Impressões – The Walking Dead!

Atenção: Não quero atrapalhar a diversão de ninguém mas se não acompanhou todos os episódios, não leia, contem Spoiler. Se não se importa e continua mantendo suas impressões sobre a série, ainda que já esteja sabendo de tudo que vai acontecer? Bem vindos!

Ainda sentindo o clima da segunda temporada, The Walking Dead se prova um dos melhores programas de TV exibidos hoje. Com uma curta primeira temporada (6 episódios), entretanto, bastante intrigante, nos mostrou Rick, um policial que acorda em um hospital, na melhor homenagem ao filme Extermínio de Danny Boyle, outra pérola do gênero “survivor”, enquanto tudo ao seu redor era destruído por uma infestação de Zumbis.

Se na primeira temporada tivemos um ritmo frenético em busca de respostas para solucionar o misterioso surgimento da infestação zumbi, na segunda, além de sairmos do foco urbano que a trama possuía, Rick e seu enorme grupo, partiram até uma fazenda que parecia uma terra prometida em tempos cinzentos e após a grande explosão do centro médico no qual um grande segredo foi contado a Rick. Entretanto, nada é sólido e duradouro em Walking Dead: Diferente do que muitas pessoas costumavam apontar, essa temporada foi vagarosa, entretanto, preocupada com a responsabilidade de desenvolver Dale, Daryl e Andrea, além de exibir um interessante arco com Sophia, a personagem que desaparece durante parte a primeira metade. Se Dale e Andrea tinham um conflito recém assumido entre tensão amorosa e paternalismo por parte do bom senhor, Shane, entrou em conflito com seus princípios já que tivera um caso amoroso com Lori: a verdade da gravidez da senhorita problema da série culminou numa das ações mais tensas nas duas temporadas e é um momento de transição daquele Rick bonachão que estávamos acostumados.  Além da morte de Otis, Shane já desenvolveu a primeira linha ou novo plano que a série nos entregou durante esta temporada: Nada aqui é “justificável”, tudo o que se faz é para sobreviver – Conviver em harmonia é uma convenção que não abraça velhos, apenas os maios Aptos.

Outro primor nessa temporada foi a caça de Daryl a Sophia e sua relação com o grupo, já que se mostrou o personagem mais neutro, entretanto, repleto de simpatia quando foi necessário consolar a mulher que perdera a sua filha e principalmente, a mulher que precisava de cuidados:  Carol.

The Walking Dead nunca será focada nos zumbis mas sim em seus personagens e seus conflitos no qual a justiça e a lei sucumbiram: é uma terra de ninguém e fica explícito ao final da temporada no discurso de Rick que todos carregam em seu sangue ou em seu cérebro a misteriosa praga zumbi: não importa se você é mordido ou não, todos já são vítimas desse terrível apocalipse. Tal revelação só culmina em outra verdade: Já somos prisioneiros desse terrível mal (em contra-cena à grande Prisão presidida pelo Governador) ou apenas ressaltado pelo recém destruído celeiro, simbolo da “escravidão” de alguns zumbis.

Ressalvas e Polêmicas. 

Muito se especulou sobre a morte de Shane e como poderíamos conferir isso nos episódios da série: os produtores mantiveram a situação muito semelhante aos quadrinhos, mas como a linha de certos fatos seguiu outra perspectiva, Carl atirou em Shane na forma zumbi (nos quadrinhos, Shane permanecia humano), por duas razões: A primeira é que o ator é muito jovem e isso poderia comprometer seu desenvolvimento enquanto pessoa (o que não tem relação nenhuma com a série, mas sim com a preocupação com a integridade da criança por parte dos produtores) por outro lado, a clara modificação da série em relação aos quadrinhos, intrigando cada telespectador pelo fato do Shane não ter sido mordido (num conflito com Rick, acabou levando a pior e foi esfaqueado após criar uma armadilha para Rick), entretanto, já foi comentado que qualquer um é  “Errante” ou simplesmente, um morto vivo. Mora neste ponto a grande “sacada” da série em relação ao seu título.

Dale, nos deixou de coração partido pois tentou falar em justiça ao Shane e ao grupo, na tentativa de salvar Randall (personagem que revelou a existência de terríveis grupos de humanos violentos não por necessidade, mas pela falta de “moralidade” e éticas humanas – o que nesse contexto diz respeito ao ato de respeitar quem ainda é humano), o que não se cumpriu já que os argumentos deram lugar a simples e animalizada vontade de sobreviver que é necessária no universo da série, sendo confirmada portanto a sua banal morte, oriunda de uma ação muito irresponsável de Carl que sente o peso de crescer sem que escute falar em “normalidades”. Ninguém pode esperar por um lugar seguro levando em conta a grande quantidade de zumbis que são criados e que parece não ter fim: por mais que os esforços feitos sejam para salvar vidas que ainda “mantem” um pouco daquilo que conhecemos enquanto lei ou humanidade, o mundo que conhecíamos ou a tão “conturbada” civilização já foram colocadas à baixo nessa terrível atmosfera de medo e insegurança.

Ritmo da Série e Incômodo dos Impacientes. 

Quadrinhos e livros tem uma maneira de contar o enredo que é muito mais “imaginativa” e muito mais autônoma em questão de tempo e desenvolvimento, em uma série de televisão ou filme, não há como desenvolver tudo o que esperamos de uma vez só, e muitas pessoas não compreendem a razão dessa “demora” na resolução dos plots:  então qual seria a razão dos produtores assinarem contrato para várias temporadas? Se você acompanha séries, sabe claramente que nem tudo vai ser contado em um único episódio e Walking Dead distribuiu muito bem todas as emoções e o espaço de cada personagem nessa temporada (exceto T-Dog que os produtores deixaram em stand by para algo que será resolvido – espero – na terceira temporada. Acho que existe em parte o problema da falta de memória e paciência de algumas pessoas, já que a temporada começou ano passado (2011) e está terminando agora (Março de 2012). Se notarmos bem, tudo que foi exibido beneficiou as consequências já previstas por quem leu os quadrinhos e as leves alterações necessárias para uma grande revelação de nome Governador, que chegará nesta terceira temporada: Michonne, importante personagem dos quadrinhos (e uma das mais populares) já deu suas caras numa pequena ponta, prenúncio da temporada que chega, além de um leve desespero causado no orgulho e no peito daqueles que ainda conservam o amor como esperança de redenção (Glenn e Maggie).

Vislumbrando A Terceira Temporada!

Se Walking Dead tornar-se uma série de violência gratuita, focada apenas numa ação irresponsável, eu já não vou mais assistir. É justamente esses passos vagarosos como de um zumbi que transformam a série em um berço de questionamentos éticos sobre a própria vida e o nosso medo de encarar situações extremas que já não explicariam a nossa difícil existência.

A série tem muito material para ser desenvolvido, e os três episódios finais da temporada só defendem ainda mais a qualidade e superioridade desta segunda em relação a primeira: a dificuldade de algumas pessoas em perceber os detalhes e as minucias que a série já levantou já mostra que a série a cada novo episódio, seleciona com cuidado quem vai apreciar sua qualidade e seu texto, deixando para trás quem não sabe acompanhar ou se adaptar a necessidade do verbo numa série que não é de ação, mas sim de ficção e drama.

Impressões: Rica em Detalhes – Nota: 9,0.

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