Impressões – Cat Power: SUN

Olá leitores e leitoras do Conceitualidade! Depois de um longo período sem trazer novidades ou textos, retorno baseado no novo álbum da Cat Power, buscando inclusive a reinvenção do próprio blog!

 

Novo ar numa carreira excepcional.

Em Sun, a cantora de voz suave e de estrondoso sucesso graças a sua brilhante carreira e solidificada com seu último álbum “The Greatest” de 2006, retornou aos holofotes não com uma grande mudança em seu trabalho – que diga-se, continua ótimo – mas com uma pegada de elementos eletrônicos até então inéditos ao seu estilo acústico, soturno e emotivo. “Sun” abre com a belíssima faixa Cherokee, traduzindo um duplo sentido amoroso que remete aos problemas que a cantora teve em seu último “casamento”. O Álbum segue com a faixa homônima ao álbum, que lembra bastante o som do Depeche Mode no Álbum “Playing the Angel”. “Ruin” pode ser considerada a faixa mais desbocada da carreira da cantora, com um excelente trocadilho entre o que pode ser considerado “vadiação” e principalmente, indisposição pela quantidade de lugares no qual um indivíduo passa, conturbado e envolvido em sérios problemas. Em “Human Being” a cantora se aproxima um pouco do estilo das cantoras do Duo Coco-Rosie ou da também competente, Bat For Lashes.

Não se engane, por outro lado, pensando que o disco é totalmente alegre, a faixa “Nothin’ But Time”, sintetiza bem o sentimento “blue” que a própria capa do disco apresenta, apesar do arco-íris de novas ideias. O que considero  muito interessante nesse álbum é a mudança e a energizada que a cantora tomou, seja com sentimentos ainda mais ácidos ou com músicas muito enérgicas dentro do que é possível chamar de “enérgico” na vida de Cat Power e isso não era exatamente esperado na sua trajetória. Será muito bom que outros cantores e cantoras se inspirem no exemplo dessa grande artista para trazer um novo frescor à própria carreira, fugindo de armadilhas e repetições que vitimam, por exemplo, Alanis Morissette.

Faixas

01. Cherokee
02. Sun
03. Ruin
04. 3,6,9
05. Always on My Own
06. Real Life
07. Human Being
08. Manhattan
09. Silent Machine
10. Nothin But Time
11. Peace and Love

 

Coluna – Impressões – 8,5

Impressões – Grimes

Olá leitores e leitoras, tudo bem? Na coluna impressões, vocês poderão conhecer um pouco da cantora Grimes, que é sem dúvida a moça na foto acima (rs). Grimes está no patamar das cantoras que perpetua uma atraente estranheza vocal (como Kate Bush começou nos anos 80), além e pelos imensos ecos atmosféricos de suas trilhas e principalmente, pela capacidade de ter se tornado uma figura conhecida. Experimentalismo e criatividade são duas chaves presentes em suas canções.

Mercadologicamente ela é um desafio pois sua proposta é basicamente uma versão da “Björk” mais juvenil. Entretanto, ao contrário da veterana, com seu mais recente álbum, aproximou-se do público de maneira incisiva com seu já considerado hit “Oblivion”.  Se em “Vanessa” sua aparência remetia aos filmes do Tim Burton, com o contrato recém assinado sofreu modificações visíveis, mas jamais sem abandonar seu estilo soturno e porque não dizer misterioso. Se Björk no início dos anos 90 causou um estrondoso barulho pela maneira impressionante com a qual misturava ritmos diversos e que muitos julgavam “improvável” em termos de combinação, Grimes pode ser fruto dessa ousadia aparecendo no cenário POP atual como uma espécie de “Coringa”: não é o que se chama por aí de “Diva POP”, mas também não deixa de ser uma atraente recém formada celebridade.

Ao lado de iamamiwhoami (famosa por suas músicas sem “títulos” comuns e videos “surrealistas”) Claire Boucher – seu nome oficial – calibra a música pop com sonoridades que fogem da mesmice bate estaca que pode assombrar os ouvidos mais sensíveis. Nascida no Canadá, abriu a turnê 2011 da cantora Lykke Li em várias e bem sucedidas apresentações que a projetaram internacionalmente. Divulga seu mais recente Álbum “Visions” que pode ser definido (assim como seu título) como metafísico e bastante agradável.  A doçura e em certa medida infantil voz da cantora é o grande trufo de sua perspectiva artística, ao mesmo tempo que parece uma provocação: de maneira generalista, efeitos vocais são usados exaustivamente na música pop tornando praticamente impossível saber quem está cantado, no caso de Grimes, é possível entender a expressão de uma ideia bastante criativa a partir de seus sons e camadas melódicas.

Definir com argumentos muito diretos não faz jus ou tampouco respeita o trabalho que essa jovem e multi-instrumentista de 23 anos tem executado. Seu álbum está entre um dos melhores desse semestre apesar da já citada estranheza – o que é bom. A sensação de escapismo (mas jamais vulgar) também pode ser uma das razões pela procura e pelo interesse que seus fãs já entenderam como estilo da cantora. Levando em consideração a repetição de provocações desmedidas no cenário musical – de cantoras – Grimes está acima de qualquer discussão que a coloque no meio das já tradicionais “princesinhas” POP que surgiram na tentativa de superar o legado (imbatível) que Madonna ainda sustenta. Se boa parte das cantoras tentam parecer como a veterana do POP, em alguma bizarra comparação, Grimes é tal qual o Ray of Light: sereno, elegante e artisticamente compromissada com o que diz.

Coluna – Impressões – 8,5

Impressões – MDNA!

A Rainha do Pop voltou! Não, não está de volta, nem vou começar o texto dessa forma porque é a coisa mais previsível que a maior parte dos sites nacionais e internacionais, blogs e outros meios de discutir um tema (neste caso o novo disco da Madonna), costumam fazer. Além de tudo, Madonna nunca esteve ausente da grande mídia, seja promovendo sua marca Material Girl em 2011 ou seu filme também no mesmo ano, “W.E.”.

MDNA é o décimo segundo álbum de Madonna que começou sua carreira na década de 80. Se até 2006 ela não estava bem com o conceito “Material Girl” (título da sua famosa música), principalmente pelo clima blasé e não menos poderoso da fase Confessions, agora ela parece abraçar cada etapa que a consagrou com o seu disco mais fragmentado, porém, de momentos extremamente positivos, em boa forma e com leves repetições já vistas em sua carreira. Não seria nada estranho perceber que Madonna correu grandes riscos no álbum, começando por “Girl Gone Wild”, faixa que abre o disco com uma introdução que remete ao Álbum Like a Prayer na canção “Act of Contrition”, entretanto, como apontam as opiniões mais “fanáticas”, esta canção é prato cheio para rádios que tocam hits mais recentes de cantoras que não irão durar trinta anos, como a rainha do POP desafia qualquer um a fazer. Na segunda faixa, temos o grande ponto do álbum em termos de provocação e de intensidade: “Gang Bang”. Co-produção de William Orbit (de Ray of Light – Álbum, 1998), Madonna soa assassina e muito mais profunda se comparada aos sintetizadores simplórios de “GGW”, além de ter convidado para direção do video deste single, na conferência do Álbum promovida através de um canal no youtube e também via Facebook, o ótimo diretor de cinema, Quentin Tarantino. O grande risco da primeira canção, portanto, é justamente transformá-la em uma garota: mas o terreno planejado por ela é sério e a própria tem permissão para fazer isso – além de todo problema envolvendo o site pornográfico Girls Gone Wild que criticou a cantora por ter utilizado essa expressão quando batizou a canção.

Diferente de diversos grupos como Spice Girls ou Backstreet Boys, ou de cantoras como Lady Gaga, que sumiu dos holofotes pós explosão do seu Disco Fame Monster, Madonna continua reciclando sua carreira e seu foco de atuação e lançamento. Se em Born This Way, Gaga prometera lançar o álbum da década (caindo em contradição levando em conta a pressão feita sob o mesmo discurso que destruiu Christina Aguilera e Britney Spears – de que seria necessário “Uma nova Madonna”), mas com videos mal conduzidos, brigas com a gravadora e um ego que parece ter ficado maior que o nariz da cantora, perdeu o foco que a levou a tal grande e merecida fama, explorada em seu primeiro disco – suas interessantes reciclagens e até futurísticas ideias, deram lugar a uma discursiva garota – que mesmo vendendo muito – soa hoje pretensiosa tornando-se vítima do que ganhou, tendo agora que se focar apenas na turnê, além de amargar a vitória da Cantora Adele (uma ressaca pós Amy Winehouse), que abriga um potencial vocal incrível e digno de ter levado todos os prêmios Grammy deste ano.

Com uma excelente apresentação no Superbowl (onde Lançou oficialmente o divertido single Give me All your Luvin’ – com participações de M.I.A. – também em B’day Song e Nick Minaj novamente em I dont Give A – lembrando bastante os elementos que Michael Jackson usou em seu álbum Bad, com forte influência do rock e r&b, muito bem executadas pelo produtor Martin Solveig) Madonna deu o troco que todos esperavam: a maior audiência de um intervalo na história do evento norte-americano, além de computar números maiores que as próprias partidas em toda temporada, contrariando a opinião daqueles que dizem que o espírito da cantora envelheceu  em relação ao boom frenético pós Gaga. É importante ressaltar que são poucos que conseguem chegar aos 53 anos com tamanha relevância, sendo mais enfático, na música POP, não existe ninguém tão vivo e tão ousado como essa cantora, sendo um caso raro de mão de ferro no que diz respeito a sua carreira. Já faz algum tempo que Number one deixou de ser seu propósito essencial, entretanto, ao contrário de alcançar o topo das paradas com apenas uma canção, na pré-venda da Itunes ela atingiu o primeiro lugar em cerca de 50 países, o que é impressionante levando em conta seu último álbum, o regular Hard Candy de 2008 e principalmente, a divulgação produzida apenas na internet e em poucos canais de tv: com entrevistas modestas e sem chamar tanta atenção para si, Madonna mostra que nem tudo requer escândalo ou verborragia e principalmente, a escolha acertada do Superbowl provou que pouco é o suficiente quando se tem um bom álbum em mãos e a já tradicional visão estratégica da Rainha do POP.

Polêmicas do novo álbum: Sexo, violência,  drogas , relacionamentos falidos e nudez!

“Girl Gone Wild” pode não ser a melhor música do disco, tampouco a melhor abertura, mas abre MDNA com bastante energia e não deixa ninguém paralisado quando o assunto é dançar sem preocupações ou com descrições mais profundas. Com participação – no videoclipe – do grupo ucraniano de dança e com alguns singles,  Kazaky,  que utiliza a androginia e um visual preto e branco bastante peculiar: os movimentos não remetem aos passos humanos, numa espécie de mistura de músculos alienígenas e jogos de luzes que podem carregar simbologias eróticas e novamente, Madonna utiliza o que a consagrou: a iconografia própria dos anos 90, com muito couro, nudez, alusões religiosas e mensagens que questionam a moral cristã.

Outro ponto bastante controverso do video, é a cena de masturbação de um dos modelos e a nudez envolvendo este mesmo indivíduo, o que foi suficiente para que o youtube solicitasse a mudança da versão do video no canal Vevo e da própria cantora. O Dj Deadmau5, mais conhecido como “o cara com capacete do Mickey dark”, criticou a postura da cantora num evento ocorrido recentemente no qual ela fez um trocadilho utilizando o termo “MDMA” que é uma outra nomenclatura para designar a droga do amor, o ecstasy. Na música I’m ADDICTED, também uma das melhores do disco MDNA, é possível sentir o escapismo que a cantora emprega e que se relaciona a sensação descrita pelos usuários desta droga: definitivamente, utilizando uma gíria para o título do disco, Madonna sintoniza-se outra vez com as pistas de dança (remetendo inclusive o sentimento da excepcional Get Together do Álbum Confessions on a Dancefloor, 2005) – pela pressa que o nome é dito – e principalmente com o universo virtual, já que o título remete a uma hashtag prestes a ser utilizada. Outro ponto excelente do novo álbum é a arte de capa assinada pela dupla famosa Mert & Marcus, conhecidos por campanhas publicitárias e voltadas ao mercado da moda e pela terceira vez em um disco (Confessions, Hard Candy), do Diretor Criativo, Giovanni Bianco, que aplicou essa camada “canelada” que se assemelha ao clássico estilo de janela de cozinha (rs).

Impressões Finais. 

MDNA é conceitualmente e em termos de produção um banho no último disco que contratualmente Madonna produziu na Warner: Hard Candy. Se ouvirmos com calma, “seu novo DNA” como a própria definiu em recente entrevista, soa uma extensão do Álbum Confessions (principalmente), Music, American Life e do próprio Ray of Light, com o qual ganhou vários prêmios.  Entretanto, seu recente disco, emprega um clima muito mais soturno e urbano, enquanto o Confessions (produzido pelo excelente Stuart Price) era bastante elegante na sonoridade e vanguardista em suas ideias e na conjunção “non-stop”, mesmo soando bastante “Street“, é um dos grandes momentos da carreira da Madonna, enquanto MDNA é um bom recomeço, fragmentando faixa a faixa a ideia de que ela estava usando o melhor de si. Hard Candy não pode ser completamente desmerecido se conhecermos seu contexto e levando em conta seus ótimos momentos – “Beat Goes On”, “Give It 2 Me”, “Candy Shop”, “Milles Away”, “4 Minutes”, “Heartbeat” e “She’s Not Me” – que parece uma prévia de “Some Girls”: o álbum seria uma metáfora feminista, teria o nome original de “Black Madonna” utilizando simbologias  resultantes do imaginário feminino,  como é possível notar na faixa “Animal”, hoje considerada Bside, sendo infelizmente um grande desperdício em termos de qualidade e estando acima de faixas como “Incredible” que se estende de forma repetitiva assim como “Spanish Lesson” soa bastante preguiçosa e com uma ideia bastante oportunista focada obviamente na passagem da cantora pela América do Sul. Como a crítica é baseada em seu mais recente álbum, julgo necessária essa comparação, pois, MDNA é muito superior na sonoridade, nas experimentações de Love Spent com um banjo arrojado no melhor estilo melody de Stevie B dos anos 80 e esta mesma canção soa como uma segunda, assim que a descrição do “amor” na letra, vai se tornando frágil e bastante obscura: méritos típicos de William Orbit e por essa razão Madonna soa muito diferente do que se produz no mercado. Some Girls é extremamente jovem e utiliza sintetizadores vocais que podem confundir os mais desatentos, podendo ser entendido como uma cutucada na cantora Lady Gaga, já que se assemelha bastante com a proposta robótica e com agudos “gélidos” no seguinte trecho:

“Wrap your arms around my neck
It’s time to steal some hugs today
If you wanna play this game with me
I AM not like all the rest
Some girls are second best
Put your loving to the test, you’ll see

Some girls are not like me
I never wanna be like some girls
Some girls are just for free
I never wanna be like some girls”

http://www.vagalume.com.br/madonna/some-girls.html#ixzz1rLO3bxs4

Entretanto, a letra é muito madura e é característica de Madonna, coloca-se em perspectiva/panorama presente, justamente porque ainda que suavemente e de maneira irônica (como é possível também notar o retrato do atual pop em “Give Me All Your Luvin'”), não tem medo de confrontar os artistas que hoje fazem sucesso. “Falling Free” e a já conhecida e premiada faixa “Masterpiece” (Ambas co-produzidas por Orbit), são parte do que acredito que Madonna fará com mais frequência daqui pra frente: baladas românticas. E nesse sentido, ela consegue ser explosiva, ainda que em ritmos muito delicados e foge de qualquer pieguice natural de alguns cantores que exploram tal perspectiva, como também é possível notar em “I Fucked Up”. O único ponto que eu julgo um pouco “Obsoleto” apesar de ser uma boa faixa e muitos podem discordar do que vou dizer é “I’m A Sinner”: essa faixa parece uma mistura do Ray of Light (Álbum) com “Beautiful Stranger”, do mesmo período (1998-2000), o que parece ser uma tacada bastante previsível e um lugar comum e certo de que resultaria em sucesso na perspectiva da cantora. “Turn up the Radio“, produzida pelo divertido Solveig, tinha tudo para ser um carro chefe com garantia de número um em várias listas de revistas que calcularão faixas que serão Hits, por outro lado, Madonna parece estar explorando justamente o inusitado nessa etapa, atraindo a completa atenção para o Álbum e não para os singles mais poderosos que lá estão inseridos, com pontuais bate-papos com os fãs via Twitter, sem “fidelizá-lo” como terreno seu – Olá Lady Gaga – tanto quanto tem divulgado vários videos em seu canal do youtube com bastidores da produção da turnê.

“Superstar” e “Beautiful Killer” soam muito radiofônicas e de fácil assimilação, sendo a primeira uma bela forma de mostrar a união que Madonna tem com a filha Lola e como ambas são sintonizadas, inclusive, artisticamente. Segundo Madge, “Beautiful Killer” é uma homenagem ao ator Alain Delon, do qual, ao lado de Marlon Brando e James Dean, completa uma espécie de “olimpo” de atores dos quais Madonna tem grande admiração e faz o possível para citar enquanto referência. Finalmente, a última faixa “Best Friend” não é o melhor exemplo de sonoridade, sendo bastante experimental e um pouco “oca”, entretanto, a letra é muito passional e bastante sincera, o que talvez – caso seja executada ao vivo – pode ser reconsiderado com outros arranjos na nova turnê que tem o título de “MDNA WORLD TOUR”, prevista para ter início dia 29 de Maio em Israel.  

Como ressaltado, não é o que classifico como “gigantesco momento” em sua carreira, mas este recente lançamento segundo certificações especializadas  já passou das 700 mil cópias vendidas em uma semana, sem contar as versões que foram vendidas junto com alguns ingressos para os shows. Na minha lista de grandes álbuns da cantora, estão Confessions on a Dancefloor, Ray of Light, Erotica, American Life e Like a Prayer: nestes discos, Madonna faz jus ao título de rainha do POP e se em Hard Candy, ela fez um movimento de termino contratual, em sua vida pessoal (com o fim do casamente de 8 anos com Guy Ritchie) e finalmente, a sua saída da Warner, em MDNA, ela assina – com bastante êxito – com a Live Nation, Universal e Interscope, o primeiro grande passo da sua nova re-invenção. Como impressão e talvez indício do tempo no qual vivemos nesta década, cada vez mais, ela aparecerá protegida por camadas estrategicamente bem pensadas para mante-la bonita – já que é natural da cantora desafiar convenções desse gênero – manter-se na mídia (previsivelmente) e principalmente, consistente. Fica provada uma incrível sagacidade, uma ótima e divertida visita aos pontos mais clássicos de sua carreira e uma elegante exibição do seu gene musical.

Impressões: Rica em Detalhes – Nota: 7,5

Coluna: Impressões

O Rei da bagunça!

Olá, tudo bem com vocês?

Usarei esse espaço do blog para relatar o que o próprio título já diz, pequenas observações em filmes, livros, quadrinhos, videoclipes ou discos/singles  lançados ou já clássicos, será seguido de uma crítica, que pode variar entre “rica em detalhes” ou “muito simples”. Essas serão as notas dadas, tentarei iniciar esse processo sem garantias de que isto será “fidelizado”.

Aguardem outras novidades no blog, uma grande etapa de retomada! E os textos que tanto prometo e que finalmente irão ao ar rs.

Abraços e Beijos.

Lady Gaga – Born This Way, Another Way.

Como me recuso a postar a capa terrível do novo disco da cantora, optei apenas pela arte do single, que é muito mais atrativa, mas se parece com o portfólio da Grace Jones, note a fonte.

Não estou aqui para dizer que conheço mercado, músicos, bandas, nomes da música pop ou sonoridades, mas, deixarei, como fiz com o Radiohead, algumas impressões sobre o tão falado disco da Lady Gaga: Born This Way.

Lançado em 23 de maio deste ano, O Disco prometia ser o álbum da década, com tons revolucionários e uma sonoridade completamente diferente, até então produzida pela Mãe Monstro, codinome da Gaga expresso na faixa de mesmo título que o disco. A primeira impressão foi a que ficou, positiva, porém, desorientada, sem foco: Gaga parecia ter finalmente se encontrado enquanto cantora e figura POP relevante, e diferente da sempre citada Madonna, por conta das comparações já cansadas com Express Yourself,  ela perdeu a noção da estrutura básica que seu Álbum parecia carregar: Conceito.

Born This Way prometia contar a chegada de uma raça alienígena à terra, e essa raça, por ser evoluída, não admitia e não conhecia os mesmos preconceitos, julgamentos e a velha rotina sexista de “segmentar” gêneros: Um enredo bem construído no video, com Body Modification, algumas imagens grotescas e bizarras, e a representação da vagina como elemento criador de tudo: O video à primeira vista me lembrou o cinema Underground como em pérolas a lá “Pink Flamingos“, “Liquid Sky” e “Party Monster”, três filmes, por sinal, muito cultuados por Marilyn Manson. Além das simbologias de feminino e masculino, elementos religiosos, e alusões a filmes oitentistas como o famosoXanadu”.  Essas impressões são apenas desconstruções de todo potencial jogado fora pela cantora, sem que houvesse continuidade em seus videoclipes, já que a primeira faixa lançada enquanto single, deixou essa forte impressão.

Deixando de Lado os péssimos videos, “Judas“, “The Edge of Glory” (esse por sinal, com brigas internas na produção da própria Gaga com o diretor do video) e por fim, da balada “ÿou and i”, “BTW” deixa no chinelo seus dois primeiros CDs, cheios de hits chicletes:  “The Fame” e “The Fame Monster“:  Ainda que superficialmente, Born This Way tem o mérito enquanto disco, de parecer pesado, muito bem produzido (bem verdade), e por conter as melhores canções da Gaga até hoje: Destaco, “Goverment Hooker”, “Bloody Mary” (com um forte coral gregoriano entoando o nome da cantora em proporções megalomaníacas), “Scheiße” (a faixa mais obscura do Disco, com citações em alemão) em ritmo frenético que lembra bastante a música “pipapaparopo”, Além da melhor música da carreira da cantora: “Heavy Metal Lover” – se seguir esta linha sonora, provavelmente vai se sair muito bem, além de lembrar bastante o Daft Punk em seus solos e músicas mais famosas.

Infelizmente, ela não é o melhor exemplo de cantora que tem qualidade, mas que se mantem fiel a isso: Não podemos deixar de ignorar o fato que Lady Gaga é uma figura bastante provocativa, ainda que muito saturada, por que, com o mínimo de conhecimento musical, é possível ver claramente,  David Bowie, Madonna, Nina Hagen,  Grace Jones, Cher e Prince em suas criações: é uma reciclagem constante que funciona muito bem nas mentes de meninos e meninas de 13 anos querendo dançar sem parar dentro de casa. De qualquer forma, não deixo de reconhecer os méritos do disco, além de perceber uma forte evolução enquanto artista, ainda que “Electric Chapel” seja muito semelhante a “I Love New York” de Madonna: by the way, ela nasceu assim, em um tempo que permite que isso aconteça e ainda seja visto como “inovador”.

Radiohead e o Baião Internacional!

OBS.: Texto Originalmente Produzido em Fevereiro de 2011 .


Prepare o seu copo de bebida, porque foi sob efeito do álcool que comecei a escrever esse texto, e principalmente, fiquei feliz por dispensar a minha atenção, aos cantores e cantoras pop’s, que indiretamente, acabam dominando nosso dia-dia. Os Agora tios do Radiohead, lançaram a pouco mais de uma semana o Belíssimo “The King of Limbs”, o cd que eu diria, é a oposição ao seu último disco ‘In rainbows’. O último disco, carregava a responsabilidade de ditar uma moda que estava se tornando prática: lançar um disco diretamente para download antes que alguém vazasse o material. O Radiohead pediu para o grande público que pagasse o quanto considerava melhor para o seu orçamento, ou até mesmo, não pagar nada. Muito bom, vindo de uma banda que deixou sua última gravadora, entretanto, esse tipo de iniciativa, prejudica qualquer novo artista(como retirar dinheiro do trabalho que é feito, disponibilizando gratuitamente?), eu, por exemplo, ainda sou adepto do cd, mesmo considerando muito bacana/correta a iniciativa, porém, Thom Yorke e companhia, já estão muito bem, obrigado, com suas finanças.

Mas voltando ao que interessa, o novo disco, apresenta, 03 grandes marcos: O primeiro deles é o susto que tomei ao ouvir “Little By Little” que, junto ao meu amigo Jessé, comentei claramente que se parecia com alguma coisa já produzida pelo mestre brasileiro Luiz Gonzaga. A música tem uma pegada orgânica, meio trovadora, parece vinda de portugal, quem caminha por uma estrada (e o Baião de certa forma, tem sua origem em portugal), O Luiz por sua vez, disseminou o ritmo e a originalidade, com bastante maestria, e isso é digno de ser comentado, porque o Radiohead, Björk, Madonna, e tantos outros artistas que não são brasileiros, consideram a  nossa música, como uma das melhores, se não a mais caprichada no mundo. É bom ver esse tipo de situação, espelhada em bandas que exalam qualidade. A segunda música que destaco do “Limbs…” é “Feral”: se fosse de qualquer outro artista, provavelmente estaria “fadado” ao fracasso. A música é uma junção de ritmos bem marcados, com algo que lembra bastante o disco de sobras de estúdio “Amnesiac” , outra Pérola dos caras. Por fim, a faixa mais bela do disco, se não, a melhor, “Separator”, que fui avisado pela minha amiga Jessy, que deveria ouvir. A música está entre as mais belas composições do Radiohead até hoje.

Karma Police, Creep, Videotape e High and Dry, tem uma nova irmã caçula que é bastante emotiva e visionária. Por hora, esses são os comentários sobre o disco “King of Limbs” do Radiohead, não falarei de Lotus Flower e seu video esquisito com coreografia conceitual (para não dizer improvisada – porque tudo o que o Radiohead lança desde o Ok Computer, é “culturalmente intencionado “- e eu sou fã da banda) porque não é minha favorita do disco, mas é boa. Por hora, é isso. Em breve, todas as continuações dos textos que só tiveram parte I, Abraços.

Lady Gaga e a Previsibilidade do Imprevisível POP – Parte I

Lady Stardust

Por volta de 2009, um amigo no msn me passa uma imagem, de uma até então desconhecida garota de nome “Lady Gaga”: a foto fazia alusão à uma outra imagem: David Bowie na fantástica fase Ziggy Stardust/Aladdin Sane. Um raio azul pintado em um dos olhos. Deixo claro de antemão que não sou fã da cantora, entretanto, em tempos de internet, é inevitável não acompanhar o trabalho de quem quer que seja (que está na mídia) com a quantidade de sites, inclusive o msn, que transmitem informações ou notícias sobre os artistas. Então, estou aqui para falar de um esquema muito antigo, comum, corriqueiro, previsível, mas não por isso, menos lucrativo, que responde pelo nome de reciclagem de referências ou uma simples alusão. Lady Gaga (agora sem aspas), certamente conseguiu ostentar o que muitos artistas querem, ou já conseguiram, neste patamar, está o Já citado Bowie, Grace Jones, Madonna, e o Rei do POP Michael Jackson: o grande criador disso tudo. Estamos em 2011, Madonna, apareceu evidentemente em 1984, em cima de um bolo de noiva, cantando Like a Virgin: um tabu social estava se transformando em fórmula comercial, ou seja, o conflito entre moral familiar (não falar de virgindade ou sexualidade feminina), somada à uma MTV precisando do público jovem: vale atentar que essa noção de emissora jovem, não existia na época em que Madonna explodiu, antes dela apenas Cher e Tina Turner eram os grandes ícones femininos que “depravariam” qualquer ambiente onde estivessem, e a identificação através da moda, penteado, eram mais comuns à cantores do que cantoras, e Madonna conseguiu gerar isso para si.

Hoje temos a Lady Gaga, fazendo exatamente o que Madonna planejou e diferente da Gaga, Madonna não tinha o mesmo preparo musical que Lady Gaga hoje parece ter (as apresentações da cantora sempre são acompanhadas de uma grande banda, excelente produção visual e de marketing, e uma boa formação técnica – toca piano muito bem). Formada em belas artes em Nova York, Gaga conhece o território onde está pisando, deixando para trás o passado de compositora para tomar à frente do conflito que quero discutir na continuação desse texto: mercado x arte. Como apontado, os grandes artistas da música POP, estabeleceram no contexto das suas músicas, videos, turnês e outras manifestações, o simbolismo de “ícone” (espaço que com dois discos, Lady Gaga, com muito trabalho, também conseguiu agarrar), que também é uma imagem garantida pela ideia de transmitir através da música o “cinema” ou qualquer alusão geral às artes: “Thriller”, famoso Videoclipe de Michael Jackson é o melhor exemplo disso: um curta-metragem, com uma história dentro da estória, que lembra bastante o trabalho do cineasta Dario Argento no seu filme “Suspiria”. Lady Gaga por sua vez, através de “Bad Romance”, incorporou elementos de “2001 – Uma odisseia no Espaço” de Stanley Kubrick, com figurino arrojado do hoje falecido estilista Alexander Mcqueen (Grande parceiro da cantora Björk).

Momento em quê ocorre um dos poucos diálogos do filme 2001. Talvez, uma das interpretações que a cantora absorveu para suas músicas. Subjetividade (tema polêmico em filosofia), ou mera ilustração da cultura da imagem? (No quesito Lady gaga?).

Simplicar essas referências, apenas elucida o que um bom cantor pop necessita, somado à qualquer escândalo na mídia que este precisa criar: alguns afirmam que tais reproduções são fantásticas, simples e puramente, porque o que está sendo feito trata-se de “arte pura dentro da pop arte”, entretanto, podemos identificar como já afirmado, uma fórmula simples de mercado que não é vista por todos, mas que continua, “mascaradamente”, sendo bem utilizada.

Se por um lado Lady Gaga tem o excelente preparo que a cantora Madonna não teve no começo da sua carreira, Madonna carrega o mérito de ter transmitido um conceito muito semelhante ao de Michael Jackson com pioneirismo (não estou afirmando que Lady Gaga não carrega méritos, entretanto, comparando rapidamente numa pesquisa no Google o que ela faz, com o que já FOI FEITO por Grace Jones, descaracteriza o que muitos hoje apontam como “inovação” ou “vanguardismo”) que pode ser exemplificado por sua sagacidade e reinvenção constante na própria imagem.  O ponto favorável à visão da Gaga, é que possivelmente, sua maneira de trabalhar, mistura referências, fazendo uma grande reciclagem, o que é impactante para uma geração que necessita de imagens em corte rápidos, frames e não mais que acesso, entretanto, essas referências que sofrem “mutação” por parte da cantora, são antigas, ainda que ela seja a responsável por “mudar” o contexto.

 Levando em conta, a confusão causada pelo conflito arte e mercado, e pela reprodução de um artista que hoje utiliza a internet, podemos questionar, em qual patamar ou meio, a criatividade pode ser identificada nesse contexto? Ou até que ponto, esse tipo de manifestação, “realmente”, apresenta-se como libertadora e não puramente comercial?

Obviamente que o amadurecimento do artista é apontado como tempo que este tem de carreira, entretanto, não posso concordar com isso, levando em consideração que o tempo em quê se passa na produção de uma “Obra” ou de um simples produto, hoje, é muito bem acompanhado na maior parte dos casos, por uma equipe que conhece táticas, imagens e produtos que devem ser (re)transmitidos pela massificação. E esse conflito, bastante antigo e que ganhou força principalmente no final da segunda guerra mundial, parece, por um lado, descaracterizar a propriedade artística de uma manifestação/obra; Por outro lado, muitas obras de arte (conceito subjetivo que cada um pode entender como bem cabe a si), ganharam ou garantiram desde o seu lançamento/exposição, uma grande demanda de pedidos, não porque são descartáveis, entretanto, por que quebraram a barreira da simples “popularidade”, para atingir o que se chama “Inconsciente Coletivo”.

O problema em Lady Gaga  desde o seu lançamento, responde pela não identificação de um público acima dos  40 anos: esta faixa de idade (ao menos tomo como exemplo meus pais) assimila às suas músicas e suas aparições, não pela qualidade, mas pela capacidade de exposição: e a MTV, que uma vez, precisou de um escândalo com a Madonna, hoje, necessita de um escândalo com a Lady Gaga – eu posso ser hoje o cara “chato” que não gosta da cantora e que lá na frente poderá ser visto, obrigatoriamente, como uma pessoa que duvidou da sua durabilidade no mercado. Hoje, acompanho atento o que a cantora faz, e devo questionar a partir desse olhar “apontado como inovador” cada movimento, pois é isso que serve de base para tirar conclusões: o impacto, o choque com aquilo que é estranho, independente das questões envolvidas nos bastidores, é isso que fortalece qualquer debate. À frente, a segunda parte deste texto, contemplando a nova etapa da Cantora, Born This Way.

Editado em 23 de Maio de 2011!

Pequenas Impressões Sobre um Tempo “Erótico”

Olá, tudo bem? Começo esse blog com o propósito de comentar, divulgar ou melhor entender Obras, Músicas, Filmes da cultura POP ou não tão POP mundiais. Um dos temas mais recorrentes em termos de pesquisa para mim, é a cantora Madonna. Meus amigos sabem o quanto sou admirador da cantora, pela sua contribuição musical, por clipes como “Bedtime Stories” , “Frozen” e outras Obras já produzidas por ela.

Se já perceberam, ela será o tema de abertura do Blog. Minha relação com Madonna é antiga: Minha mãe costumava ouvir durante sua juventude os maiores sucessos da cantora: True Blue, Like A Prayer, entre outros singles que eram executados com frequência aqui em casa, e por isso acredito que acabei gostando desde cedo, não só dela, mas de boa música. Por volta de 1990 a 1993, a televisão ainda era bastante obscura, dava um certo medo, também, eu era criança, só pode, mas uma figura feminina assustava não só a mim, como a todo o mundo: Dita, a célebre imagem/personificação Erotica da Madonna, assustou o mundo com sua metáfora a cerca da sexualidade e também, da Aids. O Boom relacionado aos homossexuais na época, criou um estigma muito intenso, e durante esse período, ninguém menos que Madonna enfrentou o mercado, seus princípios e as pessoas. Esse CD é apontado como um dos mais polêmicos da história da música, também pudera: a Hipocrisia mercadológica que foi tema central da perspectiva da cantora, foi derrubada com seu forte apelo sexual e também, pelo seu livro “Sex”, hoje esgotado e que possui alto valor de leilão. A obra “Erotica” é muito mal interpretada, pois Madonna não só questionou o valor “sexual” do indivíduo em  relações mais íntimas, como também resgatou a beleza que houve entre as décadas de 40 a 70 (principalmente) na pornografia. Ao contrário de afastar as pessoas do sexo com um possível sentimento de culpa, ela re-aproximou aqueles que gostariam de viver suas fantasias plenamente, sem deixar de lado, em momento algum, a forte sintonia entre sexo e amor, pornografia e amor: Parece estranho que as duas coisas estejam ligadas, mas ao interpretar Dita, Madonna mandou uma bela resposta ao machismo: “Que a “Mulher” (todo o caráter alvo do Machismo na época – Homossexuais, prostitutas, etc) ame a si, que seja dona do que sente, e que não dependa da permissão de outros para sentir prazer, ame, é isso. E eu não sou, o que se espera”. Com essa adaptação (que acabei de fazer) de vários trechos de suas músicas, fica claro que essa figura, de uma maneira ou de outra, estaria de fato eternizada.

Madonna Sex Book 1992 (6)

Com breves impressões sobre seu papel social, deixo esse post como base para os próximos que vão tratar não apenas de Madonna, ou só dessa sua fase. Por enquanto, é só isso. E entre as velharias que estão aí até hoje, essa é uma das que mais merece nosso valor.
Viva Madonna.