Prisioneiro de Azkaban:Ou Quando Harry Potter cresceu…

J.K.Rowling, Autora Britânica da célebre série “Infanto-Juvenil” Harry Potter, nunca em nenhum de seus livros, tratou com desrespeito seus leitores. Em 1997 o panorama da literatura era estranho, as crianças não estavam lendo. Então, depois de inúmeras tentativas (quase 12 ou 13 vezes) em editoras, a Editora Bloomsbury comprou por algumas mil libras o Então Desconhecido “Pedra Filosofal” das mãos da mesma mulher, que já nos primeiros capítulos do livro, emprega a mágica frase “Não haverá uma criança em nosso mundo que não saberá seu nome”, re-assistindo a Pedra Filosofal, fiquei arrepiado por ver que tanto no livro, como no filme, em contextos um pouco diferentes, essa frase existe, e fez intenso efeito.

Com o sucesso e a surpresa da editora do primeiro livro, de imediado a imprensa britânica correu para saber o que ela estava planejando: “ The Chamber of Secret’s” que no Brasil ganhou o título de “Câmara Secreta” nas mãos da Lya Wiler (que também é uma das curiosidades mais legais em Harry Potter), trouxe o sucesso Birtânico quase simultâneamente para o Brasil, também tendo “leve” sucesso. O “Boom” de Harry Potter ocorreu aqui no Brasil, após o primeiro filme da série que faturou quase 1 bilhão no mundo todo. A então desconhecida autora, deu uma das maiores bombas comerciais (de qualidade) a Warner Bros. produzida por David Heyman e com Direção de Chris Columbus, então responsável por sucessos como “Esqueceram de mim1 e 2”.

Com Harry Potter nas prateleiras das crianças e também, com um filme que despertou atenção de muitas pessoas, algumas curiosidades ao longo da série, fizeram aumentar o respeito que tenho pela trama: Pela primeira vez, em tempos de crescimento da internet, uma Mulher conseguiu que as crianças lessem livros com muitas páginas, 500, 600 ou até 702 páginas (como é o quinto volume da série “Ordem da Fênix”), essa curiosidade é uma das mais citadas, e vale dizer que hoje, tenho 20 anos, e tinha 10 quando tive meu primeiro contato com a série, por sinal, com o livro “O Prisioneiro de Azkaban”.

Outra curiosidade importante: a autora foi responsável por lançar internacionalmente uma tendência de respeito em relação aos Ilustradores dos livros e também aos Tradutores, ou em melhor colocação, aos “escritores” que fizeram adaptação do texto para o país onde o livro estava sendo lançado, no caso do Brasil, a já citada Lya Wiler, que graças ao seu bom trabalho, tornou Harry Potter um sucesso. Antes de chegar finalmente ao tema desse Post, vou falar mais um pouco sobre essa questão: Boa parte dos livros que são traduzidos, precisam de um bom trabalho de “adaptação”, com fidelidade em relação ao pensamento do autor e o encontro disso na medida exata com o que se espera em linguagem do país que lerá o livro. Por sorte, ou por grande “bruxaria”, Harry Potter não foi fácil pelos seus neologismos, mas graças a tradutora, termos como “Quadribol”, “Bichento”, “Bicuço”, “Aluado”, entre outros, soaram belos, sem parecer em momento algum banais.

Além desse agravante para a tradução, devo lembrar que nosso país, tem forte tradição literária, porém, ainda fraca tradição de leitores e Harry Potter deve ser considerado um “salvador” pois acrescentou muito à imaginação dos que não liam: aqui no Brasil não apenas crianças, mas pessoas de todas as idades!

E a Banalidade que por vezes é “empregada” ao imaginário infanto-juvenil passa longe do que conhecemos em Harry Potter: O Prisioneiro de Azkaban, terceiro livro da série, lançado em meados de 1999 na Inglaterra e lançado pouco depois aqui, leva Harry ao seu terceiro ano de Hogwarts: já sabendo que pelos anos anteriores, que as coisas não seriam fáceis e que ele já se despedia da infância com certa melancolia, a autora trouxe um tom sombrio a esse livro da série que é considerado por muitos fãs o divisor na saga do querido bruxo. Então com 13 anos e conhecendo seu novo professor de Defesa Contra às Artes das Trevas, Lupin, Harry lida com um perigo que é relevado como algo direto à sua vida: Sirius Black e os dementadores que ameaçam qualquer fugitivo de Azkaban. Em meio aos descobrimentos dessa fase da vida e também as aventuras que ocorrem nesse ano de Hogwarts, uma lembrança trágica obriga Harry a aprender o feitiço do patrono, sendo “a luz no fim do túnel” que a autora quer mostrar, mesmo diante dos problemas mais agressivos, como salvar o seu padrinho.

Quando o terceiro livro da série foi adaptado para os cinemas, um atraso no lançamento aconteceu por conta do Roterista tão criticado (e com motivos) Steve Kloves. A Warner Bros. não sabia sobre a escolha do Diretor no começo de 2003, e os então Produtores Mark Radcliffe e David Heyman, com a então ajuda de Chris Columbus pós “Pedra” e “Câmara” começaram a especular sobre a vinda de um mexicano com relativo sucesso em sua carreira: Alfonso Cuarón (uhuu =D!!). Essa escolha foi fundamental para que o roteiro tomasse a forma necessária para interpretar o ponto que a autora mais gostaria de ver na tela: O Tempo.

Dando um tom de sujeira ao filme (e metafórico), a primeira cena do terceiro filme já mostra um Harry longe de possíveis pudores sexuais, coisa que a autora retratou sutilmente no terceiro livro com a seguinte frase, “e ele sentiu uma pulsação no baixo ventre que pouco tinha relação com o seu nervosismo” (Prisioneiro de Azkaban, Página 211), assim que Harry Potter encontra a então apanhadora da Corvinal (uma das casas de Hogwarts), Cho Chang. Logo em seguida o que vemos é um Harry Potter mais raivoso e menos “infantil”, calado, ele já toma certo partido das suas atitudes e desafia a família fazendo o que muita gente gostaria de fazer um dia: fugir de casa.

“Primeira” Cena do filme:

O Tio escuta “algo estranho” ou imagina e vai ver o que o sobrinho está fazendo.

E por fim um “jorro” de luz.

O Que Faria Harry Acordado “discretamente” tão tarde? Treinando um feitiço com sua varinha? Ou isso seria uma metáfora para a Masturbação? Cuarón, Diretor do ótimo “E Sua Mãe Também” (filme que trata principalmente do descobrimento da sexualidade), provavelmente quis dizer isso mesmo. E a autora adorou.

Entre uma tia que vira balão, o primeiro patrono e a então cena do Vira-Tempo, o terceiro filme da série é um show em termos de direção, continuidade (o que por vezes é problema na maior parte dos filmes – aqui justificado pela transição das estações do ano, o que organiza cada cena por períodos de tempo bem destacados), e também as referências que o diretor joga na tela sem que os mais espertos notem, sim, pois é preciso ver a cena mais de uma vez para ter certeza de que é “isso mesmo” que estamos vendo. Além da sensação de medo que o filme passa a cada nova cena, mostrando locais de Hogwarts por vezes “suspeitos”, onde qualquer aluno da escola “sadio” não deveria ou poderia chegar. Mas é esse o mérito do “novo” filme: ele elimina qualquer inocência trazida nos dois primeiros, e que ao fim do segundo ano foi quebrada de maneira radical.

Comparem as seguintes cenas abaixo, e percebam objetos de outros filmes que foram “parar” no Terceiro Harry potter, o que o torna, visivelmente, bem distante de qualquer referência “infanto-juvenil”:

Cena do filme “Batman, O Retorno” de 1992, com Direção de Tim Burton; Notem como a cena da transformação da mulher gato acontece:

A cena é aérea, e a câmera se movimenta em um semi círculo…

Um gato lambe o rosto da mulher gato, mas, peraí? Eu não já vi isso “antes”? Ou melhor, eu não vi isso em um outro filme?

Seria essa cena de Azkaban uma mera Homenagem à cena do Batman?  Sendo os dementadores os gatos, no contexto de HP? Ou a cena foi pensada para funcionar da mesma maneira que a de um filme com um tom, tão sombrio quanto? E detalhe, ambos os filmes foram produzidos pela Warner. (Claro que  Harry Potter, tem uma história diferente, a comparação está sendo feita em relação aos filmes).

Então, o beijo do gato, ou melhor, do dementador. Abaixo, mais uma cena do filme “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban” que antecipa a questão do tempo, com uma alusão à obra “Uma breve história do tempo” do Grande Físico Stephen Hawking…

Agora, notem uma outra alusão, esta mais clara, à um filme também, que envolve o tempo, “Donnie Darko”: Percebam que o livro é o mesmo que aparece no Prisioneiro de Azkaban que é do ano de  2004 enquanto  Donnie Darko é de 2001/2002, Direção de Richard Kelly:

Talvez a inclusão desses detalhes tenha ocorrido, justamente porque Cuarón sabe trabalhar bem com diversas referências, dentro de uma estória com um contexto já estabelecido. No caso de Harry Potter, isso foi uma façanha, pois, mesmo com a fidelidade ainda “mantida”, ele conseguiu misturar, incluir e principalmente, fazer alusões bem pensadas à outros filmes e livros, tornando o terceiro episódio da série, o mais interessante de todos, inclusive diante dos “Cálice de Fogo”, “Ordem da Fênix” e “Enigma do Príncipe”. É um filme que não apenas diverte aos fãs, como também, pode ser conferido de maneira independente dos outros, pois ele traz um “conceito”, mesmo tendo uma estória livremente inspirada na franquia do Jovem mago. Espero que esse POST, tenha esclarecido um pouco a minha visão sobre Harry Potter p/ vocês, principalmente este que considero o melhor episódio da série, por argumentos já levantados.

Em breve mais atualizações, por sinal, mais constantes! Abraços!


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