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Sobre ser o Ser

Meu maior defeito, e não sei se me aproprio corretamente do nome tendo em vista que defeitos fazem parte daquele lado da alma que não gostamos de encarar por conter verdades que dão pra controlar, talvez seja que eu sou profundo demais.

Vista as palavras daqui de cima chego à conclusão de que ser profundo ou não, não é algo que caracterize defeito. É mais como uma parte do seu corpo, uma coisa que você é porque você é. Como ter 1,75 de altura ou olhos castanhos ou dedos longos. Defeito consiste em excesso: de confiança, de seriedade, de serenidade, de medo e, no meu caso, de profundidade. Uma necessidade incontrolável de ser. Transbordando, preenchendo, afogando. Sendo alguém que se excede em pensamentos dentro de pensamentos e cada vez mais fundo, tendo a achar que qualquer um pode ser assim. Tolice minha.

Pode ser só procura do quê eu já nem sei. No entanto, saber com certeza que eu procuro já me consola porque a sabedoria de algum tempo nos ensina que quem procura acha. E ninguém se anula por isso. A bem da verdade, eu entendo isso agora e só agora. Profundidade não é pra todo mundo, alguns porque não podem e outros porque não querem mesmo. Andar na margem é mais seguro e águas escuras assustam barcos frágeis.

Sereno e reflexivo você continua, alguma coisa em você o acalma. Talvez seja entendimento, talvez conformação. Essa tendência de achar que todos são capazes de atingir determinado ponto desemboca em frustração quando percebe-se que mesmo na diferença, algumas coisas são sempre iguais.

Por Anna Paris*

*No Texto Viajante, Anna Paris relata não só suas experiências – partilhadas com sentimentos universais – mas suas dicas e perspectivas para fenômenos culturais, obras de arte e momentos efêmeros 😉 

Acompanhem-na toda semana! Até a próxima viagem 😉

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