura) do dinheiro público, utilizando seus despreparos e descompromissos sob uma nação (nós) que infelizmente, não se compreende enquanto País, mas insiste em produzir aquilo que gera capital financeiro em detrimento do que aparentemente nos melhora, sem saber qual a real intenção do que está sendo produzido, e sem ter uma grande parcela disso, investida em iniciativas culturais, educacionais, que de fato, transformam em curto e longo prazo, este péssimo panorama.

(Livro de Stephan Zweig, Famoso Escritor Alemão, Que Viveu muito tempo no Brasil e que nas mãos do Diretor Sylvio Back, Ganhou uma cinebiografia “Lost Zweig”).

 Não é apenas a tiragem, ou a população que não quer ou não lê. Livros como Harry Potter que já saem em tiragens de 380 MIL exemplares de uma vez (desde seu Quinto Volume), ao custo de (aproximados) 70 reais no lançamento, na maior parte das editoras e Livrarias do Brasil.  Estes lançamentos não podem ser apontados exclusivamente como “culpados” pelo alto preço cobrado, nos próprios Best-Sellers (note nas principais listas de jornais e revistas, que em sua maior quantidade, os Best-Sellers são Estrangeiros) e até em Livros Clássicos da nossa literatura: Isso abre espaço para o seguinte questionamento:

E aí? É a culpa do governo que não dá assistência ou não planeja a escola? A população é historicamente desinformada e desinteressada? Ou uma pequena parcela de empresários donos de editoras e  livrarias que cobram o valor 6 vezes ou até 9 vezes mais caro na edição de um livro em seu Lançamento, ou até meses depois? Tudo me parece uma grande Bobagem com o objetivo de tirar quem assistiu o programa e até, o corriqueiro leitor (do foco central e prioritário desta complicada questão).

O livro no Brasil é caro, por que é esse o custo da manutenção do analfabeto, do ladrão, da puta, do desinformado e da nossa ignorância e falta de consciência enquanto Nação. Não encontramos com muita facilidade vários clássicos nas estantes, sem que estes tenham sido em poucos casos, distribuídos em Bienais, escolas, passeatas ou até por iniciativas privadas  (como a do Banco Itaú, que investiu recentemente em “Contações” de estórias Infanto-Juvenis), além do agravante de edições mais baratas, custarem, no mínimo, 14 reais, como é o caso da L&PM Editores, que ao lado da Martín Claret, sofre muitas críticas, por algumas das suas traduções, nem sempre, terem uma boa organização e fidelização textual. Mas alguém poderá questionar: Procure Sebos. Sim, os sebos são uma alternativa valiosa para encontrar livros em edições usadas em bom estado que custam muito mais barato, entretanto, em diversos casos, é até possível encontrar livros com valor mais alto do que os que são vendidos na livraria, além do estado de conservação não ser muito atraente: Nós temos que manter nosso interesse na leitura, sem que este pareça uma obrigação como as grandes matérias televisas insistem em pautar quando falamos de educação básica na escola, e quando este “ensino” passa pela ótica das obras literárias de Machado de Assis ou de Drummond: Precisamos que as bibliotecas públicas tenham seus acervos em excelente conservação, uma distribuição e divulgação maior das iniciativas públicas na televisão, convidando o público a visitar estes espaços, e tornar a escola um ambiente adequado à realidade de crianças e jovens que encontram um panorama, muitas vezes, desmotivador de aprendizagem, leitura, acessibilidade, laboratórios e acesso à internet. A escola deve ser vista como instituição Máxima para o desenvolvimento da nação e enquanto leis rígidas não estiverem julgando o descaso de pais e do próprio governo (políticos e suas respectivas regiões administradas), na sua má execução e planejamento da própria escola enquanto ambiente inicial da vida de qualquer ser humano, infelizmente, no futuro, enfrentaremos problemas sérios relacionados à violência, preconceito racial, homofobia, machismo e deteriorização de um “ambiente familiar” sob o contexto afetivo, não sob apenas o contexto hetero-normativo.

 O Segundo Ponto no Video, que serve como alvo das minhas Críticas, mas enquanto também, leitor e consumidor (sim, pois literatura é indústria) é o contexto do livro enquanto produto, ainda que suas implicações artísticas estejam em outro tipo de discussão:

O interesse de grandes “corporações”, como a Editora Globo ou o Instituto Millenium (que não é uma instituição privada, mas necessita de investimentos dentro dessas iniciativas para sua manutenção) por exemplo, é justamente ter na sua responsabilidade a manutenção de dados, o histórico do autor e diversas edições que podem ser lançadas ou não futuramente. Dependemos em quase todos os níveis na “indústria cultural” brasileira de iniciativas privadas com interesses dúbios para lançar ou não esses livros e vários desses interesses (econômicos) acabam ganhando ramificações dentro do próprio governo, o que não gosto de chamar como, mas é o que fica conhecido enquanto “Sistema”. E novamente, ainda que aleguem que o custo de edições de autores clássicos do Brasil ou que o interesse neles sejam pequenos, só podemos levar em consideração que no Brasil, O Governo Federal, junto ao Ministério da educação, não estão preocupados com o fato da população ter ou não interesse nessa literatura, mantendo grandes coleções sobre Machado de Assis, Aluísio Azevedo, Ariano Suassuna, Raquel de Queiroz, Drummond, Olavo Bilac, entre muitos outros, com valores caros: Na Europa, autores clássicos recebem um enorme LEQUE de edições, sejam as famosas Paper que são super acessíveis, com uma média de preço de 6 dólares ou 4 Euros, até edições mais caras, conhecidas como edições de Luxo, que aí, devidamente, reconhecemos o trabalho de montagem de um livro, que não servirá apenas para leitura, mas para ser compreendido enquanto patrimônio, ou até que envolve o trabalho de uma instituição e de pesquisadores, o que justifica um valor mais caro, mas, é mantido o valor da edição mais acessível como forma de incluir a maior parte de leitores possíveis: NADA NO BRASIL, QUE É REFERENTE à ARTE, CULTURA, EDUCAÇÃO, CIDADANIA E CONSCIÊNCIA COLETIVA (PERANTE AO PAÍS QUE SE VIVE) É INCENTIVADO NOS GRANDES VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO.

Ponto Três, pois estou comentando pontos “x” desse video enquanto assisto: Compram-se livros didáticos demasiadamente, para acontecer isso: Livros Encontrados no Lixo na Grande São Paulo (clique aqui para ler a matéria). Com o valor investido e mal administrado, abrem-se frestas para corrupção (entenda o termo em diversas instâncias, não apenas o fato de usar dinheiro público para tirar proveito), Além do quê, O Português é a 5 língua mais falada no mundo, aprox. 240 Milhões, dados cedidos pelo órgão responsável pelo acordo firmado que irá unificar a língua portuguesa (O Decreto Presidencial nº 6.586, de 29 de setembro de 2008, determina a implementação do Acordo Ortográfico a partir de 1º de janeiro de 2009 no Brasil, estabelecendo período de transição de 1o de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2012).

 Não é por boa vontade que estão vendendo mais livros para cá, é visando o lucro independente de como os livros serão devidamente distribuídos e as vezes, sequer são utilizados. Por outro lado, é justamente por iniciativas privadas (tais como as da Editora Globo,  e o Instituto Millenium – que consegue fundos através de empresas como Gerdau), que autores (as), como Huxley, Ayn Rand (passou mais de 23 anos sem novas edições no Brasil, só voltando ao mercado ano passado), Ray Bradbury, continuam sendo lidos: edições muito mais baratas que já saem das editoras em papel e visual atraente, edição devidamente revisada e com custo muito baixo. Não apenas posso citar a europa como exemplo, ou USA, mas a Argentina e o Chile, tem um mercado editorial muito mais amplo, sendo inclusive, Argentina, um país muito menor, mas, com muito mais editoras, livrarias e Bibliotecas que o Brasil – Fonte).

Não gosto de utilizar termos “políticos” nessas conclusões e nesses questionamentos, mas, o Brasil gosta do Imperialismo apenas para ter dinheiro, porém, continuamos na lama quando pensamos em nos desenvolver enquanto nação, diferente dos Estados Unidos, que apesar da sua suja política militarista e baseada na exploração do petróleo, desenvolve uma consciência que se “Protege” (ainda que negativamente) de valores externos, sendo visto como “melhor”, soberano e mais desenvolvido, justamente por que EXPLORA, mas investe no campo de desenvolvimento sócio-cultural da população Estadunidense. Não sei até que ponto ou até qual ano, essas medidas que pensam nosso país apenas enquanto celeiro lucrativo irão existir, mas, é justamente essa corrupção de valores e ausência de educação ou preparo e incentivo à consciência crítica e análise que impedem o crescimento do país enquanto Leitor, estudante, (que ainda mantem excluído o autodidata), militante político apartidário e que irão exercer o orgulho que podemos ter à nossa bandeira baseado numa leitura não própria apenas da literatura (em geral), mas também, uma leitura crítica e visionária, imaginativa, da nossa realidade enquanto povo que precisa evoluir e crescer diariamente.

O Brasil precisa entender, enquanto “nação” que não está sozinho, que ideias inovadoras, não mais irão existir apenas na Europa (que é um continente muito mais antigo), mas que podemos com toda possibilidade de criação, já provada através de diversos artistas consagrados, que somos, à longo prazo, uma nação criativa, forte e que ao lado dos nossos parceiros no continente, poderá apresentar novos modelos de política, política ambiental, educação e até de valores humanos (seja lá qual for sua maneira de ver tais valores).

Se eu quiser estabelecer algum tipo de meta, que indique alguma melhora na nossa situação, eu diria que a primeira mudança drástica, deve começar, no fato das pessoas olharem mais pra si, não no sentido egocêntrico, mas enquanto agente transformador do “todo” com as ferramentas que existem dentro da própria casa: a possível união, o estudo, a análise, a dúvida, a não aceitação de paliativos, e entender que nem tudo é imediatado, premeditado ou que foi concebido para apresentar uma solução clara, óbvia: a análise de tudo que nos cerca é o primeiro caminho nessa complicada questão, que já larga a muito a nossa dependência “enquanto ex-colônia” para olharmos os exemplos de países irmãos e vizinhos como Colômbia, Venezuela, Argentina e Chile, que já apresentam medidas claras, reformas e protestos para mudar a situação não apenas dos seus próprios países, mas do continente Sul-Americano, e que tudo isso, surgiu, a partir de uma leitura, literária e contextual.

Cisne Negro: Uma Bela Roupa Sob Fraco Discurso.

Chris Nolan, diretor da nova trilogia do Batman (“Begins”, “Dark Knight”, “Dark Knight Rises”) é por algum motivo, o tipo de diretor que consegue conciliar histórias “já criadas” com uma visão bastante autoral: perfeccionista e por sua vez, bastante coeso enquanto diretor, evita utilizar efeitos digitais superficiais em seus filmes, chegando inclusive a demolir prédios e degradar atores, como é o caso de Heath Ledger, que Graças ao mal momento em quê vivia, e a intensa atuação no Cavaleiro das Trevas, acabou falecendo de maneira muito suspeita em decorrência de uma overdose de medicamentos.  Através desse realismo, pouco a pouco Nolan despontou enquanto diretor, tendo o ótimo “O Grande Truque” sendo indicado a dois Oscar nas categorias fotografia e direção de arte,  e o ousado “A Origem”, com Leonardo Dicaprio como protagonista dessa grande roleta russa desconstruída (visual).

Essa tal intensidade vista no Batman e o tom realista, permeia uma mente que não é tão valorizada quanto a do Nolan (Graças ao Batman, Nolan hoje tem uma grande autonomia dentro da Warner, tanto para desenvolver projetos, como para escrever roteiros e produzir novas séries, como o novo Superman – Man of Steel): Responde pelo nome de Darren Aronofsky.

Darren Aronofsky arrives at the 83rd annual Academy Awards in Hollywood

Iria assumir a direção desta  “nova trilogia” do Batman (“Batman – Ano Um”, foi cogitado como nome do filme),  mas como sempre ocorre em sua carreira, sofreu cortes, foi excluído de projetos, ou perdeu boa parte dos seus orçamentos nas produções em quê esteve envolvido. Esse panorama só começou a mudar quando Cisne Negro foi anunciado como seu novo projeto, pós (o intenso, verdadeiramente) filme “O Lutador“, esse sim digno de Oscar de Melhor filme e de melhor ator para Mickey Rourke.

Com Natalie Portman no papel de Nina, o filme tem quatro elementos especiais da carreira do Darren: A belíssima fotografia, trilha sonora apurada de Clint Mansell, seu parceiro de longa data que produziu a também excelente trilha do filme “Moon” de Ducan Jones, mas conhecido como filho de David Bowie, o figurino inocente que é medido corretamente na personagem da Natalie e por sua vez, a própria atuação que lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz.

Eu torci bastante por este filme no Oscar, não por gostar do resultado final, se comparado com seus quatro filmes anteriores (“Pi”, “Réquiem Para Um Sonho”, “A Fonte da Vida” e Finalmente, “O Lutador”), mas, por ser um movimento estratégico do Darren Aronofsky com relação a sua popularidade: ele, sabiamente, utilizou recursos “simples” para atrair o grande público ao cinema: Black Swan veste a roupa e as proteções clássicas do Ballet como referência pesada, garantindo uma impressão breve de “arte”, entretanto, é previsível justamente por que utiliza os mesmo artifícios de “Pi”, inclusive, climatizações ou locações (cenas em metrô) mastigando para o público interpretações (ou cenas) que cumprem demanda (por exemplo, o fetiche homossexual da personagem, com seu beijo e transa, um deleite para o público masculino “Horny” ou para meninas que também se sentem atraídas), além das sombras que se escondem prontas para dar medo, além das várias faces que a personagem pode assumir como justificativa para uma “possível” profundidade no roteiro e na sua concepção.

Ainda que desconcertante em seu ritmo, Cisne acerta justamente pela inocência que o Ballet parece ter, mas ao mesmo tempo, é violento com toda carga emocional provocada pelos treinos e também pela mãe de Nina, que não lhe garante independência enquanto pessoa e principalmente, enquanto mulher.

Merecidamente, Portman entrega uma personagem verossímil, que enaltece uma possível “interpretação” de libertação do pássaro que atinge seu grande momento,  mas, decididamente, ainda que essa grande atriz sustente toda atenção do filme em si (como é o caso também do Heath Ledger, apesar do excelente roteiro/filme que Dark Knight é) não consigo ter a mesma impressão do filme:  Não vejo sintonia, ou tampouco tanta “cultura” na película como muitos apontam, enaltecendo “metáforas” retratadas em cenas (como diversos sustos previsíveis) e a desculpa constante do roteiro em confundir quem o assiste: isso não é sinônimo de “referencial”, mas sim, de repetição de estilo. Basta assistir qualquer filme da linha “horror psicológico” para entender esses tais sustos, trilha sonora que aumenta causando tensão, por sua vez, um forte impacto em cena.

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“Pi”, o primeiro filme do diretor, tem um dos finais mais ousados e surpreendentes do cinema: esse sim com status merecido de referência obrigatória, precisou de lentes específicas, para dosar exatamente os tons preto e branco que o diretor gostaria de ver na tela, não os tons cinzas, como costumamos assistir em filmes da década de 30 ou 20.  A câmera trêmula (na mão), a velocidade somada à paranoia de Max Cohen, chamam atenção pela qualidade, justamente por que, da mesma forma que foi concebido, Cisne Negro também acompanha e tem perfil semelhante;  Com o diferencial de ter uma atriz já renomada, o que não quer dizer ou que garante, por sua vez, um resultado tão convincente.

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Ambos (filmes) apresentam em seu plot algum tipo de colapso psicológico que brinca com quem assiste, entretanto, por serem assuntos muito sérios, se diferenciam justamente na consistência real vista se destacados como filmes dramáticos: “Pi” é honesto, é violentamente cruel, é uma perseguição por números e hipóteses que confunde, não por truques de câmera que assustam, mas por se sustentar em um roteiro imprevisível, inteligente, reflexivo e ágil.  Cisne Negro foi pré-modelado para “parecer” inteligente, e é esse o grande mérito de Darren Aronofsky ao se tornar público: entregando sua película mais fácil, conquistou o público com um rosto conhecido (sua atriz), vestindo a roupa correta (o custo da produção) para os festivais e principalmente, para chegar as residências daqueles que querem seu DVD ou Blu-Ray:  é bem verdade que não posso condenar a atitude do diretor, enquanto espectador e principalmente enquanto fã, entendo que em algum ponto ele perdeu para, obviamente, como diz o ditado, poder ganhar: Mas, ainda que esse movimento necessário tenha sido concretizado, incomoda a pequena visão das pessoas ao acreditarem que o que é exibido agora, hoje, o que é recente, que chega com uma embalagem atraente, é melhor, e que irá incluir quem assiste “a um grupo”, fará de cada um mais inteligente:  neste ponto, precisamente, Cisne Negro acerta por falar do jogo de aparências, mutilações que são necessárias, somadas as nossas mentiras para que possamos conviver nesse mundo cada vez mais complexo e vaidoso, entretanto, não é com técnica que conseguimos atingir os corações e mentes preocupadas em sentir emoções diferentes e quem sabe, compreender melhor os valores, se é que existem, presentes na tal falada humanidade: Darren Aronofsky é um grande diretor, mas não “técnico” e costumo pensar que seu trabalho um dia, pode ser tão relevante quanto o de Kubrick e Tarkovsky. Seus grandes feitos na história do cinema, são representados pela incrível capacidade de fazer grandes filmes, apesar das dificuldades de produção, pela sua criatividade, e pela maneira como decidi dirigir e conceber suas obras.

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Só nos resta acreditar e confiar que “Noé“, seu próximo projeto, deixará de lado essa perseguição pelo reconhecimento do público, para finalmente retomar as suas origens enquanto diretor, enaltecendo a qualidade em primeiro lugar, ainda que isso lhe custe, à curto prazo, a perda da sua “tão sonhada” visibilidade, ou como diz a sua personagem Nina, “ser completo, perfeito”.