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Impressões

Qualquer coisa que nos cause uma impressão é algo que fica, pra sempre, na memória. Tudo bem. Eu posso explicar melhor, mas como isso é algo que eu inventei e defini, não sei se ficará completamente esclarecido, tendo em vista o tanto de água que movem as pás dos meus moinhos, caro leitor, você não deve me censurar por aqui me desculpar, antecipadamente, pelas loucuras que vão ao meu pensamento, se eu o faço é para poupar-lhe paciência, coisa que em mim, geralmente falta muito. Mas vamos lá… Impressões são sentimentos inesperados, que surgem em determinada situação, e que você não consegue definir na hora sobre o que é ou porque sente, no entanto, será algo que você sempre lembrará. É comum que as pessoas confundam isso com “amor à primeira vista”, mas não é esse o caso. Na verdade as pessoas confundem muita coisa com amor, e se eu for ficar aqui escrevendo sobre isso, entro por outro tema e esqueço sobre do que vim escrever. E eu, realmente, gostaria de falar sobre as impressões.

É comum que isto de impressão esteja associado à imagem. “A primeira impressão é a que fica.” Não estou falando disso também. Essa urgência toda em definir alguém pela primeira impressão é uma coisa que todo mundo faz numa tentativa desesperada de conhecer o outro rápido. Todo mundo tem pressa e assuntos mais importantes pra resolver, conhecer leva tempo e tempo é dinheiro e eu preciso fazer muito, agora, já! E o desespero faz sua apresentação. Assim, permanece a historinha da primeira impressão ser a única e verdadeira. Vamos generalizar pra facilitar o entendimento das coisas, mas as pessoas esquecem que as coisas não são fáceis de entender e que ao menos que você ponha seus miolos lá por um tempo, nenhuma das suas questões serão resolvidas de maneira satisfatória.

Exemplificando: Eu lembro até hoje do que eu senti quando eu vi Freddie Mercury pela primeira vez. Eu tava na mesa com a minha mãe e tava passando o clipe da música “I Want Break Free”, eu estava prestes a mudar de canal quando minha mãe disse: “Deixa aí, a gente cantava essa música no meu curso de inglês”. Tinha alguma coisa na voz, um tom diferente, que fez com que eu quisesse assistir ao clipe também. Só que, eu pequena, achei a aparência do vídeo antiga, e pensava: “Cara, nada de bom, pode vim disso, isso é muito velho.” Até que Freddie Mercury entrou na sala, de sapato de salto fino, meia-calça preta, saia de couro, blusinha rosa e bigode e deu uma piscadinha pra mim. E eu: =O. Eu achei que aquele homem podia fazer qualquer coisa. Ele tava fantasiado de Drag Queen de cabelinho Channel, e, ainda assim, era um dos homens mais másculos que já tinha visto. Eu me lembro disso até hoje porque isso me causou uma impressão, agora deu pra entender?

Todo mundo tem impressões guardadas consigo mesmo, às vezes, por não ter de sobra o maldito tempo, esquecessem-se de compartilhar com os seus. E quantas coisas legais e interessantes deixam de conversar os amigos, os familiares, os namorados, os vizinhos… Algumas impressões são ruins. Mas acredito que essas precisam ser lembradas para que não possamos errar de novo. E elas precisam ficar lá ao lado das boas impressões, para que possamos saber quão boa as impressões boas o foram. E outras permanecem, ainda que não tenham acontecido recentemente. Mas permanecem porque foram fortes e porque você as mantêm sem nem saber por quê. Às vezes, essas impressões nos foram transmitidas por um olhar, às vezes, por um sorriso, ou às vezes pelo Freddie Mercury travestido. Às vezes é um toque, uma palavra, um cheiro, uma música, uma história contada de um jeito especial, ou uma mão no ombro quando você se desfaz em prantos, ou uma maneira especial de ficar parado em pé… E são dessas coisas que nós nos lembramos, que nos mantemos e que nos passam despercebidas na maioria das vezes.
As impressões nos sustentam, e na maioria das vezes, estamos muito apressados pela leitura superficial das coisas pra notar quando uma está acontecendo. Ainda que seja uma agora. Nesse exato momento.

*Anna Paris é escritora, formada em Letras pela Fundação de Ensino Superior de Olinda – PE. Quando bate na telha, vai pra Irlanda passar umas férias, adora maratonas de Harry Potter e escreve semanalmente este Texto Viajante!

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Sobre ser o Ser

Meu maior defeito, e não sei se me aproprio corretamente do nome tendo em vista que defeitos fazem parte daquele lado da alma que não gostamos de encarar por conter verdades que dão pra controlar, talvez seja que eu sou profundo demais.

Vista as palavras daqui de cima chego à conclusão de que ser profundo ou não, não é algo que caracterize defeito. É mais como uma parte do seu corpo, uma coisa que você é porque você é. Como ter 1,75 de altura ou olhos castanhos ou dedos longos. Defeito consiste em excesso: de confiança, de seriedade, de serenidade, de medo e, no meu caso, de profundidade. Uma necessidade incontrolável de ser. Transbordando, preenchendo, afogando. Sendo alguém que se excede em pensamentos dentro de pensamentos e cada vez mais fundo, tendo a achar que qualquer um pode ser assim. Tolice minha.

Pode ser só procura do quê eu já nem sei. No entanto, saber com certeza que eu procuro já me consola porque a sabedoria de algum tempo nos ensina que quem procura acha. E ninguém se anula por isso. A bem da verdade, eu entendo isso agora e só agora. Profundidade não é pra todo mundo, alguns porque não podem e outros porque não querem mesmo. Andar na margem é mais seguro e águas escuras assustam barcos frágeis.

Sereno e reflexivo você continua, alguma coisa em você o acalma. Talvez seja entendimento, talvez conformação. Essa tendência de achar que todos são capazes de atingir determinado ponto desemboca em frustração quando percebe-se que mesmo na diferença, algumas coisas são sempre iguais.

Por Anna Paris*

*No Texto Viajante, Anna Paris relata não só suas experiências – partilhadas com sentimentos universais – mas suas dicas e perspectivas para fenômenos culturais, obras de arte e momentos efêmeros 😉 

Acompanhem-na toda semana! Até a próxima viagem 😉

Atualização!

Casemancer: A Happy Botot

Olá Leitores e Leitoras, tudo bem?

Como impressiona a passagem do tempo! Nem parece que não atualizo este blog a quase um ano, mas, estou motivado a tentar. Começando por sua nova aparência e pelas próximas abordagens. Trarei o apoio de alguns colaboradores, sobre os mais variados temas e conto com a paciência e apoio de sempre para que sejamos um sucesso!

A Coluna impressões retorna com séries que estão sendo exibidas. Diversos especiais literários serão produzidos. Posso adiantar que um dos primeiros será sobre Ficção Científica!

É com muita alegria que agora tento profissionalizar ainda mais este espaço, respeitando o tempo de vocês e tentando me dedicar com mais afinco ao que tanto me interessa!

Muito Obrigado,

Casemancer,
A Happy Robot. 

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Uma deliciosa crônica do nosso tempo é o recém-lançado livro de Bellotto pela Companhia das Letras – Por Roberta Carmona. 

A Coluna Rápida Edição, traça um breve olhar sobre livros da Literatura Nacional!

Zé Roberto e Chica vão comemorar dezoito anos de casamento, mas existe um empecilho bem palpável: o maior congestionamento já registrado no Rio de janeiro – e outro que vai muito além da horda de carros na Linha Vermelha -, o casal está em uma encruzilhada moral do seu tempo. Ele perdido de amores por uma teenager proveniente do facebook (como um homem de quarenta anos não se perturbaria por uma cyber-lolita de refinado gosto a contrastar com as frivolidades de sua idade?). E ela em um iniciado romance com um colega de trabalho onde o forte do affair ultrapassa o desajeitado e raro sexo entre o casal. Será que neste atordoante trânsito a la Cortázar – autor do Jogo da Amarelinha – eles irão resolver seus conflitos? Bellotto conduz a ágil história que poderia cair facilmente no lugar-comum com uma leveza e humor que contagia leitores da primeira à última página.

Impressões: Morte Súbita – J.K.Rowling

J.K.Rowling com seu novo livro: Morte Súbita!

Depois de cinco anos desde que Harry Potter terminou, na altura de agosto de 2012, J.K.ROWLING quebrou seu silêncio em relação ao que estava por vir. Densa é a sua visão sobre os conflitos humanos, ainda que a “inocente” metáfora do mundo bruxo para falar de questões mais inóspitas, tenha sido por tanto tempo sua marca registrada.

No original “The Casual Vacancy” (“Morte Súbita”) isso não é o que acontece: Não temos bruxos ou bruxas, não presenciamos tanta bondade e proteção, não temos um lugar especial nos aguardando e que nos faz sentir bem vindos:  casas são bagunçadas, pouco acessíveis, adolescentes estão expostos aos mais variados e corriqueiros problemas da idade, disseminando portanto a fraqueza que é reflexo da ignorância de adultos muito mal preparados. Uma clínica focada em dependentes de álcool e outras drogas é motivo constante de críticas do conselho da cidade, que é a grande protagonista da história, talvez, situando o mais saudoso leitor à visão de que Hogwarts também já foi um lugar para enaltecer.

Barry Fairbrother é um importante “Político” que cuida do mediano e conservador condado de pagford. Sua responsabilidade com todas as questão é visível, causando através de seu compromisso e bons sentimentos, inveja em alguns e forte admiração e respeito em outros. J.K. utiliza a figura popular (entretanto, jamais perfeita) de um homem comum, preocupado com a jovem e bem desenvolvida personagem Krystal Weedon – e tais preocupações custaram-lhe a vida com um aneurisma. Sua esposa e filhos ficam desamparados logo no primeiro capítulo e autora não deixa qualquer tipo de espaço para sentimentalismo, suporte ou sensibilidade. A crueldade e o ódio são dois pontos essenciais em “Morte Súbita” , tornando a ideia de “vacância” ou espaço que precisa ser ocupado uma constatação primorosa do vazio existencial e da infelicidade predominantes à cada personagem.

É muito interessante visitar o humor e a acidez de J.K.Rowling outras vezes ao longo das quase 502 páginas. Eu que caminho em uma grande correria, dividindo trabalho e perspectivas artísticas, me surpreendi por ter conseguido terminar tão rápido seu novo livro e posso atestar que sua visão e dedicação enquanto autora rendeu-lhe uma direção muito mais ousada, já que preferiu sair do lugar comum com uma única obra fechada, muito bem desenvolvida em seus conflitos, além de colocá-la definitivamente entre as grandes autoras dessa nova década dos anos 2000.

Morte Súbita: Grande Livro!

PERSONAGENS

Não há como não associar a quantidade de personagens deste livro a mesma quantidade da série Harry Potter. Por outro lado, se na série do Bruxo, temíamos a morte daqueles mais carismáticos, J.K.Rowling não poupa ninguém em sua nova visão fictícia. Pessoas usam drogas, sim e isso é real. Adolescentes sofrem violência doméstica e sexual, sim, isso é real. Aos olhos de uma perspectiva mais simplória, seria resolvido com queixas ou perdão. O perdão até faz parte de um dos principais enredos, focado no garoto Andrew, por outro lado, é possível notar que o rancor é a principal motivação para que o silêncio e a resignação sejam o modo de vida mais acessível. Numa vizinhança cheia de peculiaridades, a fofoca, as intrigas, o desejo de uma vizinha pelo marido de outra, e a agressão do filho contra pais que não mereciam, tornam “Morte Súbita” uma obra muito relevante, abordando dentro destas pequenas fraquezas, questões mais sérias como preconceito racial e a vislumbrada e pouco tolerável classe média britânica – que obviamente não é uma regra, mas vindo de J.K.Rowling que sempre evidenciou a diferença entre o que é ser “um bruxo de sangue puro” ou um mero “trouxa”,  era esperado ser visto, já que seu país e histórico pessoal clamam para criticar essa terrível questão.

A única coisa da qual senti realmente falta neste novo livro, foi o desenvolvimento de algumas personagens e maior tempo nas questões de outros: o leitor perceberá que pela quantidade de tramas, naturalmente, as questões mais relevantes sobressaem sem maiores enrolações ou problemas.  Morte Súbita é um livro que recomendo, é um novo passo da J.K.Rowling rumo à maturidade de estilo e a consagração de uma autora que não mais precisa provar ou escrever, mas que por amor e dedicação ao seu público, decidiu ignorar o que já conquistou admitindo que com tal desafio, fez um bom trabalho!

Recomendo!

“Morte Súbita” (“The Casual Vacancy”)
Editora: Nova Fronteira.
Preço, 39,90 (www.submarino.com.br)

Impressões, Nota: 8,5.

Impressões – MDNA!

A Rainha do Pop voltou! Não, não está de volta, nem vou começar o texto dessa forma porque é a coisa mais previsível que a maior parte dos sites nacionais e internacionais, blogs e outros meios de discutir um tema (neste caso o novo disco da Madonna), costumam fazer. Além de tudo, Madonna nunca esteve ausente da grande mídia, seja promovendo sua marca Material Girl em 2011 ou seu filme também no mesmo ano, “W.E.”.

MDNA é o décimo segundo álbum de Madonna que começou sua carreira na década de 80. Se até 2006 ela não estava bem com o conceito “Material Girl” (título da sua famosa música), principalmente pelo clima blasé e não menos poderoso da fase Confessions, agora ela parece abraçar cada etapa que a consagrou com o seu disco mais fragmentado, porém, de momentos extremamente positivos, em boa forma e com leves repetições já vistas em sua carreira. Não seria nada estranho perceber que Madonna correu grandes riscos no álbum, começando por “Girl Gone Wild”, faixa que abre o disco com uma introdução que remete ao Álbum Like a Prayer na canção “Act of Contrition”, entretanto, como apontam as opiniões mais “fanáticas”, esta canção é prato cheio para rádios que tocam hits mais recentes de cantoras que não irão durar trinta anos, como a rainha do POP desafia qualquer um a fazer. Na segunda faixa, temos o grande ponto do álbum em termos de provocação e de intensidade: “Gang Bang”. Co-produção de William Orbit (de Ray of Light – Álbum, 1998), Madonna soa assassina e muito mais profunda se comparada aos sintetizadores simplórios de “GGW”, além de ter convidado para direção do video deste single, na conferência do Álbum promovida através de um canal no youtube e também via Facebook, o ótimo diretor de cinema, Quentin Tarantino. O grande risco da primeira canção, portanto, é justamente transformá-la em uma garota: mas o terreno planejado por ela é sério e a própria tem permissão para fazer isso – além de todo problema envolvendo o site pornográfico Girls Gone Wild que criticou a cantora por ter utilizado essa expressão quando batizou a canção.

Diferente de diversos grupos como Spice Girls ou Backstreet Boys, ou de cantoras como Lady Gaga, que sumiu dos holofotes pós explosão do seu Disco Fame Monster, Madonna continua reciclando sua carreira e seu foco de atuação e lançamento. Se em Born This Way, Gaga prometera lançar o álbum da década (caindo em contradição levando em conta a pressão feita sob o mesmo discurso que destruiu Christina Aguilera e Britney Spears – de que seria necessário “Uma nova Madonna”), mas com videos mal conduzidos, brigas com a gravadora e um ego que parece ter ficado maior que o nariz da cantora, perdeu o foco que a levou a tal grande e merecida fama, explorada em seu primeiro disco – suas interessantes reciclagens e até futurísticas ideias, deram lugar a uma discursiva garota – que mesmo vendendo muito – soa hoje pretensiosa tornando-se vítima do que ganhou, tendo agora que se focar apenas na turnê, além de amargar a vitória da Cantora Adele (uma ressaca pós Amy Winehouse), que abriga um potencial vocal incrível e digno de ter levado todos os prêmios Grammy deste ano.

Com uma excelente apresentação no Superbowl (onde Lançou oficialmente o divertido single Give me All your Luvin’ – com participações de M.I.A. – também em B’day Song e Nick Minaj novamente em I dont Give A – lembrando bastante os elementos que Michael Jackson usou em seu álbum Bad, com forte influência do rock e r&b, muito bem executadas pelo produtor Martin Solveig) Madonna deu o troco que todos esperavam: a maior audiência de um intervalo na história do evento norte-americano, além de computar números maiores que as próprias partidas em toda temporada, contrariando a opinião daqueles que dizem que o espírito da cantora envelheceu  em relação ao boom frenético pós Gaga. É importante ressaltar que são poucos que conseguem chegar aos 53 anos com tamanha relevância, sendo mais enfático, na música POP, não existe ninguém tão vivo e tão ousado como essa cantora, sendo um caso raro de mão de ferro no que diz respeito a sua carreira. Já faz algum tempo que Number one deixou de ser seu propósito essencial, entretanto, ao contrário de alcançar o topo das paradas com apenas uma canção, na pré-venda da Itunes ela atingiu o primeiro lugar em cerca de 50 países, o que é impressionante levando em conta seu último álbum, o regular Hard Candy de 2008 e principalmente, a divulgação produzida apenas na internet e em poucos canais de tv: com entrevistas modestas e sem chamar tanta atenção para si, Madonna mostra que nem tudo requer escândalo ou verborragia e principalmente, a escolha acertada do Superbowl provou que pouco é o suficiente quando se tem um bom álbum em mãos e a já tradicional visão estratégica da Rainha do POP.

Polêmicas do novo álbum: Sexo, violência,  drogas , relacionamentos falidos e nudez!

“Girl Gone Wild” pode não ser a melhor música do disco, tampouco a melhor abertura, mas abre MDNA com bastante energia e não deixa ninguém paralisado quando o assunto é dançar sem preocupações ou com descrições mais profundas. Com participação – no videoclipe – do grupo ucraniano de dança e com alguns singles,  Kazaky,  que utiliza a androginia e um visual preto e branco bastante peculiar: os movimentos não remetem aos passos humanos, numa espécie de mistura de músculos alienígenas e jogos de luzes que podem carregar simbologias eróticas e novamente, Madonna utiliza o que a consagrou: a iconografia própria dos anos 90, com muito couro, nudez, alusões religiosas e mensagens que questionam a moral cristã.

Outro ponto bastante controverso do video, é a cena de masturbação de um dos modelos e a nudez envolvendo este mesmo indivíduo, o que foi suficiente para que o youtube solicitasse a mudança da versão do video no canal Vevo e da própria cantora. O Dj Deadmau5, mais conhecido como “o cara com capacete do Mickey dark”, criticou a postura da cantora num evento ocorrido recentemente no qual ela fez um trocadilho utilizando o termo “MDMA” que é uma outra nomenclatura para designar a droga do amor, o ecstasy. Na música I’m ADDICTED, também uma das melhores do disco MDNA, é possível sentir o escapismo que a cantora emprega e que se relaciona a sensação descrita pelos usuários desta droga: definitivamente, utilizando uma gíria para o título do disco, Madonna sintoniza-se outra vez com as pistas de dança (remetendo inclusive o sentimento da excepcional Get Together do Álbum Confessions on a Dancefloor, 2005) – pela pressa que o nome é dito – e principalmente com o universo virtual, já que o título remete a uma hashtag prestes a ser utilizada. Outro ponto excelente do novo álbum é a arte de capa assinada pela dupla famosa Mert & Marcus, conhecidos por campanhas publicitárias e voltadas ao mercado da moda e pela terceira vez em um disco (Confessions, Hard Candy), do Diretor Criativo, Giovanni Bianco, que aplicou essa camada “canelada” que se assemelha ao clássico estilo de janela de cozinha (rs).

Impressões Finais. 

MDNA é conceitualmente e em termos de produção um banho no último disco que contratualmente Madonna produziu na Warner: Hard Candy. Se ouvirmos com calma, “seu novo DNA” como a própria definiu em recente entrevista, soa uma extensão do Álbum Confessions (principalmente), Music, American Life e do próprio Ray of Light, com o qual ganhou vários prêmios.  Entretanto, seu recente disco, emprega um clima muito mais soturno e urbano, enquanto o Confessions (produzido pelo excelente Stuart Price) era bastante elegante na sonoridade e vanguardista em suas ideias e na conjunção “non-stop”, mesmo soando bastante “Street“, é um dos grandes momentos da carreira da Madonna, enquanto MDNA é um bom recomeço, fragmentando faixa a faixa a ideia de que ela estava usando o melhor de si. Hard Candy não pode ser completamente desmerecido se conhecermos seu contexto e levando em conta seus ótimos momentos – “Beat Goes On”, “Give It 2 Me”, “Candy Shop”, “Milles Away”, “4 Minutes”, “Heartbeat” e “She’s Not Me” – que parece uma prévia de “Some Girls”: o álbum seria uma metáfora feminista, teria o nome original de “Black Madonna” utilizando simbologias  resultantes do imaginário feminino,  como é possível notar na faixa “Animal”, hoje considerada Bside, sendo infelizmente um grande desperdício em termos de qualidade e estando acima de faixas como “Incredible” que se estende de forma repetitiva assim como “Spanish Lesson” soa bastante preguiçosa e com uma ideia bastante oportunista focada obviamente na passagem da cantora pela América do Sul. Como a crítica é baseada em seu mais recente álbum, julgo necessária essa comparação, pois, MDNA é muito superior na sonoridade, nas experimentações de Love Spent com um banjo arrojado no melhor estilo melody de Stevie B dos anos 80 e esta mesma canção soa como uma segunda, assim que a descrição do “amor” na letra, vai se tornando frágil e bastante obscura: méritos típicos de William Orbit e por essa razão Madonna soa muito diferente do que se produz no mercado. Some Girls é extremamente jovem e utiliza sintetizadores vocais que podem confundir os mais desatentos, podendo ser entendido como uma cutucada na cantora Lady Gaga, já que se assemelha bastante com a proposta robótica e com agudos “gélidos” no seguinte trecho:

“Wrap your arms around my neck
It’s time to steal some hugs today
If you wanna play this game with me
I AM not like all the rest
Some girls are second best
Put your loving to the test, you’ll see

Some girls are not like me
I never wanna be like some girls
Some girls are just for free
I never wanna be like some girls”

http://www.vagalume.com.br/madonna/some-girls.html#ixzz1rLO3bxs4

Entretanto, a letra é muito madura e é característica de Madonna, coloca-se em perspectiva/panorama presente, justamente porque ainda que suavemente e de maneira irônica (como é possível também notar o retrato do atual pop em “Give Me All Your Luvin'”), não tem medo de confrontar os artistas que hoje fazem sucesso. “Falling Free” e a já conhecida e premiada faixa “Masterpiece” (Ambas co-produzidas por Orbit), são parte do que acredito que Madonna fará com mais frequência daqui pra frente: baladas românticas. E nesse sentido, ela consegue ser explosiva, ainda que em ritmos muito delicados e foge de qualquer pieguice natural de alguns cantores que exploram tal perspectiva, como também é possível notar em “I Fucked Up”. O único ponto que eu julgo um pouco “Obsoleto” apesar de ser uma boa faixa e muitos podem discordar do que vou dizer é “I’m A Sinner”: essa faixa parece uma mistura do Ray of Light (Álbum) com “Beautiful Stranger”, do mesmo período (1998-2000), o que parece ser uma tacada bastante previsível e um lugar comum e certo de que resultaria em sucesso na perspectiva da cantora. “Turn up the Radio“, produzida pelo divertido Solveig, tinha tudo para ser um carro chefe com garantia de número um em várias listas de revistas que calcularão faixas que serão Hits, por outro lado, Madonna parece estar explorando justamente o inusitado nessa etapa, atraindo a completa atenção para o Álbum e não para os singles mais poderosos que lá estão inseridos, com pontuais bate-papos com os fãs via Twitter, sem “fidelizá-lo” como terreno seu – Olá Lady Gaga – tanto quanto tem divulgado vários videos em seu canal do youtube com bastidores da produção da turnê.

“Superstar” e “Beautiful Killer” soam muito radiofônicas e de fácil assimilação, sendo a primeira uma bela forma de mostrar a união que Madonna tem com a filha Lola e como ambas são sintonizadas, inclusive, artisticamente. Segundo Madge, “Beautiful Killer” é uma homenagem ao ator Alain Delon, do qual, ao lado de Marlon Brando e James Dean, completa uma espécie de “olimpo” de atores dos quais Madonna tem grande admiração e faz o possível para citar enquanto referência. Finalmente, a última faixa “Best Friend” não é o melhor exemplo de sonoridade, sendo bastante experimental e um pouco “oca”, entretanto, a letra é muito passional e bastante sincera, o que talvez – caso seja executada ao vivo – pode ser reconsiderado com outros arranjos na nova turnê que tem o título de “MDNA WORLD TOUR”, prevista para ter início dia 29 de Maio em Israel.  

Como ressaltado, não é o que classifico como “gigantesco momento” em sua carreira, mas este recente lançamento segundo certificações especializadas  já passou das 700 mil cópias vendidas em uma semana, sem contar as versões que foram vendidas junto com alguns ingressos para os shows. Na minha lista de grandes álbuns da cantora, estão Confessions on a Dancefloor, Ray of Light, Erotica, American Life e Like a Prayer: nestes discos, Madonna faz jus ao título de rainha do POP e se em Hard Candy, ela fez um movimento de termino contratual, em sua vida pessoal (com o fim do casamente de 8 anos com Guy Ritchie) e finalmente, a sua saída da Warner, em MDNA, ela assina – com bastante êxito – com a Live Nation, Universal e Interscope, o primeiro grande passo da sua nova re-invenção. Como impressão e talvez indício do tempo no qual vivemos nesta década, cada vez mais, ela aparecerá protegida por camadas estrategicamente bem pensadas para mante-la bonita – já que é natural da cantora desafiar convenções desse gênero – manter-se na mídia (previsivelmente) e principalmente, consistente. Fica provada uma incrível sagacidade, uma ótima e divertida visita aos pontos mais clássicos de sua carreira e uma elegante exibição do seu gene musical.

Impressões: Rica em Detalhes – Nota: 7,5

Senso De Nação: A Utopia (Impossível)* do Brasil.

*Utopia neste título, é um Ideal Supremo, Um Delírio. O Impossível, é o inalcançável, que está longe de qualquer possibilidade humana (realização, seja qual for o objetivo). 

Assistindo o seguinte video do Programa Entrelinhas (clique no grifo para acessar o video) da TV Cultura, imagino que vou jogar, como dizem por aí, merda no ventilador, por que, literalmente, não Consigo concordar em praticamente NADA com o senhor Jaime Pinsky, entrevistado, e que o tempo todo apenas enaltece o mercado de livros didáticos brasileiro.

Aquele que diz que o livro no Brasil não é caro, não só “mente”, como também tenta, através da “edição implacável” televisiva, descontrair quem assiste para fatos muito derivados diante de uma situação emergencial negligenciada e que por sua vez, apenas ressalta uma linha de pensamento conservada a séculos, desde que a burocracia (até editorial) passou a fazer parte do Brasil: Aquilo que é visto como política, iniciativa ou efetivo progresso humano (que pode melhorar nossa convivência enquanto pessoas e nossa consciência, enquanto país), está fora de cogitação, principalmente e quando passa pela visão e cotidiano (direto) da população brasileira jovem: Dos 6 aos 25 anos de idade.

Quando a internet é citada na maior parte das matérias já vistas até hoje, ela é alvo banal dos próprios veículos, (que jogam na grande população sem forte consciência crítica, a culpa pelo seu mal uso e proliferação da pirataria e outras formas reconhecidas como crimes virtuais) que essa nova mídia informativa e revolucionária, não presta, é apenas usada como uma “brincadeira” para jogos, por pessoas desinformadas e iniciativas mal intencionadas: – Eu questiono: As editoras não possuem sites na internet para divulgação de seus produtos, serviços e acervos? E Por sua vez, o senhor Jaime Pinsky, não está com seu discurso também sendo emitido dentro da rede mundial de computadores?

O Grande problema é que o conceito de juventude no Brasil só serve para erotizar o corpo da mulher nas grandes propagandas e vender produtos sob ordens (inconscientes) que respondem por padrões, aparentemente baseados em uma norma que rege a sociedade: O que nós somos? País, sociedade, nação? Tudo isso, mas, é muito mais direto, simples e verdadeiro, assumir que somos uma nação e que esses movimentos (anti-juventude), só servem para manter uma política mofada que não se preocupa com os novos adventos que criam paradigmas (questionamentos) que ao contrário de elucidar questões, apenas pioram nossos problemas, pois, são poucos os que sabem lidar, próximo do que é adequado nas mudanças (na internet por exemplo), assim como, temos uma série de políticos que se favorecem desde 1980 (com o fim oficial da ditadura) do dinheiro público, utilizando seus despreparos e descompromissos sob uma nação (nós) que infelizmente, não se compreende enquanto País, mas insiste em produzir aquilo que gera capital financeiro em detrimento do que aparentemente nos melhora, sem saber qual a real intenção do que está sendo produzido, e sem ter uma grande parcela disso, investida em iniciativas culturais, educacionais, que de fato, transformam em curto e longo prazo, este péssimo panorama.

(Livro de Stephan Zweig, Famoso Escritor Alemão, Que Viveu muito tempo no Brasil e que nas mãos do Diretor Sylvio Back, Ganhou uma cinebiografia “Lost Zweig”).

 Não é apenas a tiragem, ou a população que não quer ou não lê. Livros como Harry Potter que já saem em tiragens de 380 MIL exemplares de uma vez (desde seu Quinto Volume), ao custo de (aproximados) 70 reais no lançamento, na maior parte das editoras e Livrarias do Brasil.  Estes lançamentos não podem ser apontados exclusivamente como “culpados” pelo alto preço cobrado, nos próprios Best-Sellers (note nas principais listas de jornais e revistas, que em sua maior quantidade, os Best-Sellers são Estrangeiros) e até em Livros Clássicos da nossa literatura: Isso abre espaço para o seguinte questionamento:

E aí? É a culpa do governo que não dá assistência ou não planeja a escola? A população é historicamente desinformada e desinteressada? Ou uma pequena parcela de empresários donos de editoras e  livrarias que cobram o valor 6 vezes ou até 9 vezes mais caro na edição de um livro em seu Lançamento, ou até meses depois? Tudo me parece uma grande Bobagem com o objetivo de tirar quem assistiu o programa e até, o corriqueiro leitor (do foco central e prioritário desta complicada questão).

O livro no Brasil é caro, por que é esse o custo da manutenção do analfabeto, do ladrão, da puta, do desinformado e da nossa ignorância e falta de consciência enquanto Nação. Não encontramos com muita facilidade vários clássicos nas estantes, sem que estes tenham sido em poucos casos, distribuídos em Bienais, escolas, passeatas ou até por iniciativas privadas  (como a do Banco Itaú, que investiu recentemente em “Contações” de estórias Infanto-Juvenis), além do agravante de edições mais baratas, custarem, no mínimo, 14 reais, como é o caso da L&PM Editores, que ao lado da Martín Claret, sofre muitas críticas, por algumas das suas traduções, nem sempre, terem uma boa organização e fidelização textual. Mas alguém poderá questionar: Procure Sebos. Sim, os sebos são uma alternativa valiosa para encontrar livros em edições usadas em bom estado que custam muito mais barato, entretanto, em diversos casos, é até possível encontrar livros com valor mais alto do que os que são vendidos na livraria, além do estado de conservação não ser muito atraente: Nós temos que manter nosso interesse na leitura, sem que este pareça uma obrigação como as grandes matérias televisas insistem em pautar quando falamos de educação básica na escola, e quando este “ensino” passa pela ótica das obras literárias de Machado de Assis ou de Drummond: Precisamos que as bibliotecas públicas tenham seus acervos em excelente conservação, uma distribuição e divulgação maior das iniciativas públicas na televisão, convidando o público a visitar estes espaços, e tornar a escola um ambiente adequado à realidade de crianças e jovens que encontram um panorama, muitas vezes, desmotivador de aprendizagem, leitura, acessibilidade, laboratórios e acesso à internet. A escola deve ser vista como instituição Máxima para o desenvolvimento da nação e enquanto leis rígidas não estiverem julgando o descaso de pais e do próprio governo (políticos e suas respectivas regiões administradas), na sua má execução e planejamento da própria escola enquanto ambiente inicial da vida de qualquer ser humano, infelizmente, no futuro, enfrentaremos problemas sérios relacionados à violência, preconceito racial, homofobia, machismo e deteriorização de um “ambiente familiar” sob o contexto afetivo, não sob apenas o contexto hetero-normativo.

 O Segundo Ponto no Video, que serve como alvo das minhas Críticas, mas enquanto também, leitor e consumidor (sim, pois literatura é indústria) é o contexto do livro enquanto produto, ainda que suas implicações artísticas estejam em outro tipo de discussão:

O interesse de grandes “corporações”, como a Editora Globo ou o Instituto Millenium (que não é uma instituição privada, mas necessita de investimentos dentro dessas iniciativas para sua manutenção) por exemplo, é justamente ter na sua responsabilidade a manutenção de dados, o histórico do autor e diversas edições que podem ser lançadas ou não futuramente. Dependemos em quase todos os níveis na “indústria cultural” brasileira de iniciativas privadas com interesses dúbios para lançar ou não esses livros e vários desses interesses (econômicos) acabam ganhando ramificações dentro do próprio governo, o que não gosto de chamar como, mas é o que fica conhecido enquanto “Sistema”. E novamente, ainda que aleguem que o custo de edições de autores clássicos do Brasil ou que o interesse neles sejam pequenos, só podemos levar em consideração que no Brasil, O Governo Federal, junto ao Ministério da educação, não estão preocupados com o fato da população ter ou não interesse nessa literatura, mantendo grandes coleções sobre Machado de Assis, Aluísio Azevedo, Ariano Suassuna, Raquel de Queiroz, Drummond, Olavo Bilac, entre muitos outros, com valores caros: Na Europa, autores clássicos recebem um enorme LEQUE de edições, sejam as famosas Paper que são super acessíveis, com uma média de preço de 6 dólares ou 4 Euros, até edições mais caras, conhecidas como edições de Luxo, que aí, devidamente, reconhecemos o trabalho de montagem de um livro, que não servirá apenas para leitura, mas para ser compreendido enquanto patrimônio, ou até que envolve o trabalho de uma instituição e de pesquisadores, o que justifica um valor mais caro, mas, é mantido o valor da edição mais acessível como forma de incluir a maior parte de leitores possíveis: NADA NO BRASIL, QUE É REFERENTE à ARTE, CULTURA, EDUCAÇÃO, CIDADANIA E CONSCIÊNCIA COLETIVA (PERANTE AO PAÍS QUE SE VIVE) É INCENTIVADO NOS GRANDES VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO.

Ponto Três, pois estou comentando pontos “x” desse video enquanto assisto: Compram-se livros didáticos demasiadamente, para acontecer isso: Livros Encontrados no Lixo na Grande São Paulo (clique aqui para ler a matéria). Com o valor investido e mal administrado, abrem-se frestas para corrupção (entenda o termo em diversas instâncias, não apenas o fato de usar dinheiro público para tirar proveito), Além do quê, O Português é a 5 língua mais falada no mundo, aprox. 240 Milhões, dados cedidos pelo órgão responsável pelo acordo firmado que irá unificar a língua portuguesa (O Decreto Presidencial nº 6.586, de 29 de setembro de 2008, determina a implementação do Acordo Ortográfico a partir de 1º de janeiro de 2009 no Brasil, estabelecendo período de transição de 1o de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2012).

 Não é por boa vontade que estão vendendo mais livros para cá, é visando o lucro independente de como os livros serão devidamente distribuídos e as vezes, sequer são utilizados. Por outro lado, é justamente por iniciativas privadas (tais como as da Editora Globo,  e o Instituto Millenium – que consegue fundos através de empresas como Gerdau), que autores (as), como Huxley, Ayn Rand (passou mais de 23 anos sem novas edições no Brasil, só voltando ao mercado ano passado), Ray Bradbury, continuam sendo lidos: edições muito mais baratas que já saem das editoras em papel e visual atraente, edição devidamente revisada e com custo muito baixo. Não apenas posso citar a europa como exemplo, ou USA, mas a Argentina e o Chile, tem um mercado editorial muito mais amplo, sendo inclusive, Argentina, um país muito menor, mas, com muito mais editoras, livrarias e Bibliotecas que o Brasil – Fonte).

Não gosto de utilizar termos “políticos” nessas conclusões e nesses questionamentos, mas, o Brasil gosta do Imperialismo apenas para ter dinheiro, porém, continuamos na lama quando pensamos em nos desenvolver enquanto nação, diferente dos Estados Unidos, que apesar da sua suja política militarista e baseada na exploração do petróleo, desenvolve uma consciência que se “Protege” (ainda que negativamente) de valores externos, sendo visto como “melhor”, soberano e mais desenvolvido, justamente por que EXPLORA, mas investe no campo de desenvolvimento sócio-cultural da população Estadunidense. Não sei até que ponto ou até qual ano, essas medidas que pensam nosso país apenas enquanto celeiro lucrativo irão existir, mas, é justamente essa corrupção de valores e ausência de educação ou preparo e incentivo à consciência crítica e análise que impedem o crescimento do país enquanto Leitor, estudante, (que ainda mantem excluído o autodidata), militante político apartidário e que irão exercer o orgulho que podemos ter à nossa bandeira baseado numa leitura não própria apenas da literatura (em geral), mas também, uma leitura crítica e visionária, imaginativa, da nossa realidade enquanto povo que precisa evoluir e crescer diariamente.

O Brasil precisa entender, enquanto “nação” que não está sozinho, que ideias inovadoras, não mais irão existir apenas na Europa (que é um continente muito mais antigo), mas que podemos com toda possibilidade de criação, já provada através de diversos artistas consagrados, que somos, à longo prazo, uma nação criativa, forte e que ao lado dos nossos parceiros no continente, poderá apresentar novos modelos de política, política ambiental, educação e até de valores humanos (seja lá qual for sua maneira de ver tais valores).

Se eu quiser estabelecer algum tipo de meta, que indique alguma melhora na nossa situação, eu diria que a primeira mudança drástica, deve começar, no fato das pessoas olharem mais pra si, não no sentido egocêntrico, mas enquanto agente transformador do “todo” com as ferramentas que existem dentro da própria casa: a possível união, o estudo, a análise, a dúvida, a não aceitação de paliativos, e entender que nem tudo é imediatado, premeditado ou que foi concebido para apresentar uma solução clara, óbvia: a análise de tudo que nos cerca é o primeiro caminho nessa complicada questão, que já larga a muito a nossa dependência “enquanto ex-colônia” para olharmos os exemplos de países irmãos e vizinhos como Colômbia, Venezuela, Argentina e Chile, que já apresentam medidas claras, reformas e protestos para mudar a situação não apenas dos seus próprios países, mas do continente Sul-Americano, e que tudo isso, surgiu, a partir de uma leitura, literária e contextual.

Cisne Negro: Uma Bela Roupa Sob Fraco Discurso.

Chris Nolan, diretor da nova trilogia do Batman (“Begins”, “Dark Knight”, “Dark Knight Rises”) é por algum motivo, o tipo de diretor que consegue conciliar histórias “já criadas” com uma visão bastante autoral: perfeccionista e por sua vez, bastante coeso enquanto diretor, evita utilizar efeitos digitais superficiais em seus filmes, chegando inclusive a demolir prédios e degradar atores, como é o caso de Heath Ledger, que Graças ao mal momento em quê vivia, e a intensa atuação no Cavaleiro das Trevas, acabou falecendo de maneira muito suspeita em decorrência de uma overdose de medicamentos.  Através desse realismo, pouco a pouco Nolan despontou enquanto diretor, tendo o ótimo “O Grande Truque” sendo indicado a dois Oscar nas categorias fotografia e direção de arte,  e o ousado “A Origem”, com Leonardo Dicaprio como protagonista dessa grande roleta russa desconstruída (visual).

Essa tal intensidade vista no Batman e o tom realista, permeia uma mente que não é tão valorizada quanto a do Nolan (Graças ao Batman, Nolan hoje tem uma grande autonomia dentro da Warner, tanto para desenvolver projetos, como para escrever roteiros e produzir novas séries, como o novo Superman – Man of Steel): Responde pelo nome de Darren Aronofsky.

Darren Aronofsky arrives at the 83rd annual Academy Awards in Hollywood

Iria assumir a direção desta  “nova trilogia” do Batman (“Batman – Ano Um”, foi cogitado como nome do filme),  mas como sempre ocorre em sua carreira, sofreu cortes, foi excluído de projetos, ou perdeu boa parte dos seus orçamentos nas produções em quê esteve envolvido. Esse panorama só começou a mudar quando Cisne Negro foi anunciado como seu novo projeto, pós (o intenso, verdadeiramente) filme “O Lutador“, esse sim digno de Oscar de Melhor filme e de melhor ator para Mickey Rourke.

Com Natalie Portman no papel de Nina, o filme tem quatro elementos especiais da carreira do Darren: A belíssima fotografia, trilha sonora apurada de Clint Mansell, seu parceiro de longa data que produziu a também excelente trilha do filme “Moon” de Ducan Jones, mas conhecido como filho de David Bowie, o figurino inocente que é medido corretamente na personagem da Natalie e por sua vez, a própria atuação que lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz.

Eu torci bastante por este filme no Oscar, não por gostar do resultado final, se comparado com seus quatro filmes anteriores (“Pi”, “Réquiem Para Um Sonho”, “A Fonte da Vida” e Finalmente, “O Lutador”), mas, por ser um movimento estratégico do Darren Aronofsky com relação a sua popularidade: ele, sabiamente, utilizou recursos “simples” para atrair o grande público ao cinema: Black Swan veste a roupa e as proteções clássicas do Ballet como referência pesada, garantindo uma impressão breve de “arte”, entretanto, é previsível justamente por que utiliza os mesmo artifícios de “Pi”, inclusive, climatizações ou locações (cenas em metrô) mastigando para o público interpretações (ou cenas) que cumprem demanda (por exemplo, o fetiche homossexual da personagem, com seu beijo e transa, um deleite para o público masculino “Horny” ou para meninas que também se sentem atraídas), além das sombras que se escondem prontas para dar medo, além das várias faces que a personagem pode assumir como justificativa para uma “possível” profundidade no roteiro e na sua concepção.

Ainda que desconcertante em seu ritmo, Cisne acerta justamente pela inocência que o Ballet parece ter, mas ao mesmo tempo, é violento com toda carga emocional provocada pelos treinos e também pela mãe de Nina, que não lhe garante independência enquanto pessoa e principalmente, enquanto mulher.

Merecidamente, Portman entrega uma personagem verossímil, que enaltece uma possível “interpretação” de libertação do pássaro que atinge seu grande momento,  mas, decididamente, ainda que essa grande atriz sustente toda atenção do filme em si (como é o caso também do Heath Ledger, apesar do excelente roteiro/filme que Dark Knight é) não consigo ter a mesma impressão do filme:  Não vejo sintonia, ou tampouco tanta “cultura” na película como muitos apontam, enaltecendo “metáforas” retratadas em cenas (como diversos sustos previsíveis) e a desculpa constante do roteiro em confundir quem o assiste: isso não é sinônimo de “referencial”, mas sim, de repetição de estilo. Basta assistir qualquer filme da linha “horror psicológico” para entender esses tais sustos, trilha sonora que aumenta causando tensão, por sua vez, um forte impacto em cena.

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“Pi”, o primeiro filme do diretor, tem um dos finais mais ousados e surpreendentes do cinema: esse sim com status merecido de referência obrigatória, precisou de lentes específicas, para dosar exatamente os tons preto e branco que o diretor gostaria de ver na tela, não os tons cinzas, como costumamos assistir em filmes da década de 30 ou 20.  A câmera trêmula (na mão), a velocidade somada à paranoia de Max Cohen, chamam atenção pela qualidade, justamente por que, da mesma forma que foi concebido, Cisne Negro também acompanha e tem perfil semelhante;  Com o diferencial de ter uma atriz já renomada, o que não quer dizer ou que garante, por sua vez, um resultado tão convincente.

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Ambos (filmes) apresentam em seu plot algum tipo de colapso psicológico que brinca com quem assiste, entretanto, por serem assuntos muito sérios, se diferenciam justamente na consistência real vista se destacados como filmes dramáticos: “Pi” é honesto, é violentamente cruel, é uma perseguição por números e hipóteses que confunde, não por truques de câmera que assustam, mas por se sustentar em um roteiro imprevisível, inteligente, reflexivo e ágil.  Cisne Negro foi pré-modelado para “parecer” inteligente, e é esse o grande mérito de Darren Aronofsky ao se tornar público: entregando sua película mais fácil, conquistou o público com um rosto conhecido (sua atriz), vestindo a roupa correta (o custo da produção) para os festivais e principalmente, para chegar as residências daqueles que querem seu DVD ou Blu-Ray:  é bem verdade que não posso condenar a atitude do diretor, enquanto espectador e principalmente enquanto fã, entendo que em algum ponto ele perdeu para, obviamente, como diz o ditado, poder ganhar: Mas, ainda que esse movimento necessário tenha sido concretizado, incomoda a pequena visão das pessoas ao acreditarem que o que é exibido agora, hoje, o que é recente, que chega com uma embalagem atraente, é melhor, e que irá incluir quem assiste “a um grupo”, fará de cada um mais inteligente:  neste ponto, precisamente, Cisne Negro acerta por falar do jogo de aparências, mutilações que são necessárias, somadas as nossas mentiras para que possamos conviver nesse mundo cada vez mais complexo e vaidoso, entretanto, não é com técnica que conseguimos atingir os corações e mentes preocupadas em sentir emoções diferentes e quem sabe, compreender melhor os valores, se é que existem, presentes na tal falada humanidade: Darren Aronofsky é um grande diretor, mas não “técnico” e costumo pensar que seu trabalho um dia, pode ser tão relevante quanto o de Kubrick e Tarkovsky. Seus grandes feitos na história do cinema, são representados pela incrível capacidade de fazer grandes filmes, apesar das dificuldades de produção, pela sua criatividade, e pela maneira como decidi dirigir e conceber suas obras.

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Só nos resta acreditar e confiar que “Noé“, seu próximo projeto, deixará de lado essa perseguição pelo reconhecimento do público, para finalmente retomar as suas origens enquanto diretor, enaltecendo a qualidade em primeiro lugar, ainda que isso lhe custe, à curto prazo, a perda da sua “tão sonhada” visibilidade, ou como diz a sua personagem Nina, “ser completo, perfeito”.

Prisioneiro de Azkaban:Ou Quando Harry Potter cresceu…

J.K.Rowling, Autora Britânica da célebre série “Infanto-Juvenil” Harry Potter, nunca em nenhum de seus livros, tratou com desrespeito seus leitores. Em 1997 o panorama da literatura era estranho, as crianças não estavam lendo. Então, depois de inúmeras tentativas (quase 12 ou 13 vezes) em editoras, a Editora Bloomsbury comprou por algumas mil libras o Então Desconhecido “Pedra Filosofal” das mãos da mesma mulher, que já nos primeiros capítulos do livro, emprega a mágica frase “Não haverá uma criança em nosso mundo que não saberá seu nome”, re-assistindo a Pedra Filosofal, fiquei arrepiado por ver que tanto no livro, como no filme, em contextos um pouco diferentes, essa frase existe, e fez intenso efeito.

Com o sucesso e a surpresa da editora do primeiro livro, de imediado a imprensa britânica correu para saber o que ela estava planejando: “ The Chamber of Secret’s” que no Brasil ganhou o título de “Câmara Secreta” nas mãos da Lya Wiler (que também é uma das curiosidades mais legais em Harry Potter), trouxe o sucesso Birtânico quase simultâneamente para o Brasil, também tendo “leve” sucesso. O “Boom” de Harry Potter ocorreu aqui no Brasil, após o primeiro filme da série que faturou quase 1 bilhão no mundo todo. A então desconhecida autora, deu uma das maiores bombas comerciais (de qualidade) a Warner Bros. produzida por David Heyman e com Direção de Chris Columbus, então responsável por sucessos como “Esqueceram de mim1 e 2”.

Com Harry Potter nas prateleiras das crianças e também, com um filme que despertou atenção de muitas pessoas, algumas curiosidades ao longo da série, fizeram aumentar o respeito que tenho pela trama: Pela primeira vez, em tempos de crescimento da internet, uma Mulher conseguiu que as crianças lessem livros com muitas páginas, 500, 600 ou até 702 páginas (como é o quinto volume da série “Ordem da Fênix”), essa curiosidade é uma das mais citadas, e vale dizer que hoje, tenho 20 anos, e tinha 10 quando tive meu primeiro contato com a série, por sinal, com o livro “O Prisioneiro de Azkaban”.

Outra curiosidade importante: a autora foi responsável por lançar internacionalmente uma tendência de respeito em relação aos Ilustradores dos livros e também aos Tradutores, ou em melhor colocação, aos “escritores” que fizeram adaptação do texto para o país onde o livro estava sendo lançado, no caso do Brasil, a já citada Lya Wiler, que graças ao seu bom trabalho, tornou Harry Potter um sucesso. Antes de chegar finalmente ao tema desse Post, vou falar mais um pouco sobre essa questão: Boa parte dos livros que são traduzidos, precisam de um bom trabalho de “adaptação”, com fidelidade em relação ao pensamento do autor e o encontro disso na medida exata com o que se espera em linguagem do país que lerá o livro. Por sorte, ou por grande “bruxaria”, Harry Potter não foi fácil pelos seus neologismos, mas graças a tradutora, termos como “Quadribol”, “Bichento”, “Bicuço”, “Aluado”, entre outros, soaram belos, sem parecer em momento algum banais.

Além desse agravante para a tradução, devo lembrar que nosso país, tem forte tradição literária, porém, ainda fraca tradição de leitores e Harry Potter deve ser considerado um “salvador” pois acrescentou muito à imaginação dos que não liam: aqui no Brasil não apenas crianças, mas pessoas de todas as idades!

E a Banalidade que por vezes é “empregada” ao imaginário infanto-juvenil passa longe do que conhecemos em Harry Potter: O Prisioneiro de Azkaban, terceiro livro da série, lançado em meados de 1999 na Inglaterra e lançado pouco depois aqui, leva Harry ao seu terceiro ano de Hogwarts: já sabendo que pelos anos anteriores, que as coisas não seriam fáceis e que ele já se despedia da infância com certa melancolia, a autora trouxe um tom sombrio a esse livro da série que é considerado por muitos fãs o divisor na saga do querido bruxo. Então com 13 anos e conhecendo seu novo professor de Defesa Contra às Artes das Trevas, Lupin, Harry lida com um perigo que é relevado como algo direto à sua vida: Sirius Black e os dementadores que ameaçam qualquer fugitivo de Azkaban. Em meio aos descobrimentos dessa fase da vida e também as aventuras que ocorrem nesse ano de Hogwarts, uma lembrança trágica obriga Harry a aprender o feitiço do patrono, sendo “a luz no fim do túnel” que a autora quer mostrar, mesmo diante dos problemas mais agressivos, como salvar o seu padrinho.

Quando o terceiro livro da série foi adaptado para os cinemas, um atraso no lançamento aconteceu por conta do Roterista tão criticado (e com motivos) Steve Kloves. A Warner Bros. não sabia sobre a escolha do Diretor no começo de 2003, e os então Produtores Mark Radcliffe e David Heyman, com a então ajuda de Chris Columbus pós “Pedra” e “Câmara” começaram a especular sobre a vinda de um mexicano com relativo sucesso em sua carreira: Alfonso Cuarón (uhuu =D!!). Essa escolha foi fundamental para que o roteiro tomasse a forma necessária para interpretar o ponto que a autora mais gostaria de ver na tela: O Tempo.

Dando um tom de sujeira ao filme (e metafórico), a primeira cena do terceiro filme já mostra um Harry longe de possíveis pudores sexuais, coisa que a autora retratou sutilmente no terceiro livro com a seguinte frase, “e ele sentiu uma pulsação no baixo ventre que pouco tinha relação com o seu nervosismo” (Prisioneiro de Azkaban, Página 211), assim que Harry Potter encontra a então apanhadora da Corvinal (uma das casas de Hogwarts), Cho Chang. Logo em seguida o que vemos é um Harry Potter mais raivoso e menos “infantil”, calado, ele já toma certo partido das suas atitudes e desafia a família fazendo o que muita gente gostaria de fazer um dia: fugir de casa.

“Primeira” Cena do filme:

O Tio escuta “algo estranho” ou imagina e vai ver o que o sobrinho está fazendo.

E por fim um “jorro” de luz.

O Que Faria Harry Acordado “discretamente” tão tarde? Treinando um feitiço com sua varinha? Ou isso seria uma metáfora para a Masturbação? Cuarón, Diretor do ótimo “E Sua Mãe Também” (filme que trata principalmente do descobrimento da sexualidade), provavelmente quis dizer isso mesmo. E a autora adorou.

Entre uma tia que vira balão, o primeiro patrono e a então cena do Vira-Tempo, o terceiro filme da série é um show em termos de direção, continuidade (o que por vezes é problema na maior parte dos filmes – aqui justificado pela transição das estações do ano, o que organiza cada cena por períodos de tempo bem destacados), e também as referências que o diretor joga na tela sem que os mais espertos notem, sim, pois é preciso ver a cena mais de uma vez para ter certeza de que é “isso mesmo” que estamos vendo. Além da sensação de medo que o filme passa a cada nova cena, mostrando locais de Hogwarts por vezes “suspeitos”, onde qualquer aluno da escola “sadio” não deveria ou poderia chegar. Mas é esse o mérito do “novo” filme: ele elimina qualquer inocência trazida nos dois primeiros, e que ao fim do segundo ano foi quebrada de maneira radical.

Comparem as seguintes cenas abaixo, e percebam objetos de outros filmes que foram “parar” no Terceiro Harry potter, o que o torna, visivelmente, bem distante de qualquer referência “infanto-juvenil”:

Cena do filme “Batman, O Retorno” de 1992, com Direção de Tim Burton; Notem como a cena da transformação da mulher gato acontece:

A cena é aérea, e a câmera se movimenta em um semi círculo…

Um gato lambe o rosto da mulher gato, mas, peraí? Eu não já vi isso “antes”? Ou melhor, eu não vi isso em um outro filme?

Seria essa cena de Azkaban uma mera Homenagem à cena do Batman?  Sendo os dementadores os gatos, no contexto de HP? Ou a cena foi pensada para funcionar da mesma maneira que a de um filme com um tom, tão sombrio quanto? E detalhe, ambos os filmes foram produzidos pela Warner. (Claro que  Harry Potter, tem uma história diferente, a comparação está sendo feita em relação aos filmes).

Então, o beijo do gato, ou melhor, do dementador. Abaixo, mais uma cena do filme “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban” que antecipa a questão do tempo, com uma alusão à obra “Uma breve história do tempo” do Grande Físico Stephen Hawking…

Agora, notem uma outra alusão, esta mais clara, à um filme também, que envolve o tempo, “Donnie Darko”: Percebam que o livro é o mesmo que aparece no Prisioneiro de Azkaban que é do ano de  2004 enquanto  Donnie Darko é de 2001/2002, Direção de Richard Kelly:

Talvez a inclusão desses detalhes tenha ocorrido, justamente porque Cuarón sabe trabalhar bem com diversas referências, dentro de uma estória com um contexto já estabelecido. No caso de Harry Potter, isso foi uma façanha, pois, mesmo com a fidelidade ainda “mantida”, ele conseguiu misturar, incluir e principalmente, fazer alusões bem pensadas à outros filmes e livros, tornando o terceiro episódio da série, o mais interessante de todos, inclusive diante dos “Cálice de Fogo”, “Ordem da Fênix” e “Enigma do Príncipe”. É um filme que não apenas diverte aos fãs, como também, pode ser conferido de maneira independente dos outros, pois ele traz um “conceito”, mesmo tendo uma estória livremente inspirada na franquia do Jovem mago. Espero que esse POST, tenha esclarecido um pouco a minha visão sobre Harry Potter p/ vocês, principalmente este que considero o melhor episódio da série, por argumentos já levantados.

Em breve mais atualizações, por sinal, mais constantes! Abraços!


Pequenas Impressões Sobre um Tempo “Erótico”

Olá, tudo bem? Começo esse blog com o propósito de comentar, divulgar ou melhor entender Obras, Músicas, Filmes da cultura POP ou não tão POP mundiais. Um dos temas mais recorrentes em termos de pesquisa para mim, é a cantora Madonna. Meus amigos sabem o quanto sou admirador da cantora, pela sua contribuição musical, por clipes como “Bedtime Stories” , “Frozen” e outras Obras já produzidas por ela.

Se já perceberam, ela será o tema de abertura do Blog. Minha relação com Madonna é antiga: Minha mãe costumava ouvir durante sua juventude os maiores sucessos da cantora: True Blue, Like A Prayer, entre outros singles que eram executados com frequência aqui em casa, e por isso acredito que acabei gostando desde cedo, não só dela, mas de boa música. Por volta de 1990 a 1993, a televisão ainda era bastante obscura, dava um certo medo, também, eu era criança, só pode, mas uma figura feminina assustava não só a mim, como a todo o mundo: Dita, a célebre imagem/personificação Erotica da Madonna, assustou o mundo com sua metáfora a cerca da sexualidade e também, da Aids. O Boom relacionado aos homossexuais na época, criou um estigma muito intenso, e durante esse período, ninguém menos que Madonna enfrentou o mercado, seus princípios e as pessoas. Esse CD é apontado como um dos mais polêmicos da história da música, também pudera: a Hipocrisia mercadológica que foi tema central da perspectiva da cantora, foi derrubada com seu forte apelo sexual e também, pelo seu livro “Sex”, hoje esgotado e que possui alto valor de leilão. A obra “Erotica” é muito mal interpretada, pois Madonna não só questionou o valor “sexual” do indivíduo em  relações mais íntimas, como também resgatou a beleza que houve entre as décadas de 40 a 70 (principalmente) na pornografia. Ao contrário de afastar as pessoas do sexo com um possível sentimento de culpa, ela re-aproximou aqueles que gostariam de viver suas fantasias plenamente, sem deixar de lado, em momento algum, a forte sintonia entre sexo e amor, pornografia e amor: Parece estranho que as duas coisas estejam ligadas, mas ao interpretar Dita, Madonna mandou uma bela resposta ao machismo: “Que a “Mulher” (todo o caráter alvo do Machismo na época – Homossexuais, prostitutas, etc) ame a si, que seja dona do que sente, e que não dependa da permissão de outros para sentir prazer, ame, é isso. E eu não sou, o que se espera”. Com essa adaptação (que acabei de fazer) de vários trechos de suas músicas, fica claro que essa figura, de uma maneira ou de outra, estaria de fato eternizada.

Madonna Sex Book 1992 (6)

Com breves impressões sobre seu papel social, deixo esse post como base para os próximos que vão tratar não apenas de Madonna, ou só dessa sua fase. Por enquanto, é só isso. E entre as velharias que estão aí até hoje, essa é uma das que mais merece nosso valor.
Viva Madonna.