Lady Gaga e a Previsibilidade do Imprevisível POP – Parte I

Lady Stardust

Por volta de 2009, um amigo no msn me passa uma imagem, de uma até então desconhecida garota de nome “Lady Gaga”: a foto fazia alusão à uma outra imagem: David Bowie na fantástica fase Ziggy Stardust/Aladdin Sane. Um raio azul pintado em um dos olhos. Deixo claro de antemão que não sou fã da cantora, entretanto, em tempos de internet, é inevitável não acompanhar o trabalho de quem quer que seja (que está na mídia) com a quantidade de sites, inclusive o msn, que transmitem informações ou notícias sobre os artistas. Então, estou aqui para falar de um esquema muito antigo, comum, corriqueiro, previsível, mas não por isso, menos lucrativo, que responde pelo nome de reciclagem de referências ou uma simples alusão. Lady Gaga (agora sem aspas), certamente conseguiu ostentar o que muitos artistas querem, ou já conseguiram, neste patamar, está o Já citado Bowie, Grace Jones, Madonna, e o Rei do POP Michael Jackson: o grande criador disso tudo. Estamos em 2011, Madonna, apareceu evidentemente em 1984, em cima de um bolo de noiva, cantando Like a Virgin: um tabu social estava se transformando em fórmula comercial, ou seja, o conflito entre moral familiar (não falar de virgindade ou sexualidade feminina), somada à uma MTV precisando do público jovem: vale atentar que essa noção de emissora jovem, não existia na época em que Madonna explodiu, antes dela apenas Cher e Tina Turner eram os grandes ícones femininos que “depravariam” qualquer ambiente onde estivessem, e a identificação através da moda, penteado, eram mais comuns à cantores do que cantoras, e Madonna conseguiu gerar isso para si.

Hoje temos a Lady Gaga, fazendo exatamente o que Madonna planejou e diferente da Gaga, Madonna não tinha o mesmo preparo musical que Lady Gaga hoje parece ter (as apresentações da cantora sempre são acompanhadas de uma grande banda, excelente produção visual e de marketing, e uma boa formação técnica – toca piano muito bem). Formada em belas artes em Nova York, Gaga conhece o território onde está pisando, deixando para trás o passado de compositora para tomar à frente do conflito que quero discutir na continuação desse texto: mercado x arte. Como apontado, os grandes artistas da música POP, estabeleceram no contexto das suas músicas, videos, turnês e outras manifestações, o simbolismo de “ícone” (espaço que com dois discos, Lady Gaga, com muito trabalho, também conseguiu agarrar), que também é uma imagem garantida pela ideia de transmitir através da música o “cinema” ou qualquer alusão geral às artes: “Thriller”, famoso Videoclipe de Michael Jackson é o melhor exemplo disso: um curta-metragem, com uma história dentro da estória, que lembra bastante o trabalho do cineasta Dario Argento no seu filme “Suspiria”. Lady Gaga por sua vez, através de “Bad Romance”, incorporou elementos de “2001 – Uma odisseia no Espaço” de Stanley Kubrick, com figurino arrojado do hoje falecido estilista Alexander Mcqueen (Grande parceiro da cantora Björk).

Momento em quê ocorre um dos poucos diálogos do filme 2001. Talvez, uma das interpretações que a cantora absorveu para suas músicas. Subjetividade (tema polêmico em filosofia), ou mera ilustração da cultura da imagem? (No quesito Lady gaga?).

Simplicar essas referências, apenas elucida o que um bom cantor pop necessita, somado à qualquer escândalo na mídia que este precisa criar: alguns afirmam que tais reproduções são fantásticas, simples e puramente, porque o que está sendo feito trata-se de “arte pura dentro da pop arte”, entretanto, podemos identificar como já afirmado, uma fórmula simples de mercado que não é vista por todos, mas que continua, “mascaradamente”, sendo bem utilizada.

Se por um lado Lady Gaga tem o excelente preparo que a cantora Madonna não teve no começo da sua carreira, Madonna carrega o mérito de ter transmitido um conceito muito semelhante ao de Michael Jackson com pioneirismo (não estou afirmando que Lady Gaga não carrega méritos, entretanto, comparando rapidamente numa pesquisa no Google o que ela faz, com o que já FOI FEITO por Grace Jones, descaracteriza o que muitos hoje apontam como “inovação” ou “vanguardismo”) que pode ser exemplificado por sua sagacidade e reinvenção constante na própria imagem.  O ponto favorável à visão da Gaga, é que possivelmente, sua maneira de trabalhar, mistura referências, fazendo uma grande reciclagem, o que é impactante para uma geração que necessita de imagens em corte rápidos, frames e não mais que acesso, entretanto, essas referências que sofrem “mutação” por parte da cantora, são antigas, ainda que ela seja a responsável por “mudar” o contexto.

 Levando em conta, a confusão causada pelo conflito arte e mercado, e pela reprodução de um artista que hoje utiliza a internet, podemos questionar, em qual patamar ou meio, a criatividade pode ser identificada nesse contexto? Ou até que ponto, esse tipo de manifestação, “realmente”, apresenta-se como libertadora e não puramente comercial?

Obviamente que o amadurecimento do artista é apontado como tempo que este tem de carreira, entretanto, não posso concordar com isso, levando em consideração que o tempo em quê se passa na produção de uma “Obra” ou de um simples produto, hoje, é muito bem acompanhado na maior parte dos casos, por uma equipe que conhece táticas, imagens e produtos que devem ser (re)transmitidos pela massificação. E esse conflito, bastante antigo e que ganhou força principalmente no final da segunda guerra mundial, parece, por um lado, descaracterizar a propriedade artística de uma manifestação/obra; Por outro lado, muitas obras de arte (conceito subjetivo que cada um pode entender como bem cabe a si), ganharam ou garantiram desde o seu lançamento/exposição, uma grande demanda de pedidos, não porque são descartáveis, entretanto, por que quebraram a barreira da simples “popularidade”, para atingir o que se chama “Inconsciente Coletivo”.

O problema em Lady Gaga  desde o seu lançamento, responde pela não identificação de um público acima dos  40 anos: esta faixa de idade (ao menos tomo como exemplo meus pais) assimila às suas músicas e suas aparições, não pela qualidade, mas pela capacidade de exposição: e a MTV, que uma vez, precisou de um escândalo com a Madonna, hoje, necessita de um escândalo com a Lady Gaga – eu posso ser hoje o cara “chato” que não gosta da cantora e que lá na frente poderá ser visto, obrigatoriamente, como uma pessoa que duvidou da sua durabilidade no mercado. Hoje, acompanho atento o que a cantora faz, e devo questionar a partir desse olhar “apontado como inovador” cada movimento, pois é isso que serve de base para tirar conclusões: o impacto, o choque com aquilo que é estranho, independente das questões envolvidas nos bastidores, é isso que fortalece qualquer debate. À frente, a segunda parte deste texto, contemplando a nova etapa da Cantora, Born This Way.

Editado em 23 de Maio de 2011!

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