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Impressões

Qualquer coisa que nos cause uma impressão é algo que fica, pra sempre, na memória. Tudo bem. Eu posso explicar melhor, mas como isso é algo que eu inventei e defini, não sei se ficará completamente esclarecido, tendo em vista o tanto de água que movem as pás dos meus moinhos, caro leitor, você não deve me censurar por aqui me desculpar, antecipadamente, pelas loucuras que vão ao meu pensamento, se eu o faço é para poupar-lhe paciência, coisa que em mim, geralmente falta muito. Mas vamos lá… Impressões são sentimentos inesperados, que surgem em determinada situação, e que você não consegue definir na hora sobre o que é ou porque sente, no entanto, será algo que você sempre lembrará. É comum que as pessoas confundam isso com “amor à primeira vista”, mas não é esse o caso. Na verdade as pessoas confundem muita coisa com amor, e se eu for ficar aqui escrevendo sobre isso, entro por outro tema e esqueço sobre do que vim escrever. E eu, realmente, gostaria de falar sobre as impressões.

É comum que isto de impressão esteja associado à imagem. “A primeira impressão é a que fica.” Não estou falando disso também. Essa urgência toda em definir alguém pela primeira impressão é uma coisa que todo mundo faz numa tentativa desesperada de conhecer o outro rápido. Todo mundo tem pressa e assuntos mais importantes pra resolver, conhecer leva tempo e tempo é dinheiro e eu preciso fazer muito, agora, já! E o desespero faz sua apresentação. Assim, permanece a historinha da primeira impressão ser a única e verdadeira. Vamos generalizar pra facilitar o entendimento das coisas, mas as pessoas esquecem que as coisas não são fáceis de entender e que ao menos que você ponha seus miolos lá por um tempo, nenhuma das suas questões serão resolvidas de maneira satisfatória.

Exemplificando: Eu lembro até hoje do que eu senti quando eu vi Freddie Mercury pela primeira vez. Eu tava na mesa com a minha mãe e tava passando o clipe da música “I Want Break Free”, eu estava prestes a mudar de canal quando minha mãe disse: “Deixa aí, a gente cantava essa música no meu curso de inglês”. Tinha alguma coisa na voz, um tom diferente, que fez com que eu quisesse assistir ao clipe também. Só que, eu pequena, achei a aparência do vídeo antiga, e pensava: “Cara, nada de bom, pode vim disso, isso é muito velho.” Até que Freddie Mercury entrou na sala, de sapato de salto fino, meia-calça preta, saia de couro, blusinha rosa e bigode e deu uma piscadinha pra mim. E eu: =O. Eu achei que aquele homem podia fazer qualquer coisa. Ele tava fantasiado de Drag Queen de cabelinho Channel, e, ainda assim, era um dos homens mais másculos que já tinha visto. Eu me lembro disso até hoje porque isso me causou uma impressão, agora deu pra entender?

Todo mundo tem impressões guardadas consigo mesmo, às vezes, por não ter de sobra o maldito tempo, esquecessem-se de compartilhar com os seus. E quantas coisas legais e interessantes deixam de conversar os amigos, os familiares, os namorados, os vizinhos… Algumas impressões são ruins. Mas acredito que essas precisam ser lembradas para que não possamos errar de novo. E elas precisam ficar lá ao lado das boas impressões, para que possamos saber quão boa as impressões boas o foram. E outras permanecem, ainda que não tenham acontecido recentemente. Mas permanecem porque foram fortes e porque você as mantêm sem nem saber por quê. Às vezes, essas impressões nos foram transmitidas por um olhar, às vezes, por um sorriso, ou às vezes pelo Freddie Mercury travestido. Às vezes é um toque, uma palavra, um cheiro, uma música, uma história contada de um jeito especial, ou uma mão no ombro quando você se desfaz em prantos, ou uma maneira especial de ficar parado em pé… E são dessas coisas que nós nos lembramos, que nos mantemos e que nos passam despercebidas na maioria das vezes.
As impressões nos sustentam, e na maioria das vezes, estamos muito apressados pela leitura superficial das coisas pra notar quando uma está acontecendo. Ainda que seja uma agora. Nesse exato momento.

*Anna Paris é escritora, formada em Letras pela Fundação de Ensino Superior de Olinda – PE. Quando bate na telha, vai pra Irlanda passar umas férias, adora maratonas de Harry Potter e escreve semanalmente este Texto Viajante!

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Sobre ser o Ser

Meu maior defeito, e não sei se me aproprio corretamente do nome tendo em vista que defeitos fazem parte daquele lado da alma que não gostamos de encarar por conter verdades que dão pra controlar, talvez seja que eu sou profundo demais.

Vista as palavras daqui de cima chego à conclusão de que ser profundo ou não, não é algo que caracterize defeito. É mais como uma parte do seu corpo, uma coisa que você é porque você é. Como ter 1,75 de altura ou olhos castanhos ou dedos longos. Defeito consiste em excesso: de confiança, de seriedade, de serenidade, de medo e, no meu caso, de profundidade. Uma necessidade incontrolável de ser. Transbordando, preenchendo, afogando. Sendo alguém que se excede em pensamentos dentro de pensamentos e cada vez mais fundo, tendo a achar que qualquer um pode ser assim. Tolice minha.

Pode ser só procura do quê eu já nem sei. No entanto, saber com certeza que eu procuro já me consola porque a sabedoria de algum tempo nos ensina que quem procura acha. E ninguém se anula por isso. A bem da verdade, eu entendo isso agora e só agora. Profundidade não é pra todo mundo, alguns porque não podem e outros porque não querem mesmo. Andar na margem é mais seguro e águas escuras assustam barcos frágeis.

Sereno e reflexivo você continua, alguma coisa em você o acalma. Talvez seja entendimento, talvez conformação. Essa tendência de achar que todos são capazes de atingir determinado ponto desemboca em frustração quando percebe-se que mesmo na diferença, algumas coisas são sempre iguais.

Por Anna Paris*

*No Texto Viajante, Anna Paris relata não só suas experiências – partilhadas com sentimentos universais – mas suas dicas e perspectivas para fenômenos culturais, obras de arte e momentos efêmeros 😉 

Acompanhem-na toda semana! Até a próxima viagem 😉

Atualização!

Casemancer: A Happy Botot

Olá Leitores e Leitoras, tudo bem?

Como impressiona a passagem do tempo! Nem parece que não atualizo este blog a quase um ano, mas, estou motivado a tentar. Começando por sua nova aparência e pelas próximas abordagens. Trarei o apoio de alguns colaboradores, sobre os mais variados temas e conto com a paciência e apoio de sempre para que sejamos um sucesso!

A Coluna impressões retorna com séries que estão sendo exibidas. Diversos especiais literários serão produzidos. Posso adiantar que um dos primeiros será sobre Ficção Científica!

É com muita alegria que agora tento profissionalizar ainda mais este espaço, respeitando o tempo de vocês e tentando me dedicar com mais afinco ao que tanto me interessa!

Muito Obrigado,

Casemancer,
A Happy Robot. 

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Uma deliciosa crônica do nosso tempo é o recém-lançado livro de Bellotto pela Companhia das Letras – Por Roberta Carmona. 

A Coluna Rápida Edição, traça um breve olhar sobre livros da Literatura Nacional!

Zé Roberto e Chica vão comemorar dezoito anos de casamento, mas existe um empecilho bem palpável: o maior congestionamento já registrado no Rio de janeiro – e outro que vai muito além da horda de carros na Linha Vermelha -, o casal está em uma encruzilhada moral do seu tempo. Ele perdido de amores por uma teenager proveniente do facebook (como um homem de quarenta anos não se perturbaria por uma cyber-lolita de refinado gosto a contrastar com as frivolidades de sua idade?). E ela em um iniciado romance com um colega de trabalho onde o forte do affair ultrapassa o desajeitado e raro sexo entre o casal. Será que neste atordoante trânsito a la Cortázar – autor do Jogo da Amarelinha – eles irão resolver seus conflitos? Bellotto conduz a ágil história que poderia cair facilmente no lugar-comum com uma leveza e humor que contagia leitores da primeira à última página.

Impressões: Morte Súbita – J.K.Rowling

J.K.Rowling com seu novo livro: Morte Súbita!

Depois de cinco anos desde que Harry Potter terminou, na altura de agosto de 2012, J.K.ROWLING quebrou seu silêncio em relação ao que estava por vir. Densa é a sua visão sobre os conflitos humanos, ainda que a “inocente” metáfora do mundo bruxo para falar de questões mais inóspitas, tenha sido por tanto tempo sua marca registrada.

No original “The Casual Vacancy” (“Morte Súbita”) isso não é o que acontece: Não temos bruxos ou bruxas, não presenciamos tanta bondade e proteção, não temos um lugar especial nos aguardando e que nos faz sentir bem vindos:  casas são bagunçadas, pouco acessíveis, adolescentes estão expostos aos mais variados e corriqueiros problemas da idade, disseminando portanto a fraqueza que é reflexo da ignorância de adultos muito mal preparados. Uma clínica focada em dependentes de álcool e outras drogas é motivo constante de críticas do conselho da cidade, que é a grande protagonista da história, talvez, situando o mais saudoso leitor à visão de que Hogwarts também já foi um lugar para enaltecer.

Barry Fairbrother é um importante “Político” que cuida do mediano e conservador condado de pagford. Sua responsabilidade com todas as questão é visível, causando através de seu compromisso e bons sentimentos, inveja em alguns e forte admiração e respeito em outros. J.K. utiliza a figura popular (entretanto, jamais perfeita) de um homem comum, preocupado com a jovem e bem desenvolvida personagem Krystal Weedon – e tais preocupações custaram-lhe a vida com um aneurisma. Sua esposa e filhos ficam desamparados logo no primeiro capítulo e autora não deixa qualquer tipo de espaço para sentimentalismo, suporte ou sensibilidade. A crueldade e o ódio são dois pontos essenciais em “Morte Súbita” , tornando a ideia de “vacância” ou espaço que precisa ser ocupado uma constatação primorosa do vazio existencial e da infelicidade predominantes à cada personagem.

É muito interessante visitar o humor e a acidez de J.K.Rowling outras vezes ao longo das quase 502 páginas. Eu que caminho em uma grande correria, dividindo trabalho e perspectivas artísticas, me surpreendi por ter conseguido terminar tão rápido seu novo livro e posso atestar que sua visão e dedicação enquanto autora rendeu-lhe uma direção muito mais ousada, já que preferiu sair do lugar comum com uma única obra fechada, muito bem desenvolvida em seus conflitos, além de colocá-la definitivamente entre as grandes autoras dessa nova década dos anos 2000.

Morte Súbita: Grande Livro!

PERSONAGENS

Não há como não associar a quantidade de personagens deste livro a mesma quantidade da série Harry Potter. Por outro lado, se na série do Bruxo, temíamos a morte daqueles mais carismáticos, J.K.Rowling não poupa ninguém em sua nova visão fictícia. Pessoas usam drogas, sim e isso é real. Adolescentes sofrem violência doméstica e sexual, sim, isso é real. Aos olhos de uma perspectiva mais simplória, seria resolvido com queixas ou perdão. O perdão até faz parte de um dos principais enredos, focado no garoto Andrew, por outro lado, é possível notar que o rancor é a principal motivação para que o silêncio e a resignação sejam o modo de vida mais acessível. Numa vizinhança cheia de peculiaridades, a fofoca, as intrigas, o desejo de uma vizinha pelo marido de outra, e a agressão do filho contra pais que não mereciam, tornam “Morte Súbita” uma obra muito relevante, abordando dentro destas pequenas fraquezas, questões mais sérias como preconceito racial e a vislumbrada e pouco tolerável classe média britânica – que obviamente não é uma regra, mas vindo de J.K.Rowling que sempre evidenciou a diferença entre o que é ser “um bruxo de sangue puro” ou um mero “trouxa”,  era esperado ser visto, já que seu país e histórico pessoal clamam para criticar essa terrível questão.

A única coisa da qual senti realmente falta neste novo livro, foi o desenvolvimento de algumas personagens e maior tempo nas questões de outros: o leitor perceberá que pela quantidade de tramas, naturalmente, as questões mais relevantes sobressaem sem maiores enrolações ou problemas.  Morte Súbita é um livro que recomendo, é um novo passo da J.K.Rowling rumo à maturidade de estilo e a consagração de uma autora que não mais precisa provar ou escrever, mas que por amor e dedicação ao seu público, decidiu ignorar o que já conquistou admitindo que com tal desafio, fez um bom trabalho!

Recomendo!

“Morte Súbita” (“The Casual Vacancy”)
Editora: Nova Fronteira.
Preço, 39,90 (www.submarino.com.br)

Impressões, Nota: 8,5.

Impressões – Cat Power: SUN

Olá leitores e leitoras do Conceitualidade! Depois de um longo período sem trazer novidades ou textos, retorno baseado no novo álbum da Cat Power, buscando inclusive a reinvenção do próprio blog!

 

Novo ar numa carreira excepcional.

Em Sun, a cantora de voz suave e de estrondoso sucesso graças a sua brilhante carreira e solidificada com seu último álbum “The Greatest” de 2006, retornou aos holofotes não com uma grande mudança em seu trabalho – que diga-se, continua ótimo – mas com uma pegada de elementos eletrônicos até então inéditos ao seu estilo acústico, soturno e emotivo. “Sun” abre com a belíssima faixa Cherokee, traduzindo um duplo sentido amoroso que remete aos problemas que a cantora teve em seu último “casamento”. O Álbum segue com a faixa homônima ao álbum, que lembra bastante o som do Depeche Mode no Álbum “Playing the Angel”. “Ruin” pode ser considerada a faixa mais desbocada da carreira da cantora, com um excelente trocadilho entre o que pode ser considerado “vadiação” e principalmente, indisposição pela quantidade de lugares no qual um indivíduo passa, conturbado e envolvido em sérios problemas. Em “Human Being” a cantora se aproxima um pouco do estilo das cantoras do Duo Coco-Rosie ou da também competente, Bat For Lashes.

Não se engane, por outro lado, pensando que o disco é totalmente alegre, a faixa “Nothin’ But Time”, sintetiza bem o sentimento “blue” que a própria capa do disco apresenta, apesar do arco-íris de novas ideias. O que considero  muito interessante nesse álbum é a mudança e a energizada que a cantora tomou, seja com sentimentos ainda mais ácidos ou com músicas muito enérgicas dentro do que é possível chamar de “enérgico” na vida de Cat Power e isso não era exatamente esperado na sua trajetória. Será muito bom que outros cantores e cantoras se inspirem no exemplo dessa grande artista para trazer um novo frescor à própria carreira, fugindo de armadilhas e repetições que vitimam, por exemplo, Alanis Morissette.

Faixas

01. Cherokee
02. Sun
03. Ruin
04. 3,6,9
05. Always on My Own
06. Real Life
07. Human Being
08. Manhattan
09. Silent Machine
10. Nothin But Time
11. Peace and Love

 

Coluna – Impressões – 8,5

Impressões – Grimes

Olá leitores e leitoras, tudo bem? Na coluna impressões, vocês poderão conhecer um pouco da cantora Grimes, que é sem dúvida a moça na foto acima (rs). Grimes está no patamar das cantoras que perpetua uma atraente estranheza vocal (como Kate Bush começou nos anos 80), além e pelos imensos ecos atmosféricos de suas trilhas e principalmente, pela capacidade de ter se tornado uma figura conhecida. Experimentalismo e criatividade são duas chaves presentes em suas canções.

Mercadologicamente ela é um desafio pois sua proposta é basicamente uma versão da “Björk” mais juvenil. Entretanto, ao contrário da veterana, com seu mais recente álbum, aproximou-se do público de maneira incisiva com seu já considerado hit “Oblivion”.  Se em “Vanessa” sua aparência remetia aos filmes do Tim Burton, com o contrato recém assinado sofreu modificações visíveis, mas jamais sem abandonar seu estilo soturno e porque não dizer misterioso. Se Björk no início dos anos 90 causou um estrondoso barulho pela maneira impressionante com a qual misturava ritmos diversos e que muitos julgavam “improvável” em termos de combinação, Grimes pode ser fruto dessa ousadia aparecendo no cenário POP atual como uma espécie de “Coringa”: não é o que se chama por aí de “Diva POP”, mas também não deixa de ser uma atraente recém formada celebridade.

Ao lado de iamamiwhoami (famosa por suas músicas sem “títulos” comuns e videos “surrealistas”) Claire Boucher – seu nome oficial – calibra a música pop com sonoridades que fogem da mesmice bate estaca que pode assombrar os ouvidos mais sensíveis. Nascida no Canadá, abriu a turnê 2011 da cantora Lykke Li em várias e bem sucedidas apresentações que a projetaram internacionalmente. Divulga seu mais recente Álbum “Visions” que pode ser definido (assim como seu título) como metafísico e bastante agradável.  A doçura e em certa medida infantil voz da cantora é o grande trufo de sua perspectiva artística, ao mesmo tempo que parece uma provocação: de maneira generalista, efeitos vocais são usados exaustivamente na música pop tornando praticamente impossível saber quem está cantado, no caso de Grimes, é possível entender a expressão de uma ideia bastante criativa a partir de seus sons e camadas melódicas.

Definir com argumentos muito diretos não faz jus ou tampouco respeita o trabalho que essa jovem e multi-instrumentista de 23 anos tem executado. Seu álbum está entre um dos melhores desse semestre apesar da já citada estranheza – o que é bom. A sensação de escapismo (mas jamais vulgar) também pode ser uma das razões pela procura e pelo interesse que seus fãs já entenderam como estilo da cantora. Levando em consideração a repetição de provocações desmedidas no cenário musical – de cantoras – Grimes está acima de qualquer discussão que a coloque no meio das já tradicionais “princesinhas” POP que surgiram na tentativa de superar o legado (imbatível) que Madonna ainda sustenta. Se boa parte das cantoras tentam parecer como a veterana do POP, em alguma bizarra comparação, Grimes é tal qual o Ray of Light: sereno, elegante e artisticamente compromissada com o que diz.

Coluna – Impressões – 8,5

Impressões – MDNA!

A Rainha do Pop voltou! Não, não está de volta, nem vou começar o texto dessa forma porque é a coisa mais previsível que a maior parte dos sites nacionais e internacionais, blogs e outros meios de discutir um tema (neste caso o novo disco da Madonna), costumam fazer. Além de tudo, Madonna nunca esteve ausente da grande mídia, seja promovendo sua marca Material Girl em 2011 ou seu filme também no mesmo ano, “W.E.”.

MDNA é o décimo segundo álbum de Madonna que começou sua carreira na década de 80. Se até 2006 ela não estava bem com o conceito “Material Girl” (título da sua famosa música), principalmente pelo clima blasé e não menos poderoso da fase Confessions, agora ela parece abraçar cada etapa que a consagrou com o seu disco mais fragmentado, porém, de momentos extremamente positivos, em boa forma e com leves repetições já vistas em sua carreira. Não seria nada estranho perceber que Madonna correu grandes riscos no álbum, começando por “Girl Gone Wild”, faixa que abre o disco com uma introdução que remete ao Álbum Like a Prayer na canção “Act of Contrition”, entretanto, como apontam as opiniões mais “fanáticas”, esta canção é prato cheio para rádios que tocam hits mais recentes de cantoras que não irão durar trinta anos, como a rainha do POP desafia qualquer um a fazer. Na segunda faixa, temos o grande ponto do álbum em termos de provocação e de intensidade: “Gang Bang”. Co-produção de William Orbit (de Ray of Light – Álbum, 1998), Madonna soa assassina e muito mais profunda se comparada aos sintetizadores simplórios de “GGW”, além de ter convidado para direção do video deste single, na conferência do Álbum promovida através de um canal no youtube e também via Facebook, o ótimo diretor de cinema, Quentin Tarantino. O grande risco da primeira canção, portanto, é justamente transformá-la em uma garota: mas o terreno planejado por ela é sério e a própria tem permissão para fazer isso – além de todo problema envolvendo o site pornográfico Girls Gone Wild que criticou a cantora por ter utilizado essa expressão quando batizou a canção.

Diferente de diversos grupos como Spice Girls ou Backstreet Boys, ou de cantoras como Lady Gaga, que sumiu dos holofotes pós explosão do seu Disco Fame Monster, Madonna continua reciclando sua carreira e seu foco de atuação e lançamento. Se em Born This Way, Gaga prometera lançar o álbum da década (caindo em contradição levando em conta a pressão feita sob o mesmo discurso que destruiu Christina Aguilera e Britney Spears – de que seria necessário “Uma nova Madonna”), mas com videos mal conduzidos, brigas com a gravadora e um ego que parece ter ficado maior que o nariz da cantora, perdeu o foco que a levou a tal grande e merecida fama, explorada em seu primeiro disco – suas interessantes reciclagens e até futurísticas ideias, deram lugar a uma discursiva garota – que mesmo vendendo muito – soa hoje pretensiosa tornando-se vítima do que ganhou, tendo agora que se focar apenas na turnê, além de amargar a vitória da Cantora Adele (uma ressaca pós Amy Winehouse), que abriga um potencial vocal incrível e digno de ter levado todos os prêmios Grammy deste ano.

Com uma excelente apresentação no Superbowl (onde Lançou oficialmente o divertido single Give me All your Luvin’ – com participações de M.I.A. – também em B’day Song e Nick Minaj novamente em I dont Give A – lembrando bastante os elementos que Michael Jackson usou em seu álbum Bad, com forte influência do rock e r&b, muito bem executadas pelo produtor Martin Solveig) Madonna deu o troco que todos esperavam: a maior audiência de um intervalo na história do evento norte-americano, além de computar números maiores que as próprias partidas em toda temporada, contrariando a opinião daqueles que dizem que o espírito da cantora envelheceu  em relação ao boom frenético pós Gaga. É importante ressaltar que são poucos que conseguem chegar aos 53 anos com tamanha relevância, sendo mais enfático, na música POP, não existe ninguém tão vivo e tão ousado como essa cantora, sendo um caso raro de mão de ferro no que diz respeito a sua carreira. Já faz algum tempo que Number one deixou de ser seu propósito essencial, entretanto, ao contrário de alcançar o topo das paradas com apenas uma canção, na pré-venda da Itunes ela atingiu o primeiro lugar em cerca de 50 países, o que é impressionante levando em conta seu último álbum, o regular Hard Candy de 2008 e principalmente, a divulgação produzida apenas na internet e em poucos canais de tv: com entrevistas modestas e sem chamar tanta atenção para si, Madonna mostra que nem tudo requer escândalo ou verborragia e principalmente, a escolha acertada do Superbowl provou que pouco é o suficiente quando se tem um bom álbum em mãos e a já tradicional visão estratégica da Rainha do POP.

Polêmicas do novo álbum: Sexo, violência,  drogas , relacionamentos falidos e nudez!

“Girl Gone Wild” pode não ser a melhor música do disco, tampouco a melhor abertura, mas abre MDNA com bastante energia e não deixa ninguém paralisado quando o assunto é dançar sem preocupações ou com descrições mais profundas. Com participação – no videoclipe – do grupo ucraniano de dança e com alguns singles,  Kazaky,  que utiliza a androginia e um visual preto e branco bastante peculiar: os movimentos não remetem aos passos humanos, numa espécie de mistura de músculos alienígenas e jogos de luzes que podem carregar simbologias eróticas e novamente, Madonna utiliza o que a consagrou: a iconografia própria dos anos 90, com muito couro, nudez, alusões religiosas e mensagens que questionam a moral cristã.

Outro ponto bastante controverso do video, é a cena de masturbação de um dos modelos e a nudez envolvendo este mesmo indivíduo, o que foi suficiente para que o youtube solicitasse a mudança da versão do video no canal Vevo e da própria cantora. O Dj Deadmau5, mais conhecido como “o cara com capacete do Mickey dark”, criticou a postura da cantora num evento ocorrido recentemente no qual ela fez um trocadilho utilizando o termo “MDMA” que é uma outra nomenclatura para designar a droga do amor, o ecstasy. Na música I’m ADDICTED, também uma das melhores do disco MDNA, é possível sentir o escapismo que a cantora emprega e que se relaciona a sensação descrita pelos usuários desta droga: definitivamente, utilizando uma gíria para o título do disco, Madonna sintoniza-se outra vez com as pistas de dança (remetendo inclusive o sentimento da excepcional Get Together do Álbum Confessions on a Dancefloor, 2005) – pela pressa que o nome é dito – e principalmente com o universo virtual, já que o título remete a uma hashtag prestes a ser utilizada. Outro ponto excelente do novo álbum é a arte de capa assinada pela dupla famosa Mert & Marcus, conhecidos por campanhas publicitárias e voltadas ao mercado da moda e pela terceira vez em um disco (Confessions, Hard Candy), do Diretor Criativo, Giovanni Bianco, que aplicou essa camada “canelada” que se assemelha ao clássico estilo de janela de cozinha (rs).

Impressões Finais. 

MDNA é conceitualmente e em termos de produção um banho no último disco que contratualmente Madonna produziu na Warner: Hard Candy. Se ouvirmos com calma, “seu novo DNA” como a própria definiu em recente entrevista, soa uma extensão do Álbum Confessions (principalmente), Music, American Life e do próprio Ray of Light, com o qual ganhou vários prêmios.  Entretanto, seu recente disco, emprega um clima muito mais soturno e urbano, enquanto o Confessions (produzido pelo excelente Stuart Price) era bastante elegante na sonoridade e vanguardista em suas ideias e na conjunção “non-stop”, mesmo soando bastante “Street“, é um dos grandes momentos da carreira da Madonna, enquanto MDNA é um bom recomeço, fragmentando faixa a faixa a ideia de que ela estava usando o melhor de si. Hard Candy não pode ser completamente desmerecido se conhecermos seu contexto e levando em conta seus ótimos momentos – “Beat Goes On”, “Give It 2 Me”, “Candy Shop”, “Milles Away”, “4 Minutes”, “Heartbeat” e “She’s Not Me” – que parece uma prévia de “Some Girls”: o álbum seria uma metáfora feminista, teria o nome original de “Black Madonna” utilizando simbologias  resultantes do imaginário feminino,  como é possível notar na faixa “Animal”, hoje considerada Bside, sendo infelizmente um grande desperdício em termos de qualidade e estando acima de faixas como “Incredible” que se estende de forma repetitiva assim como “Spanish Lesson” soa bastante preguiçosa e com uma ideia bastante oportunista focada obviamente na passagem da cantora pela América do Sul. Como a crítica é baseada em seu mais recente álbum, julgo necessária essa comparação, pois, MDNA é muito superior na sonoridade, nas experimentações de Love Spent com um banjo arrojado no melhor estilo melody de Stevie B dos anos 80 e esta mesma canção soa como uma segunda, assim que a descrição do “amor” na letra, vai se tornando frágil e bastante obscura: méritos típicos de William Orbit e por essa razão Madonna soa muito diferente do que se produz no mercado. Some Girls é extremamente jovem e utiliza sintetizadores vocais que podem confundir os mais desatentos, podendo ser entendido como uma cutucada na cantora Lady Gaga, já que se assemelha bastante com a proposta robótica e com agudos “gélidos” no seguinte trecho:

“Wrap your arms around my neck
It’s time to steal some hugs today
If you wanna play this game with me
I AM not like all the rest
Some girls are second best
Put your loving to the test, you’ll see

Some girls are not like me
I never wanna be like some girls
Some girls are just for free
I never wanna be like some girls”

http://www.vagalume.com.br/madonna/some-girls.html#ixzz1rLO3bxs4

Entretanto, a letra é muito madura e é característica de Madonna, coloca-se em perspectiva/panorama presente, justamente porque ainda que suavemente e de maneira irônica (como é possível também notar o retrato do atual pop em “Give Me All Your Luvin'”), não tem medo de confrontar os artistas que hoje fazem sucesso. “Falling Free” e a já conhecida e premiada faixa “Masterpiece” (Ambas co-produzidas por Orbit), são parte do que acredito que Madonna fará com mais frequência daqui pra frente: baladas românticas. E nesse sentido, ela consegue ser explosiva, ainda que em ritmos muito delicados e foge de qualquer pieguice natural de alguns cantores que exploram tal perspectiva, como também é possível notar em “I Fucked Up”. O único ponto que eu julgo um pouco “Obsoleto” apesar de ser uma boa faixa e muitos podem discordar do que vou dizer é “I’m A Sinner”: essa faixa parece uma mistura do Ray of Light (Álbum) com “Beautiful Stranger”, do mesmo período (1998-2000), o que parece ser uma tacada bastante previsível e um lugar comum e certo de que resultaria em sucesso na perspectiva da cantora. “Turn up the Radio“, produzida pelo divertido Solveig, tinha tudo para ser um carro chefe com garantia de número um em várias listas de revistas que calcularão faixas que serão Hits, por outro lado, Madonna parece estar explorando justamente o inusitado nessa etapa, atraindo a completa atenção para o Álbum e não para os singles mais poderosos que lá estão inseridos, com pontuais bate-papos com os fãs via Twitter, sem “fidelizá-lo” como terreno seu – Olá Lady Gaga – tanto quanto tem divulgado vários videos em seu canal do youtube com bastidores da produção da turnê.

“Superstar” e “Beautiful Killer” soam muito radiofônicas e de fácil assimilação, sendo a primeira uma bela forma de mostrar a união que Madonna tem com a filha Lola e como ambas são sintonizadas, inclusive, artisticamente. Segundo Madge, “Beautiful Killer” é uma homenagem ao ator Alain Delon, do qual, ao lado de Marlon Brando e James Dean, completa uma espécie de “olimpo” de atores dos quais Madonna tem grande admiração e faz o possível para citar enquanto referência. Finalmente, a última faixa “Best Friend” não é o melhor exemplo de sonoridade, sendo bastante experimental e um pouco “oca”, entretanto, a letra é muito passional e bastante sincera, o que talvez – caso seja executada ao vivo – pode ser reconsiderado com outros arranjos na nova turnê que tem o título de “MDNA WORLD TOUR”, prevista para ter início dia 29 de Maio em Israel.  

Como ressaltado, não é o que classifico como “gigantesco momento” em sua carreira, mas este recente lançamento segundo certificações especializadas  já passou das 700 mil cópias vendidas em uma semana, sem contar as versões que foram vendidas junto com alguns ingressos para os shows. Na minha lista de grandes álbuns da cantora, estão Confessions on a Dancefloor, Ray of Light, Erotica, American Life e Like a Prayer: nestes discos, Madonna faz jus ao título de rainha do POP e se em Hard Candy, ela fez um movimento de termino contratual, em sua vida pessoal (com o fim do casamente de 8 anos com Guy Ritchie) e finalmente, a sua saída da Warner, em MDNA, ela assina – com bastante êxito – com a Live Nation, Universal e Interscope, o primeiro grande passo da sua nova re-invenção. Como impressão e talvez indício do tempo no qual vivemos nesta década, cada vez mais, ela aparecerá protegida por camadas estrategicamente bem pensadas para mante-la bonita – já que é natural da cantora desafiar convenções desse gênero – manter-se na mídia (previsivelmente) e principalmente, consistente. Fica provada uma incrível sagacidade, uma ótima e divertida visita aos pontos mais clássicos de sua carreira e uma elegante exibição do seu gene musical.

Impressões: Rica em Detalhes – Nota: 7,5

Maiores Séries Infanto – Juvenis dos Anos 2000: Final!

Finalmente esse especial preguiçoso iniciado em 2010 terá sua terceira e última parte. Peço desculpas inclusive a quem iniciou a leitura pois eu realmente não tive paciência para terminar (rs). Talvez, a prática (escrever) esteja voltando para meu dia-dia, o que é bem positivo: isso tem se tornado terapêutico. Entretanto e sem mais conversas, vamos ao encerramento dessa tão complexa lista e por certa intuição, não representa (obviamente) todos os exemplos de alta literatura do gênero, entretanto, em breve tentativa, aqui abaixo o que considero “importante” para qualquer leitor ou leitora interessado(a) ao tema.

Terceiro Lugar: Percy Jackson, A Saga Crepúsculo e Jogos Vorazes!

Aqui não cabe uma única série, tampouco preconceitos. Para não ser injusto com os recém formados leitores, eu não poderia colocar no pódio apenas 3 séries que se destacaram de 2004 para cá, numa espécie de “pós efeito Harry Potter”. É nítido o sucesso das respectivas séries, por traduzirem o sentimento de uma juventude bem “precoce” e porque não dizer, mais aventureira e sobrecarregada de informações. Nesse grande universo jovem, temos dúvidas, descobrimentos (naturais a todos nós que temos a oportunidade de crescer e principalmente refletir sobre isso) e valores que são vistos ou expostos na literatura ou em qualquer forma de arte. Pensando nisso, sábios autores e autoras tornam-se verdadeiros fenômenos, e o que mais chama atenção em Crepúsculo (Twilight) é justamente a sua castidade em contrapartida ao que já foi mencionado.

Se nas obras de Anne Rice ou em Drácula de Bram Stoker, temos uma visão muito mais “clássica” (e original em termos de folclore) dos vampiros, em oposição a tudo que é oriundo e natural do folclore vampiresco (vampiros são sexualmente atraentes, gostam de sangue humano e não se expõem ao sol) pela sua formação religiosa, Stephenie Meyer elaborou um enredo que trouxe três personagens interessantes, mas muito “controversos” pela sua essência: Bella Swan, protagonista que ao deixar a casa da mãe, muda-se para Forks, cidade na qual jamais faz sol e lá chama atenção de um misterioso rapaz, Edward Cullen. Vivendo com seu pai, divorciado e por tal razão, decide convidar a filha para viver com alguma companhia, apresenta-lhe Jacob Black, um rapaz com feições caninas e de família indígena. Obviamente tudo é muito claro e previsível no texto, o que causa muita ira nos mais radicais críticos da série, além da forte acusação de que Meyer sem qualquer agradecimento, “sugou” como inspiração  parte do texto originário de Diários do Vampiro  da autora L.J. Smith, que lançou seu livro em meados de 1991 – e diga-se, é muito superior a crepúsculo, por não ser tão pudico e por ter uma narrativa muito mais ágil, além de elementos folclóricos bem mais diversos.

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Segundo o Blog 16 Mil Metros  “Alguns sites que também falam sobre o livro, dizem que a luxúria de sangue promovida por Drácula ao se alimentar e “infectar” suas vítimas com a maldição seria uma alusão à sífilis e outras doenças transmitidas através do sangue”, em contrapartida, Crepúsculo radicalmente nega isso, pois os vampiros citados (quando protagonistas) não se alimentam de sangue humano, apenas de sangue animal. Quando tais vampiros aparecem na forma tradicional, são de índole extremamente maldosa.

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Crepúsculo é um fenômeno recente, impulsionado pela série de filmes produzidos pela Summit, hoje parte da produtora Lionsgate (a mesma de Jogos Mortais – Saw e também Jogos Vorazes) e mesmo carregando tanto sucesso e recebendo aprovação de pais e mães mais “conservadores” no sentido da preservação da sexualidade pós casamento, Lua Nova, Eclipse e Amanhecer não melhoraram a reputação da Saga entre leitores de base mais “clássica” e porque não dizer, mais lúcida: Não estou querendo desencorajar ninguém que tenha interesse nos 4 livros da série, entretanto, seria muita estupidez não deixar claro o quanto a série é despretensiosa e visivelmente fraca em termos de “qualidade literária”. Em Forks, os vampiros brilham, reluzindo o que o sol emana, e o que seriam lobisomens, na realidade, fazem parte um de clã que é formado por Lobos, não pela mutação humanoide que estamos acostumados ou lemos a respeito.

É triste entretanto que muitas pessoas deem o mérito apenas a Stephenie por esse fenômeno, já que a própria Smith ou Anne Rice eram bem sucedidas nesse gênero muito antes do seu “boom”  representado em canais de entretenimento e livrarias, e justamente, pela maneira mais “fácil” de conseguir lucro e novamente toda atenção. Críticas a parte e opiniões radicais sobre a série Crepúsculo, o objetivo desse especial sempre foi (e é possível notar nas outras listas) convidar você para um debate ou para construções de opiniões, favoráveis ou não ao que está sendo dito. Não direi entretanto, que junto dos demais livros, que eu recomendo (mesmo tendo lido os três primeiros livros da série Twilight), contudo, fica aqui o espaço destinado ao reconhecimento da série e que ao lado de Harry Potter merece ter a menção de que chamou de volta ao mundo dos livros jovens sonhadoras e alguns jovens rapazes interessados em boas doses de ficção, certa “pontinha de suspense” e um pouco de diversão, já que não podemos exigir mais do quê isso de leitores na faixa etária para qual o livro “é destinado”.

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Curiosidade em Twilight: Crepúsculo é antes de qualquer outro argumento explicativo, um romance jovem e certamente este deve ser o ponto que atrai tantas moças aos livros da série, mas do quê rapazes que podem sentir mais ligação com Percy Jackson ou Jogos Vorazes, pelo contexto ser muito mais plural (não apenas focado nas visões femininas – Mitologia Grega e Distopia).  A autora pretendia lançar um quinto livro, mas uma pessoa próxima (segundo sua versão da história), “vazou” 12 capítulos do livro que seria o tal “Crepúsculo” na ótica de Edward Cullen, por sua vez, o passado do vampiro, como surgiu (detalhadamente) e o que vivenciou até conhecer Bella. Entretanto, com o sucesso da franquia no cinema, fica claro que isso pode ser uma interessante estratégia de mercado para suas futuras “obras”, tais como A Hospedeira, que ganhará uma adaptação ao cinema em 2012, com lançamento previsto para 2013. Outro detalhe nesta saga, sobre os vampiros, é que quando são mortos, eles não se dissipam como fumaça ou explodem/pegam fogo (como é a visão do seriado true blood), mas se partem como cristais de mármore (resultado da explicação engraçadíssima que a autora encontrou para seus pálidos “morcegos”).

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1984 de nossos tempos : Jogos Vorazes!

As comparações com a série Battle Royale do Oriental Koushun Takami se resumem a estrutura do governo que coloca seus jovens para lutar até a morte, restando apenas um único vencedor. Se em Battle Royale entretanto, a questão é muito mais voltada ao universo estudantil e principalmente aos terríveis índices de delinquência, em Hunger Games temos um panorama distinto: os Estados Unidos, como nós conhecemos hoje, entrou em decadência por conta de revolução na qual 13 distritos voltaram-se contra a terrível e poderosa Capital e no local do seu antigo nome, agora é chamado de Panem (que pode ser entendida como a forma radical da expressão original romana “pão e circo” – em livre tradução, fazendo alusão a política do espetáculo violento, porém, divertido).  Como já era esperado, a Capital venceu, massacrando os distritos e como punição anual, os jogos vorazes foram criados para demonstrar o poder exemplar de seu comandante. Cada distrito tem uma função em termos de recursos já que a capital é a grande receptora de todos os bens de seus subordinados terrenos demarcados. Para quem não leu o livro, o filme é uma ótima recomendação de sucesso merecido e as terríveis comparações com crepúsculo são desnecessárias, não porque considero Twilight de qualidade duvidosa, mas, principalmente, porque creio que o público está disposto a aproveitar de tudo um pouco. Deixando de lado essa discussão besta que o mercado encontra para vender “novos produtos”, talvez, o maior mérito em Jogos Vorazes e na trilogia que compõe o forte argumento da autora Suzanne Collins, seja a sua temática social, ambiental e distópica na perspectiva de uma jovem moça, Katniss.

A estrutura de um estado ditatorial: Os distritos e seus tributos!

Como apresentado no trailer da adaptação e principalmente, pelas sinopses já divulgadas, Katniss e Peeta são selecionados como Tributos, ou seja, Crianças e jovens entre 12 e 18 anos que são parte determinante para função dos  Jogos Vorazes, na melhor semelhança com os gladiadores e suas arenas, neste caso, um ambiente extremamente desenvolvido e seus futuros perdedores. Entretanto, em ato de defesa à sua irmã Prim, Katniss vai como voluntária e junto ao Peeta formam a dupla que representa o seu distrito, número 12. Tal qual este território bastante pobre e focado na produção de minério (cada distrito tem uma função econômica), os outros 11 distritos, não mais 12 pois no filme não há menção do falido décimo terceiro distrito que foi derrotado pela capital, elegem suas crianças, podendo apenas restar um que ganhará ração e benefícios a sua “comunidade”. Existe muita semelhança com o livro 1984 nesta distinta obra infanto-juvenil e o já intenso contexto é uma impressionante sugestão de mudança de panorama, ressaltando que os jovens ainda assim, podem mudar uma sociedade e principalmente, abandonar a internet majoritariamente, dando lugar a uma leitura prazerosa e sem exageros, instrutiva. Se em Harry Potter, temos diversas percepções imaginativas exploradas, Suzanne Collins nos presenteia com um “sobrinho” recém nascido da distopia 1984 do George Orwell, que para quem não sabe é o mesmo autor de A Revolução dos Bichos, clássico livro sobre a metáfora socio-econômica não só Britânica, mas de uma forma geral, universal, que utiliza a imagem do porco como explorador capaz de se adaptar as condições mais adversas, tudo para ser visto como humano. Pink Floyd consagrou essa imagem em seu álbum “Animals”, onde é possível ver um pequeno porquinho sobrevoando uma fábrica.

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Um dos pontos mais interessantes em jogos vorazes é a importância social dos estilistas e principalmente, a contraposição de estrutura enquanto “cidade” e estado da capital: se a maior parte dos distritos não são urbanizados ou de alguma maneira sofrem com a escassez de recursos, a capital apresenta uma das melhores arquiteturas e principalmente, funcionamento enquanto ambiente para construção da vida. Clima agradável, sem poluição, grande quantidade de água potável e uma vislumbrante paisagem repleta de árvores e outros recursos altamente pensados para o proveito que a consciência ambiental pode gerar. É bem interessante esse uso de “metáfora” para o mal enquanto sábio administrador  e principalmente, enquanto inovador modelo de sociedade. Katniss e Peeta são direcionados a um tutor que lhes explica absolutamente tudo sobre os jogos, apesar da inicial resistência, que vencera uma das competições. Nas mãos do estilista Ciina, ganham vestimentas impecáveis a prova de fogo, pois cada tributo é usado em um desfile de apresentação já na capital. O símbolo da resistência de Katniss é o pássaro que está estampado na capa dos livros e que foi dado a Katniss de presente por uma humilde senhora no mercado de troca e venda da região de Saem.

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Remetendo outra vez ao Império Romano, a espetacular tomada da “carnavalização” e do espetáculo que os mais atentos podem notar como clara alusão aos conceitos de Maquiavel e de Guy Debord, deixam claros o poder da série Jogos Vorazes e por esta razão, a qualidade e principalmente a quantidade de argumentos com os quais tem sido bem defendida.  Outro ponto que merece destaque: o colorido dos figurinos, o visual clínico e até em certo ponto retrô de alguns personagens, seus cílios sobressaltados saindo das faces e a higiene digna de Admirável Mundo Novo com a qual aquele modelo de sociedade é administrado. O único ponto que considero falho na adaptação, é a falta de uma explicação mais consistente sobre aquele modelo de sociedade e principalmente, como a Capital começou a sua estruturação/execução de governo, se existem escolas para jovens (Pergunta claramente e brevemente respondida nos livros) e como alguém pode ser considerado desertor do regime.

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Curiosidade em The Hunger Games (Jogos Vorazes): Este livro e principalmente o filme já são de longe uma das melhores surpresas “comerciais” nos últimos 10 anos, ainda que sua construção não seja nem de perto neutra se pensarmos nos já citados Orwell, no Zamiatin autor e pai do conceito “Distopia” através do livro “Nós” que serviu de base para Brave New World e 1984, além de Ray Bradbury, autor de Fahrenheit 451 e Anthony Burguess de Laranja Mecânica, já que o estado ou A Capital exercem um poder de vigilância constante, usando artifícios geneticamente modificados e modificáveis para manter o controle e a unidade tão desejados, além da mídia ser um instrumento fundamental para que essa sociedade continue “apática” e empobrecida culturalmente. Curiosamente, no filme, e acredito que seja informação do segundo livro da série que se chama “Em Chamas”, o distrito 11 do qual Rue fazia parte, é integrado por uma grande quantidade de pessoas negras e é neste distrito que as rebeliões começam! Até neste ponto, as metáforas que a autora encontrou se tornam cada vez mais ricas e incríveis!

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Quando outro raio se torna fenômeno!

Percy Jackson do autor (e durante 15 anos professor de história e inglês) Rick Riordan é um recente fenômeno de vendas e em certa parte de boas críticas, nascido também nos Estados Unidos. Pode ser considerado produto pós Harry Potter pelas semelhantes abordagens elaboradas através da mitologia como algo paralelo a realidade humana, já que os deuses gregos convivem com os humanos e as crianças desse cenário, a partir dos 12 anos, são colocadas diante de sua verdadeira origem. Na trama, Percy é um garoto que sofre com o déficit de atenção e com a dislexia, o que o impede de escrever adequadamente. Com terrível histórico na escola, mal entende qual a razão para conseguir encrencas até quando não quer, eis que lhe é revelado o motivo pelo qual tanto problema o cerca:  É filho de um dos grandes deuses da Grécia antiga.  Talvez, no meio de tantas histórias semelhantes, meu entusiasmo seja demasiado e por isso acabo perseguindo tanto livros com essas temáticas.

Considero, entretanto, muito interessante o movimento tomado cidadãos norte-americanos ainda que de modo superficial, à cultura – pela leitura – que é incentivada, mesmo que isso seja muito genérico se pensarmos que lá o dinheiro é uma língua em constante ascensão. Panoramas a parte é bem certo que esse contexto torna muito mais acessível a compra, venda e a produção de novos fenômenos, alguns inclusive, mais autênticos justamente pela estrutura e seriedade que envolvem seus valores e o conceito “cosmopolita” envolve logo de cara, a infância e uma explicação cultural da mitologia grega aprovada por professores e por especialistas em pedagogia. No Brasil não existem muitos exemplos em larga proporção que são incentivados de tal maneira, já que para uma população que se diz “afastada” ou sem tempo para ler, torna-se complicado produzir autores e autoras que fujam dos meios tradicionais de mídia e até mesmo de publicação. Até o conceito de “nicho” nos Estados Unidos é mais desenvolvido: enquanto aqui há uma necessidade de empurrar tudo como um fenômeno baseado em outros “produtos” imediatistas, no país ao norte é possível construir diversos exemplos de sucesso e todos podem se tornar fenômenos, incentivando a produção de outras e novas estórias, autores e produtos derivados de ótica “capitalizadora” que tantos produtores buscam na hora de concluir adaptações. Não é por falta de preparo que nós Brasileiros não presenciamos tal realidade: é a falta de vontade e principalmente, empenho dos meios estabelecidos para mudar tal panorama, pois, além de gerar lucro, a educação sem ser didática tem poder suficiente para transformar a infância de jovens, crianças e de adultos que nunca deixarão a criança dentro de si morrer. Por esta razão o destaque a tais obras.

Curiosidade em Percy Jackson: Ainda que sem muito sucesso de crítica ou público, a adaptação ao cinema da série foi também dirigida pelo famoso Chris Columbus, o mesmo diretor de Harry Potter e a Pedra Filosofal e Harry Potter e a Câmara Secreta. Entretanto, foi muito mais um descuido da FOX (produtora do filme) do que do diretor escolhido que já está familiarizado com esse tipo de cenário jovem, com o tom que a adaptação receberia. A abordagem dada ao filme não é fiel ao livro tampouco fez o público estar cativado pelo crescimento dos atores como ocorreu na série Potter: em Percy Jackson era necessário atores muito mais jovens o que não ocorreu no filme, sendo os atores já adolescentes prestes a completarem 17, 18 anos. É a velha ambição de repetir o sucesso sem respeitar que são obras distintas (Harry e Percy) e que muito mais válido e honesto é o sucesso de Harry Potter no cinema, pois tudo foi resolvido e desenvolvido com cuidado, criatividade e as vezes, com certos pontos inovadores, além de atrair para o início dessa já célebre referência do cenário/cultura pop, nomes consagrados da música (John Williams e Alexandre Desplat), atores de altíssimo nível e qualidade emotiva (Alan Rickman, Gary Oldman, Maggie Smith, Richard Harris, Sir Michael Gambon, David Theliws – só para citar alguns) e principalmente, visando uma execução primorosa, não apenas focada no lucro, já que os ganhos oriundos da qualidade, deixam marcas intensas naqueles que se tonam fãs e admiradores dessas franquias. Talvez esse tenha sido o erro da Franquia Percy Jackson no cinema, entretanto, enquanto literatura (originária), o autor está muito bem e já cuida de outras séries – Pirâmide Vermelha – focada no egito antigo e que também tem atraído diversos leitores.

Desventuras Prazerosas: A Grande Série de Lemony Snicket!

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 Se existe alguma série de livros que mereceu tirar do posto a franquia Harry Potter da lista de mais vendidos do New York Times – se não estou enganado – em 2004, ela responde pelo nome de Desventuras em Série,ao todo com 13 livros. A saga dos órfãos Baudelaire não só é fantástica, cheia de referências ao Allan Poe, ao próprio poeta das flores do mal e outras alusões românticas da literatura, como impressiona pela riqueza textual, pela fina ironia aplicada as situações pelas quais esses três lindos irmãos passam e principalmente, pelo primoroso convite a leitura. Enquanto estavam na praia do sal, cenário inicial do primeiro livro (Mau Começo), são avisados por um provisório tutor chamado Poe que perderam seus pais em um terrível incêndio. Não bastasse a tristeza pelo falecimento dos pais, os Órfãos Baudelaire encontram-se desde então em uma terrível situação que envolve o vilão de toda estória: Conde Olaf.

Sob a tutela deste terrível e caricato personagem,  trabalham em equipe para escapar de suas trapaças e armadilhas, sabidamente entretanto, os jovens órfãos destacam-se pela inteligente maneira com a qual a sua união é literalmente forte, utilizam cordas penduras em altas torres para discretamente atingir a luminária em formato de olho – interessante passagem muito bem adaptada para o cinema – e pelas mordidas intensas da irmã mais jovem, Sunny. Violet é uma exímia criadora, inventora, leitora e pesquisadora, sempre amarrando sua fita em um laço, destacando seu pescoço belo, chamando atenção do Olaf em outros sentidos, não apenas enquanto “interessado” na fortuna dos jovens, já que Violet é a mais velha dos três e um casamento forçado à espreita pode dar ao Conde o direito sobre a herança do jovem trio.

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Ao prender seu cabelo, Violet deixa um sinal de que as ideias estão fervilhando, portanto, eles poderão escapar com segurança. Klaus entretanto, é um excelente leitor, sabe quando e porque deve articular suas palavras e de maneira impressionante, sabe como desvendar enigmas, tais como os que tia Josephine deixara antes de ser levada até  o lago das sanguessugas pelo temível Olaf. Sunny em pertinentes mordidas naturais da idade, sempre ajuda de maneira violenta, mostrando que força e inocência podem caminhar juntas. Essas são caraterísticas muito pequenas dessa rica série cheia de mistérios que remetem aos clássicos O Médico e o Monstro e Frankenstein.

Curiosidade em Desventuras em Série: Cenários Atemporais ou Steampunk.

Um detalhe muito bacana da série desventuras é a década na qual se passa.  As construções e casas se assemelham a arquitetura gótica herdada dos século 12 e 13, ao mesmo tempo que os recursos tecnológicos em alguns ambientes ou diners (pubs e restaurantes) são utilizados (caixas registradoras, rádios comunicadores, geladeiras, letreiros em Neon) e fazem uma contrapartida ao visual histórico que se assemelha ao século XIX. O conceito Steampuk é parte da literatura fantástica que reconta a história da humanidade com alguns avanços antecipados, sendo parte integrada da ficção científica, popularmente difundida desde 1950. Sua notoriedade e “autoridade” enquanto gênero sério veio através de prêmios como Hugo Award, pelo reconhecimento da revista Time aos livros Laranja Mecânica e Neuromancer e principalmente, por William Gibson e Bruce Sterling serem os principais difusores desse gênero desde H.G.Wells de The War of the Worlds.

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Dentro da ficção científica, o Steampunk é a versão “emoldurada” e com cheiro de vapor – em breve e superficial resumo –  oriundo do cyberpunk – focado na ciência nanotecnológica e principalmente, nos avanços oriundos das cadeias e redes virtuais surgidas depois da internet, além da incorporação dos homens as máquinas, ou basicamente, a quebra dos estados naturais de vida e morte, possibilitando com esses recursos transformar os seres humanos em indivíduos com maior tempo de vida. A partir dessas características, o Steampunk se destaca também por ter sido (diversas e incontestáveis provas disso são muito fáceis de encontrar pela rede) num universo de ficção cientifica criado por autores consagrados como Júlio Verne, passados no século XIX. Nesta perspectiva, robôs, aviões e outros meios de locomoção baseados no vapor industrial, causando níveis de poluição terríveis e em parte, são uma etapa do que é presente na vida dos personagens abordados e isso também é destacado por desventuras em série, justamente pela paisagem cinzenta e com tons pasteis empobrecidos em seus cenários. Hugo Cabret, recente adaptação cinematográfica de Scorsese, também apresenta esse modelo de sociedade e de “aperfeiçoamento” tecno-científico, destacando o que talvez possa ser, uma forma de reavaliar as nossas ambições tecnológicas e a preocupação com a natureza e os recursos disponíveis para os “famigerados” avanços sociais. Todas essas obras, ainda que  voltadas para crianças, mostram o desafio que a própria humanidade cria ao não desenvolver uma consciência que prepara também suas crianças e jovens enquanto futuro e principalmente, quando prepara, elabora tão “educação” de maneira desonesta e bastante cruel, como pode ser visto através do Conde Olaf, metáfora da ambição desenfreada e do desapego ao amor e a fraternidade.

 Os Campeões!

Dispensam apresentações os fenômenos literários Harry Potter e as Crônicas de Nárnia. Não dispenso entretanto argumentos para destacar a qualidade imaginativa, a riqueza de detalhes dos universos apresentados e principalmente, o prazer que cada leitor deve sentir ao visitar esses sonhos em forma de livros. J.k.Rowling tem um estilo narrativo muito semelhante ao de C.S.Lewis, autor de Nárnia, cujo ano de lançamento (o que muitas pessoas ainda não sabem) ocorreu entre 1950 e 1956 tendo sido escrito e planejado em 1949 até 1954. Serviram como alternativa aos conflitos da segunda guerra mundial, tanto suas ideias, como as de Tolkien autor de O Senhor dos Anéis, aonde discutiam em seu grupo literário Inklings juntamente a diversos autores, estórias e contos de fantasia e ficção científica para crianças. As que tiveram oportunidade de receber contato com tais obras, puderam “escapar dos horrores que os adultos parecem sempre ocasionar” – palavras de Lúcia, destacando parte da ideia geral na qual Nárnia vive: um mundo de paz, comandado pelo Leão Aslan e lá, fugidos dos horrores desta mesma guerra, passaram a viver um tempo em segurança, até descobrirem os terríveis poderes da Rainha ou Feiticeira Branca, que pode ser entendida como o “pecado de eva”, ao comer da maçã proibida ao mesmo tempo que pode ser “a grande guerra”, travestida de vislumbre e de poder. Este grupo recentemente foi abordado em um livro escrito pelos pesquisadores Harry Lee “Hal” Poe e Jim Veneman, que durante alguns anos, colheram informações e finalmente, através de seu projeto, lançaram uma série de informações e biografias dos  célebres participantes. É possível conferir mais informações sobre o livro “The Inklings of Oxford” neste link do site Valinor.

Fruto da antiga geração de autores: A dama de ferro J.k.Rowling. 

Joanne Kathleen Rowling, nascida em 1965 é autora da série Harry Potter, que já foi abordada num longo especial sobre o filme Prisioneiro de Azkaban. Ganhou o título da Ordem do Império Britânico por sua contribuição a literatura (em seu país) e diversas nomeações, indicações, tantos outros prêmios que caberiam em muitos textos para mostrar a relevância de sua obra. O famoso mago de 11 anos que vivia sob o armário da escada, rendeu a Warner Brothers Corp. a maior franquia que o cinema já teve notícia, em bilheteria, venda de produtos derivados e em home video. Os números atualizados passam dos 7 Bilhões em arrecadação e a série de livros já ultrapassou a marca dos 420 milhões de exemplares vendidos ao redor do mundo, traduzidos inclusive para 74 idiomas. O universo criado por J.K.Rowling é livremente inspirado em Tolkien e C.S.Lewis e isso nunca foi negado pela autora, além das acusações de que teria copiado o que Neil Gaiman produziu com seu famoso bruxo, Tim Hunter, destoando claramente em contexto e em diversas entrevistas, o próprio Gaiman disse ser fã da obra da autora.  Essa série permanece em primeiro lugar nesta lista, por uma razão entre várias que são curiosas, mas segue o destaque. O mercado de livros digitais foi impulsionado em 1997 com a versão de Harry Potter e a Pedra Filosofal começando a figurar entre os mais vendidos na até então “modesta”, mas não pequena, Amazon. Desde então a relação entre editoras, mercado, publicações e principalmente, consumo de livros, voltou a tona radicalmente graças ao fenômeno Harry Potter.

Muitos não se lembram, entretanto, não ficou declarado que houve uma recessão “no mercado editorial” na década de 1990, mas o até então “inédito” investimento numa obra desconhecida parecia ser um tiro no escuro, para surpresa de todos, a mágica lucrativa ocorreu desde o lançamento de Câmera Secreta, exigindo que o mercado editorial pensasse não apenas em lançar seus livros, como também, criar uma espécie de folclore ao redor dos seus lançamentos. Há muito tempo não se via filas e mais filas de jovens em frente a livrarias, algo raro em tempos de informação e de games cada vez mais sofisticados pela tecnologia 3D. J.K.Rowling foi capaz de fragilizar lançamentos no cinema, aquecer a economia, gerar empregos e proporcionar que crianças ficassem mais tempo em casa do que o que era costume. Graças a esse “poder”, a procura por livros semelhantes ou sucessores, ou o resgate de clássicos sendo adaptados ao cinema, como foi o caso de Nárnia, sugeriram uma retomada da fantasia que inclusive, coroou The Lord of The Rings com 11 Oscar em seu último episódio (Retorno do Rei), quebrando uma tradição conservadora contra animações, filmes infanto-juvenis e com a ficção científica/fantasia que ainda existe dentro da Academia.

Pottermore e o Mercado Digital

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 Se em 1997 suas conferências eram vistas por 30 pessoas entusiasmadas pela novidade mas que não conheciam o poder que essa autora iria exercer nos 10 anos posteriores, hoje o panorama é muito diferente e tem o peso do literal  castelo de Hogwarts construído em Orlando, no Universal Park and Resort. Como parte de um mega empreendimento que a Warner Brothers desenvolveu com a autora, ninguém deve imaginar o quanto essa atração (agora turística) lucra e se tornou desde então ponto obrigatório de visitação, atraindo curiosos, fãs e muitos entusiastas da sétima arte ou por pura diversão. Por outro lado, sempre alertando que caneta e papel são suas prioridades, J.K.Rowling retornou a pouco mais de duas semanas aos holofotes de todos os jornais com o anúncio da sua própria loja virtual, sem o apoio de terceiros como intermediários e tendo autonomia completa para administrar ganhos, prazos e vendas dos 7 livros da série. Outro ponto importantíssimo dessa iniciativa é a marca Pottermore, lançada em 2011 e que promete ser uma experiência estendida para usuários mais entusiasmados com o universo da série, através de uma “rede social” de fãs que poderão re-escrever etapas importantes dos livros, trocar ideias, conversar com a autora e obviamente, garantir as novas versões publicadas dos livros (digitalmente ou não apenas). A partir de agora, Harry Potter ganha um novo fôlego não apenas enquanto série cinematográfica ou literatura, mas como uma marca de peso que ainda irá  nos surpreender por muito tempo, já que a autora anunciou seu novo livro, que mesmo sem ter relação com a série, aumenta a minha ansiedade e a de outros fãs que esperam retomar – ainda que longe de Hogwarts – o interesse pelo humor e pela ironia típicas de J.K.Rowling.

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Fruto de muita ambição e força de vontade, ela se tornou uma incrível empreendedora e acima de qualquer suspeita, uma referência obrigatória quando o assunto é literatura infanto-juvenil e mais do que isso, é parte também essencial desse fenômeno e de boa parte do que foi citado, enaltecer o valor que seus leitores possuem, desde que começaram a procura por outros livros e histórias tão divertidas quanto Harry Potter. Personagens literários podem não existir no nosso dia-dia, mas a inspiração que eles exercem em nossas vidas, tornam os desafios futuros mais simples, com lições entusiasmadas possibilitando vislumbrar outras perspectivas surgindo a cada nova palavra que é escrita, descrita e lida!

Aproveito para encerrar este texto com um enorme agradecimento a quem prestou o trabalho de esperar a parte final desse especial e é com muita satisfação e prazer que encerro esta etapa!

Espero que tenham gostado e aguardem a crítica dos Álbuns da cantora Madonna e Grimmes, em breve!!


Você pode conferir as duas primeiras etapas nos links abaixo:

                                         Parte I  de 2010 &  Parte II de 2012

Impressões – The Walking Dead!

Atenção: Não quero atrapalhar a diversão de ninguém mas se não acompanhou todos os episódios, não leia, contem Spoiler. Se não se importa e continua mantendo suas impressões sobre a série, ainda que já esteja sabendo de tudo que vai acontecer? Bem vindos!

Ainda sentindo o clima da segunda temporada, The Walking Dead se prova um dos melhores programas de TV exibidos hoje. Com uma curta primeira temporada (6 episódios), entretanto, bastante intrigante, nos mostrou Rick, um policial que acorda em um hospital, na melhor homenagem ao filme Extermínio de Danny Boyle, outra pérola do gênero “survivor”, enquanto tudo ao seu redor era destruído por uma infestação de Zumbis.

Se na primeira temporada tivemos um ritmo frenético em busca de respostas para solucionar o misterioso surgimento da infestação zumbi, na segunda, além de sairmos do foco urbano que a trama possuía, Rick e seu enorme grupo, partiram até uma fazenda que parecia uma terra prometida em tempos cinzentos e após a grande explosão do centro médico no qual um grande segredo foi contado a Rick. Entretanto, nada é sólido e duradouro em Walking Dead: Diferente do que muitas pessoas costumavam apontar, essa temporada foi vagarosa, entretanto, preocupada com a responsabilidade de desenvolver Dale, Daryl e Andrea, além de exibir um interessante arco com Sophia, a personagem que desaparece durante parte a primeira metade. Se Dale e Andrea tinham um conflito recém assumido entre tensão amorosa e paternalismo por parte do bom senhor, Shane, entrou em conflito com seus princípios já que tivera um caso amoroso com Lori: a verdade da gravidez da senhorita problema da série culminou numa das ações mais tensas nas duas temporadas e é um momento de transição daquele Rick bonachão que estávamos acostumados.  Além da morte de Otis, Shane já desenvolveu a primeira linha ou novo plano que a série nos entregou durante esta temporada: Nada aqui é “justificável”, tudo o que se faz é para sobreviver – Conviver em harmonia é uma convenção que não abraça velhos, apenas os maios Aptos.

Outro primor nessa temporada foi a caça de Daryl a Sophia e sua relação com o grupo, já que se mostrou o personagem mais neutro, entretanto, repleto de simpatia quando foi necessário consolar a mulher que perdera a sua filha e principalmente, a mulher que precisava de cuidados:  Carol.

The Walking Dead nunca será focada nos zumbis mas sim em seus personagens e seus conflitos no qual a justiça e a lei sucumbiram: é uma terra de ninguém e fica explícito ao final da temporada no discurso de Rick que todos carregam em seu sangue ou em seu cérebro a misteriosa praga zumbi: não importa se você é mordido ou não, todos já são vítimas desse terrível apocalipse. Tal revelação só culmina em outra verdade: Já somos prisioneiros desse terrível mal (em contra-cena à grande Prisão presidida pelo Governador) ou apenas ressaltado pelo recém destruído celeiro, simbolo da “escravidão” de alguns zumbis.

Ressalvas e Polêmicas. 

Muito se especulou sobre a morte de Shane e como poderíamos conferir isso nos episódios da série: os produtores mantiveram a situação muito semelhante aos quadrinhos, mas como a linha de certos fatos seguiu outra perspectiva, Carl atirou em Shane na forma zumbi (nos quadrinhos, Shane permanecia humano), por duas razões: A primeira é que o ator é muito jovem e isso poderia comprometer seu desenvolvimento enquanto pessoa (o que não tem relação nenhuma com a série, mas sim com a preocupação com a integridade da criança por parte dos produtores) por outro lado, a clara modificação da série em relação aos quadrinhos, intrigando cada telespectador pelo fato do Shane não ter sido mordido (num conflito com Rick, acabou levando a pior e foi esfaqueado após criar uma armadilha para Rick), entretanto, já foi comentado que qualquer um é  “Errante” ou simplesmente, um morto vivo. Mora neste ponto a grande “sacada” da série em relação ao seu título.

Dale, nos deixou de coração partido pois tentou falar em justiça ao Shane e ao grupo, na tentativa de salvar Randall (personagem que revelou a existência de terríveis grupos de humanos violentos não por necessidade, mas pela falta de “moralidade” e éticas humanas – o que nesse contexto diz respeito ao ato de respeitar quem ainda é humano), o que não se cumpriu já que os argumentos deram lugar a simples e animalizada vontade de sobreviver que é necessária no universo da série, sendo confirmada portanto a sua banal morte, oriunda de uma ação muito irresponsável de Carl que sente o peso de crescer sem que escute falar em “normalidades”. Ninguém pode esperar por um lugar seguro levando em conta a grande quantidade de zumbis que são criados e que parece não ter fim: por mais que os esforços feitos sejam para salvar vidas que ainda “mantem” um pouco daquilo que conhecemos enquanto lei ou humanidade, o mundo que conhecíamos ou a tão “conturbada” civilização já foram colocadas à baixo nessa terrível atmosfera de medo e insegurança.

Ritmo da Série e Incômodo dos Impacientes. 

Quadrinhos e livros tem uma maneira de contar o enredo que é muito mais “imaginativa” e muito mais autônoma em questão de tempo e desenvolvimento, em uma série de televisão ou filme, não há como desenvolver tudo o que esperamos de uma vez só, e muitas pessoas não compreendem a razão dessa “demora” na resolução dos plots:  então qual seria a razão dos produtores assinarem contrato para várias temporadas? Se você acompanha séries, sabe claramente que nem tudo vai ser contado em um único episódio e Walking Dead distribuiu muito bem todas as emoções e o espaço de cada personagem nessa temporada (exceto T-Dog que os produtores deixaram em stand by para algo que será resolvido – espero – na terceira temporada. Acho que existe em parte o problema da falta de memória e paciência de algumas pessoas, já que a temporada começou ano passado (2011) e está terminando agora (Março de 2012). Se notarmos bem, tudo que foi exibido beneficiou as consequências já previstas por quem leu os quadrinhos e as leves alterações necessárias para uma grande revelação de nome Governador, que chegará nesta terceira temporada: Michonne, importante personagem dos quadrinhos (e uma das mais populares) já deu suas caras numa pequena ponta, prenúncio da temporada que chega, além de um leve desespero causado no orgulho e no peito daqueles que ainda conservam o amor como esperança de redenção (Glenn e Maggie).

Vislumbrando A Terceira Temporada!

Se Walking Dead tornar-se uma série de violência gratuita, focada apenas numa ação irresponsável, eu já não vou mais assistir. É justamente esses passos vagarosos como de um zumbi que transformam a série em um berço de questionamentos éticos sobre a própria vida e o nosso medo de encarar situações extremas que já não explicariam a nossa difícil existência.

A série tem muito material para ser desenvolvido, e os três episódios finais da temporada só defendem ainda mais a qualidade e superioridade desta segunda em relação a primeira: a dificuldade de algumas pessoas em perceber os detalhes e as minucias que a série já levantou já mostra que a série a cada novo episódio, seleciona com cuidado quem vai apreciar sua qualidade e seu texto, deixando para trás quem não sabe acompanhar ou se adaptar a necessidade do verbo numa série que não é de ação, mas sim de ficção e drama.

Impressões: Rica em Detalhes – Nota: 9,0.