Lady Gaga – Born This Way, Another Way.

Como me recuso a postar a capa terrível do novo disco da cantora, optei apenas pela arte do single, que é muito mais atrativa, mas se parece com o portfólio da Grace Jones, note a fonte.

Não estou aqui para dizer que conheço mercado, músicos, bandas, nomes da música pop ou sonoridades, mas, deixarei, como fiz com o Radiohead, algumas impressões sobre o tão falado disco da Lady Gaga: Born This Way.

Lançado em 23 de maio deste ano, O Disco prometia ser o álbum da década, com tons revolucionários e uma sonoridade completamente diferente, até então produzida pela Mãe Monstro, codinome da Gaga expresso na faixa de mesmo título que o disco. A primeira impressão foi a que ficou, positiva, porém, desorientada, sem foco: Gaga parecia ter finalmente se encontrado enquanto cantora e figura POP relevante, e diferente da sempre citada Madonna, por conta das comparações já cansadas com Express Yourself,  ela perdeu a noção da estrutura básica que seu Álbum parecia carregar: Conceito.

Born This Way prometia contar a chegada de uma raça alienígena à terra, e essa raça, por ser evoluída, não admitia e não conhecia os mesmos preconceitos, julgamentos e a velha rotina sexista de “segmentar” gêneros: Um enredo bem construído no video, com Body Modification, algumas imagens grotescas e bizarras, e a representação da vagina como elemento criador de tudo: O video à primeira vista me lembrou o cinema Underground como em pérolas a lá “Pink Flamingos“, “Liquid Sky” e “Party Monster”, três filmes, por sinal, muito cultuados por Marilyn Manson. Além das simbologias de feminino e masculino, elementos religiosos, e alusões a filmes oitentistas como o famosoXanadu”.  Essas impressões são apenas desconstruções de todo potencial jogado fora pela cantora, sem que houvesse continuidade em seus videoclipes, já que a primeira faixa lançada enquanto single, deixou essa forte impressão.

Deixando de Lado os péssimos videos, “Judas“, “The Edge of Glory” (esse por sinal, com brigas internas na produção da própria Gaga com o diretor do video) e por fim, da balada “ÿou and i”, “BTW” deixa no chinelo seus dois primeiros CDs, cheios de hits chicletes:  “The Fame” e “The Fame Monster“:  Ainda que superficialmente, Born This Way tem o mérito enquanto disco, de parecer pesado, muito bem produzido (bem verdade), e por conter as melhores canções da Gaga até hoje: Destaco, “Goverment Hooker”, “Bloody Mary” (com um forte coral gregoriano entoando o nome da cantora em proporções megalomaníacas), “Scheiße” (a faixa mais obscura do Disco, com citações em alemão) em ritmo frenético que lembra bastante a música “pipapaparopo”, Além da melhor música da carreira da cantora: “Heavy Metal Lover” – se seguir esta linha sonora, provavelmente vai se sair muito bem, além de lembrar bastante o Daft Punk em seus solos e músicas mais famosas.

Infelizmente, ela não é o melhor exemplo de cantora que tem qualidade, mas que se mantem fiel a isso: Não podemos deixar de ignorar o fato que Lady Gaga é uma figura bastante provocativa, ainda que muito saturada, por que, com o mínimo de conhecimento musical, é possível ver claramente,  David Bowie, Madonna, Nina Hagen,  Grace Jones, Cher e Prince em suas criações: é uma reciclagem constante que funciona muito bem nas mentes de meninos e meninas de 13 anos querendo dançar sem parar dentro de casa. De qualquer forma, não deixo de reconhecer os méritos do disco, além de perceber uma forte evolução enquanto artista, ainda que “Electric Chapel” seja muito semelhante a “I Love New York” de Madonna: by the way, ela nasceu assim, em um tempo que permite que isso aconteça e ainda seja visto como “inovador”.

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