Três Deuses que Escrevem Reis.

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Alan Moore, Pai do Conceito Grafic Novel, ou Quadrinhos Adultos.

De 2005 até 2011, O Brasil tem experimentado na mão de alguns artistas, o sabor de valorizar suas obras em forma de “Comics books” ou da maneira mais singela, os famosos quadrinhos. Moon, Ba (sendo estes autores de Daytripper – Published By Vertigo Comics ) e Grampá (Mesmo Delivery – Editora Desiderata)  são os nomes mais badalados nos quadrinhos nacionais nas últimas temporadas, e já estão com uma forte repercussão no exterior, principalmente nos USA (Principal polo ao lado da Europa): para seguir uma lineariadade textual, citarei brevemente cada obra considerada “sagrada” no Universo dos quadrinhos,  desde o seu nascimento (eu paro por um instante de escrever pois um cachorro está latindo e chorando pela vizinhança… Só um instante, já volto). Então, cinco minutos podem servir de pausa para que um texto como este seja elaborado, entretanto, por hora, faço um paralelo desses cinco minutos com todo o planejamento e tempo que os desenhistas ou autores do conceito Grafic Novel necessitam ter, desde a conceituação do que será escrito, até a regra básica de organização de cada quadro. Na década de Oitenta o conceito de “Quadrinhos Adultos” foi revolucionado por ninguém menos que o Sir. Alan Moore, que é uma referência intensa quando tratamos de quadrinhos artísticos e que descaracterizavam até hoje o conceito disney, que é visto como o modelo “tradicional” tanto em animação 2D, como em gibis e revistas relacionadas.

Vencedores de importantes prêmios internacionais como o Eisner Awards, Moon e Ba conseguiram gerar bastante expectativa em sua obra, e o traço chamou bastante atenção, eu só vejo isso como mais um piloto de um grande desenho vencedor no exterior, do Brasil para o mundo: que outros autores também consigam tal espaço. Ba tem em seu currículo o desenho da Revista Umbrella Academy que já foi premiada,  ao lado de Gerard Way do My Chemical Romance.

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R. Grampá também é um nome de grande rotatividade nos Estados Unidos, sua obra, “Mesmo Delivery” foi re-editada por lá sob bastante expectativa, e ganhou diversos elementos extras, como alguns esboços do autor, uma capa alternativa, e isso lhe garantiu novos trabalhos por mais de dois anos. É também (ainda que isso não seja tão importante) uma das figuras dos quadrinhos que mais utiliza o Twitter para divulgar seus desenhos e conversar com os fãs, inclusive, a cantora Pitty.

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Moore é autor de duas, entre várias obras (sim, quadrinhos devem ser chamados de OBRAS – além da subversão no modelo da linguagem utilizada, foram pensadas para carregar estilo, humor, cores e outros modelos de arte dentro de uma mesma edição), consideradas referências na produção Mundial de quadrinhos: Watchmen e V de Vingança. Conhecido por suas declarações polêmicas, quando descartou que seu nome fosse colocado na maior parte das oriundas dos seus quadrinhos, continua como um mestre na arte de retirar o estigma existente nos quadrinhos, re-lembrados muitas vezes pelo o que alguns “historiadores” da área chamam de “Era de Ouro”: Principalmente a década de 60, ou quando cada época sofria intensas transformações sociais, hora ligadas pelo avanço tecnológico, como a corrida espacial, outras quando o fim da segunda grande guerra não era mais um sonho. Entretanto, o “segmento” utilizado por Moore em suas obras é recente, e só parece mais respeitado aos poucos. Autor de “Do Inferno”, “Monstro do Pântano” e “Constantine – Hellblaizer” (também adaptado para o cinema com atuação de Keanu Reeves, e a famosa Polêmica do seu cabelo Preto – No original, Constantine tem cabelos “dourados” ao melhor estilo Sting de ser, fonte de inspiração para o Personagem) teve uma juventude pobre, mas bastante rica em imaginação, conseguindo alguns empregos em pequenos jornais: Seu grande primeiro marco foi “V de Vingança”, Lançada na Vertigo, a obra trata de uma sociedade distópica aos “melhores moldes totalitários” também retratados em 1984 de George Orwell.

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ícone em forma de Máscara de “V”, O Grande Protagonista de toda trama.  “Remember, Remember, the Fifth November” – Lema Símbolo da Revolução de 5 de novembro  Ressaltado no Quadrinho.

Hellblazer , no Original, Além dos cabelos dourados, Muito Mais Sujo e Marginal.  Abaixo e em comparativo, A visual da adaptação, que ganhou vida nas mãos do diretor Francis Lawrence. Ainda que Derivado do Original e que seja uma adaptação que cometeu uma grave corrupção a um dos elementos principais do personagem (sua caracterização – cor do cabelo), em nenhum momento, o filme chega a destruir o legado original, por sinal, o filme foi um dos fatores que me transformaram em fã do Constantine: neste aspecto, entendo a adaptação como outra perspectiva para o mesmo personagem, da mesma maneira que ele já recebeu diversos desenhistas e outros pontos.

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Neil Gaiman Como Mestre dos Sonhos.

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Tratar de datas muitas vezes me incomoda, portanto, o texto não tem o objetivo de prender o leitor a datas e fatos que marcaram cada personagem dessa história tão ilustrada: liguem os nomes as pequisas e vocês saberão como cada autor surgiu, devidamente. Minhas impressões para Neil Gaiman, ao lado de Moore, são as melhores: Autor de Sandman, sua mais famosa série que se passa no universo dos perpétuos e o seu principal é Morpheus, ganhou diversos prêmios importantes como o  Eisner Awards por 13 vezes e o Hugo Award, pela Obra “Deuses Americanos“, e também já foi alvo de adaptações cinematográficas, Como “Coraline“.  É também autor de Tim Hunter, considerado por muitos, o pai de Harry Potter, e a semelhança física retratada nos quadrinhos de Neil com a de Harry, deixou os fãs do Autor, bastante indignados com a suspeita de que J.K.Rowling, poderia ter plagiado a obra do Gaiman e com isso, ter levantado fama e dinheiro: Em entrevistas o próprio Gaiman nega a semelhança, dizendo-se inclusive, grande fã das estórias de Harry Potter, e que se houver comparação, em sua visão, será como forma de entender que Harry é uma homenagem ao Tim Hunter e que “todo bruxo um dia, precisa de um pupilo”.

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Uma das comparações mais famosas com Tim Hunter – Os Livros da Magia, é da imagem acima. Os Livros da Magia foram Lançados originalmente no começo da década de 90 e tratam do Bruxo Tim Hunter e da sua Coruja “Io Iô” em um caminho de descoberta da magia e de outras visões para a vida, e para outros Planos. John Constantine foi um dos “tutores” do Tim Hunter na sua caminhada, e ao entender se deveria ou não ser um Bruxo, Tim descobre que esta escolha já é parte dos mistérios que ele terá que desvendar. A série ganhou diversos volumes e edições especiais ao longo dos anos. No Brasil era facilmente encontrada por edições Vertigo, em preços populares: entre R$ 3,90 e  R$5,90.

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Os quadrinhos de Neil também são marcados principalmente pela ênfase na vida e na Morte,  sendo a “Morte” ao lado de “Morpheus” (Protagonista de Sandman),  sua mais importante e popular criança/criação: A morte além de bela, apresenta de maneira filosófica bons argumentos para as situações de perda, e ela remete bastante a cantora de “Post- Punk” Siouxsie do Siouxsie and the banshees:

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 Cantora bastante performática, Siouxsie surgiu no mesmo período em quê Neil Gaiman desenvolveu suas estórias.

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 A morte como uma bela jovem, paciente e bastante compreensiva, é um dos méritos e enorme sucesso de Neil Gaiman dentro e fora do universo “Sandman”. 

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Sandman por sua vez pode ser entendido como uma homenagem ao cantor/vocalista do The Cure, Robert Smith (abaixo) – Banda também muito conhecida dos anos 80 e em plena atividade até hoje. 

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Enquanto a Abordagem de Neil Gaiman, em diversos momentos presta tributo aos textos mais teatrais vindos de Shakespeare, além da mitologia e dos contos e lendas nórdicas sobre fadas, bruxos e outras estórias populares, um não tão feliz e fantasioso autor, tem forte estilo marcado pelas influências dos anos 20 e dos filmes NOIR, da década de 40: Frank Miller.

A Violenta e  Cruel Arte de Frank Miller.

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Nascido nos Estados-Unidos, é pai das obras “Sin City” e “300″ também adaptadas para o cinema. Não muito diferente de Alan Moore no quesito polêmica, mas diferente do primeiro que continua com bom diálogo com seus fãs, tem causado muita antipatia em seus admiradores e seguidores mais devotos nos últimos tempos, pois, ao contrário de continuar produzindo, tem sido bastante “blasé” e arrogante: Além de diretor cinematográfico (Adaptou para as telonas com fracasso de público e crítica The Spirit, Obra do mestre Will Eisner – com a estética de “Sin City – A Cidade do Pecado, que por sua vez, foi muito bem dirigido por Roberto Rodriguez), é também autor dos roteiros de Robocop 2 e 3, o que explica o péssimo desempenho dos filmes, mas não por isso apaga o brilho de “Ronin” e também de “A Dama fatal , um dos principais capítulos de Sin City.

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Ronin seguiu a tendência da época de criar obras com forte teor adulto e foi baseado no Mangá (excelente por sinal), “Lobo Solitário” de Goseki Kojima, quando recebeu em suas mãos um dos exemplares do quadrinhos (foto,abaixo).

“Lobo Solitário”, Editado no Brasil pela Panini-Comis.

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Falar dos três, não é falar de três:  Quadrinhos além dos Títulos.

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Uma vez que a sua perspectiva central mudou em relação as adaptações, os fãs agora esperam ansiosos pelo retorno de Frank Miller ou perto do que este já criou, junto ao Neil Gaiman e Alan Moore: a trindade e o eixo principal dos Quadrinhos de 1980 até hoje.

Obviamente que os famosos desenhos Franco-Belgas como Tin Tin (parágrafo acima) e Asterix e Obelix, considerados os grandes responsáveis, além da indústria norte-americana por garantir que os quadrinhos fossem entendidos de outra maneira, além da convencional/comercial, vista apenas com Superman, Spider-Man Não poderiam ser desconsiderados, já que a sua linguagem, muitas vezes, controversa, serviu de matriz para estudo e análise não só do conceito de quadrinhos, como de teses universitárias e para referência daqueles que hoje são considerados os “pais” do conceito Grafic Novel.  Ainda hoje,  é possível e devemos considerar a existência de diversos autores que não foram listados com seus respectivos heróis e que suas estórias, conseguem expandir um mercado, sério, e que pouco lembra o seu público alvo em seus bastidores: “Heróis” vestem terno e gravata, mas nem por isso deixam de lado a imaginação e a criatividade daqueles que iluminam com páginas e cores a vida de muitas crianças, jovens e até hoje, adultos. 

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Para Finalizar, Não poderia deixar de lado o maior representante Nacional conhecido no exterior: Maurício de Souza e a Sua “Turma da Mônica”.

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